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A Palavra do Frei Petrônio

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

OLHAR POLÍTICO DO FREI: 7 DE JULHO-2016.

“Podemos até condenar os ladrões e os assassinos, mas quando votamos em corruptos, também nós roubamos e matamos”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ. 

NOVENA DO CARMO... MAIS UMA?!

1º DIA DA NOVENA: Uma Prece Pelas Mulheres.

NOSSA SENHORA: Um olhar para a Mãe dos Carmelitas.

VIVER NO CARMELO
EM OBSÉQUIO DE JESUS CRISTO
NO ESPÍRITO DE MARIA, A MÃE DE JESUS

     Os primeiros Carmelitas chegaram a ter uma devoção de muita intimidade com Maria, a Mãe de Jesus. Era como a relação que todos nós temos em casa com a mãe e as irmãs. Eles chamavam Maria de Mãe e de Irmã. Uma ilustração bonita disso são estas três ima­gens de Nossa Senhora do Carmo. A imagem à esquerda, chamada La Bruna, é a mais antiga de todas as imagens de Nossa Senhora do Carmo. É do século XIII e é conservada na Igreja dos Carmelitas em Nápoles, Itália. Nela o menino Jesus encosta seu rosto no rosto da mãe e lhe faz cócegas. Agarrado na mãe, ele olha para nós e com um olhar de ternura ele nos convida para ter a mesma intimidade com ela. Nesta imagem ainda não aparece o escapulário. A outra imagem à direita é uma reprodução muito bonita da La Bruna, feita no século passado pelas monjas Carmelitas de um mosteiro na Itália. Aqui o menino Jesus, nos convida com o mesmo olhar de ternura e, além disso, nos oferece o escapulário que se torna, assim, um sinal de ternura e de carinho. O resultado desta intimidade crescente está expresso na imagem do meio, conservada no teto da Igreja do Carmo em Salvador, Bahia. Com a mão esquerda Maria entrega o escapulário a Simão stock, mas ela olha para o lado direito e permite que um frade Carmelita receba o menino Jesus nos seus braços. A imagem sugere que, no dom do escapulário, Maria nos entrega o próprio menino Jesus,  para que possamos ter com ele e com ela a mesma intimidade de filhos e filhas, de irmãos e de irmãs.
As Constituições da Ordem do Carmo assim resumem o exemplo de Maria para nós Carmelitas: Maria, envolvida pela sombra do Espírito de Deus, é a Virgem do coração novo que dá um rosto humano à Palavra que se faz carne. É a Virgem da escuta sapiente e con­templativa, que conserva e medita no seu coração os acontecimentos e a palavra do Senhor. É a discípula fiel da sabedoria, que busca Jesus –Sabedoria de Deus– e pelo seu Espírito se deixa educar e plasmar para assimilar na fé o estilo e as opções de vida. Assim educada, Maria é capaz de ler as "grandes coisas" que Deus realizou nela para a salvação dos humildes e dos pobres.
Maria, sendo também a Mãe do Senhor, torna-se a discípula perfeita dele, a mulher de fé. Segue Jesus, caminhando juntamente com os discípulos, e com eles compartilha o penoso e comprometedor caminho que exige acima de tudo o amor fraterno e o serviço mútuo. Nas bodas de Caná ensina-nos a acreditar em seu Filho; aos pés da Cruz torna-se a Mãe de todos os crentes e com eles experimenta a alegria da ressurreição. Une-se com os outros discípulos em «oração contínua» e recebe as primícias do Espírito, que enche a primeira comunidade cristã de zelo apostólico. Maria é portadora da boa nova da salvação para todos os homens. É a mulher que cria relações de comunhão, não só com os círculos mais restritos dos discípulos de Jesus, mas também com o povo: com Isabel, os esposos de Caná, as outras mulheres e os "irmãos" de Jesus.
Na Virgem Maria, Mãe de Deus e modelo da Igreja, os Carmelitas encontram tudo aquilo que desejam e esperam ser. Por isto, Maria foi sempre considerada a Padroeira da Ordem, da qual é também chamada Mãe e Esplendor, e tida sempre pelos Carmelitas, diante dos olhos e no coração, como a "Virgem Puríssima". Olhando para ela e vivendo em familiaridade de vida espiritual com ela, aprendemos a estar diante de Deus e juntos como irmãos do Senhor. Maria, de fato, vive no meio de nós como mãe e como irmã, atenta às nossas necessidades, e junto a nós atende e espera, sofre e se alegra. (Constituições Nº27)
A Bíblia fala muito pouco da Mãe de Jesus. Só sete livros a mencionam: Gálatas (Gl 4,4), Marcos (Mc 3,20-21.31-35), Lucas (Lc 1 e 2; 11,17), Atos (At 1,13), Mateus (Mt 1 e 2), João (Jo 2,1-13; 19.25-26) e Apocalipse (Apc 12,1-17). Ela mesma fala menos ainda, pois cinco destes sete livros só falam sobre Maria. Ela mesma não fala. Maria só fala em dois livros: Lucas e João. E mesmo estes dois conservam apenas sete palavras de Maria.
1ª Palavra:      "Como pode ser isso se não conheço homem!" (Lc 1,34)
2ª Palavra:      "Eis aqui a serva do Senhor!" (Lc 1,38)
3ª Palavra:      "Minha alma louva o Senhor!" (Lc 1,46)
4ª Palavra:      "Meu filho porque fez isso conosco?" (Lc 2,48).
5º Palavra:      "Eles não têm mais vinho!" (Jo 2,3)
6ª Palavra:      “Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5)
7ª Palavra:      O silêncio ao pé da Cruz, mais eloquente que mil palavras! (Jo 19,25-27)
A Mãe de Jesus aparece nos evangelhos como mulher silenciosa. Apenas sete palavras! A prática do silêncio capacitava Maria para meditar e escutar a Palavra de Deus nos fatos da vida. Cada uma daquelas sete palavras nos faz saber como Maria fazia para escutar os apelos de Deus, mesmo lá onde não havia palavras, mas apenas o silêncio de uma situação humana pedindo socorro.
Vamos percorrer os textos bíblicos sobre Maria para saber como ela viveu e praticou a oração, a fraternidade e a missão profética. Seguiremos a mesma ordem, em que os textos se encontram nos livros da Bíblia: Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Gálatas e Apocalipse. Encontramos neles os seguintes itens que vamos destacar e analisar mais de perto e que podem servir como critério para avaliar nossa vida hoje:
1.    As companheiras de Maria na genealogia de Jesus                 Mateus 1,1-17
       Os critérios de Deus são diferentes dos nossos critérios

2.    José, sendo justo, acolhe Maria em sua casa                           Mateus 1,18-25
       Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça

3.    Os magos do Oriente encontraram o menino e sua mãe       Mateus 2,1-12
       O olhar de fé gerou neles a conversão e os fez enxergar

4.    A fuga para o Egito e a matança das crianças em Belém        Mateus 2,13-23
       A fraqueza dos pobres vencerá o poder cruel dos grandes

5.    Maria e os parentes buscam Jesus em Cafarnaum                  Marcos 3,31-35
       Abrir a família para a vida em comunidade

6.    Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria?                Marcos 6,1-6
       Profetas não são bem aceitos entre os seus

7.    E o nome da virgem era Maria                                                  Lucas 1,26-27
       Maria recebe o nome da irmã de Moisés

8.    O anjo Gabriel é enviado por Deus a Maria                             Lucas 1,28a
       Estar em casa, pois é lá que Deus nos espera e visita

9.    A saudação do anjo Gabriel a Maria                                         Lucas 1,28b
       Ter consciência da presença de Deus

10. A preocupação da Maria e a resposta do anjo                        Lucas 1,29-30
       O amor joga fora o medo e nos traz a paz

11. Maria será a mãe de Jesus, o filho do Altíssimo                       Lucas 1,31-33
       A inacreditável proposta de Deus para todos nós

12.  A reação de Maria: "Como pode ser?"                                     Lucas 1,34
       Realismo humilde diante de Deus

13.  Maria se oferece: "Eis aqui a serva do Senhor"                       Lucas 1,35-38
       Fazer da vida um serviço a Deus e aos irmãos

14.  Maria visita sua prima Isabel                                                     Lucas 1,39-45
       O serviço a Deus e aos irmãos é concreto e exigente

15.  O Cântico de Maria: Maria reza com as palavras da Bíblia     Lucas 1,46-56
       Leitura orante da Bíblia e conhecimento crítico da realidade

16.  Maria dá à luz na estrebaria dos animais                                 Lucas 2,1-7
       O filho de Deus nasceu entre os mais excluídos

17.  A visita dos pastores ao menino Jesus                                      Lucas 2,8-20
       Os pobres são os primeiros convidados

18.  Uma espada de dor atravessa o coração de Maria                  Lucas 2,21-40
       Quem aceita ser a serva do Senhor sabe que vai sofrer

19.  Maria não entende as palavras e gestos de Jesus                    Lucas 2,41-50
       Olhar no espelho que oferece uma resposta para nós

20.  Maria conserva todas as coisas no seu coração                       Lucas 2,51
       Meditar e ruminar os fatos da vida no nosso coração

21. Maria ajuda Jesus a crescer, e Deus cresce nela                       Lucas 2,52
       Fazer Jesus crescer em nós

22.  Um duplo elogio bem merecido                                                Lucas 11,27-28
       Ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática

23.  Maria avisa Jesus: "Eles não mais vinho!"                                João 2,1-13
       Estar atento a Deus e aos problemas dos  irmãos

24.  Maria em silêncio ao pé da cruz                                                João 19,25-27
       O discípulo amado recebe a mãe de Jesus em sua casa

25.  Junto com Maria rezar pela vinda do Espírito Santo              Atos 1,14
       Aguardar em atitude orante a chegada de Pentecostes

26.  Jesus, o filho de Deus, nascido de mulher                                Gálatas 4,4
       Quem se humilha será exaltado

27.  A mulher vitoriosa com a lua debaixo dos pés                        Apocalipse 12,1-9
       Maria, imagem dos que lutam em defesa da vida
O Evangelho de Mateus, quando fala da mãe de Jesus, focaliza a realização das profecias. A genealogia (Mt 1,1-17), a gravidez de Maria (Mt 1,18-25), a visita dos magos (Mt 2,1-12), a fuga para o Egito (Mt 2,13-18) e o retorno para Nazaré (Mt 2,19-23), tudo isto é descrito para mostrar como em Jesus se realiza a promessa de Deus.
1.   Mateus 1,1-17  As companheiras de Maria na genealogia de Jesus
                                 Os critérios de Deus são diferentes dos nossos critérios
Um primeiro ponto que o evangelho de Mateus nos informa a respeito de Maria é o registro do seu nome na genealogia de Jesus, onde se diz: Jacó foi o pai de José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Messias. A genealogia traz o registro de quarenta e duas gerações (3x14=42), desde Abraão até "José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Messias". Toda esta longa história de quase dois mil anos encontra o seu ponto de chegada em Jesus, o filho de Maria. Nesta genealogia, ao lado dos nomes de quarenta e dois homens, aparecem os nomes de cinco mulheres. Uma delas, a última, é Maria, a mãe de Jesus. As outras quatro são: Tamar, uma Cananéia, viúva, que se vestiu de prostituta para obrigar o sogro Judá a ser fiel à Lei de Deus e dar-lhe um filho (Gn 38,1-30).  Raab, uma Cananéia, prostituta de Jericó, que fez aliança com os israelitas (Js 2,1-21).  Rute, uma Moabita, viúva pobre, que optou para ficar do lado de Noemi e aderiu ao Povo de Deus (Rt 1,16-18). Betsabea, uma Hitita, mulher de Urias, que foi seduzida, violentada e engravidada pelo rei Davi, que, além disso, mandou matar o marido dela (2 Sm 11,1-27). Estas quatro mulheres são as companheiras de Maria. Foi através destas cinco mulheres e de muitas outras cujos nomes não foram registrados, que Deus realizou o seu plano de salvação e enviou o Messias prometido. Por que será que Mateus escolheu estas quatro mulheres para estar ao lado de Maria: uma viúva, uma prostituta, uma estrangeira e uma violentada? Nenhuma rainha, nenhuma matriarca, nenhuma juíza! Realmente, o jeito de agir de Deus surpreende e faz pensar! Por que será?
2.   Mateus 1,18-25  José, sendo justo, acolhe Maria em sua casa
                                           Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça
Um segundo ponto é a informação de que Maria estava prometida em casamento a José e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. Diz ainda que José era justo. A justiça de José não era como a justiça dos escribas e fariseus, mas já era a justiça da qual Jesus dirá: "Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos escribas e fariseus, vocês não entrarão no Reino do céu" (Mt 5,20). Se José tivesse sido justo conforme a justiça dos escribas e fariseus, ele deveria ter denunciado Maria e ela teria sido apedrejada. Jesus não teria nascido. Mas José já vivia o ideal definido por Jesus: "Buscai, primeiro, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado" (Mt 6,33). Por ser justo e buscar a verdadeira justiça do Reino, José não denunciou Maria. Avisado em sonho pelo anjo de Deus, "José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus". Assim, Jesus pôde nascer e realizar a profecia de Isaías que dizia: "A virgem conceberá e dará à luz um filho que será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer Deus conosco". Sim, devemos muito a São José. Santa Teresa d´Ávila colocava todos os mosteiros sob a proteção de São José. São José é o Protetor da Ordem do Carmo. Estamos bem protegidos.
3.   Mateus 2,1-12  Os magos do oriente encontraram o menino e sua mãe
                                 O olhar de fé gerou neles a conversão e os fez enxergar
Um terceiro ponto do evangelho de Mateus sobre Maria é a visita dos magos do Oriente. No tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem". Os magos não eram membros do povo de Deus. Eram estrangeiros, provavelmente jovens, em busca de um sentido para a vida, sem precon­ceitos, abertos para a verdade. Eles buscavam o Rei dos Judeus e, orientados pelas Escrituras, chegaram em Belém. Herodes tinha consultado os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: "E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo". Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra". O ouro das alegrias e das coisas boas da vida, a mirra das tristezas e das dificuldades da vida, e o incenso das orações e da busca de Deus. Os magos buscavam uma coisa e encontraram uma outra, totalmente diferente. Buscavam um rei glorioso e encontraram uma criança pobre recém nascida, deitada numa manjedoura. Nem berço não tinha! Mas eles se renderam aos fatos e aceitaram aquela criança pobre recém nascida como sendo o rei dos judeus que eles procuravam! Sinal de muita fé e de muita conversão. A obediência ao rumo indicado pelas Escrituras colocou-os no caminho certo e fez reaparecer a estrela que os guiou até a casa onde estavam Maria, José e o menino Jesus. A Escritura os iluminou e a estrela os guiou. Todos nós temos uma estrela que nos orienta e nos guia e que, como a estrela dos magos, aparece e desaparece. É a fé e a leitura orante da Escritura que fazem a estrela reaparecer e brilhar na nossa vida como Carmelitas que devemos meditar dia e noite na lei do Senhor.
4.   Mateus 2,13-23 A fuga para o Egito e a matança das crianças em Belém
                                 A fraqueza dos pobres vencerá o poder cruel dos grandes
Um quarto ponto é a fuga para o Egito. "Herodes, percebendo que fora enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou matar, em Belém e em todo seu território, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo de que havia se certificado com os magos". Por isso, José e Maria tiveram de fugir com o menino de Belém para o Egito, em torno de 150 quilômetros ou mais. Anteriormente, por causa do recenseamento decretado pelo imperador de Roma, Maria estando no nono mês da gravidez, tiveram que viajar de Nazaré até Belém, mais ou menos 130 quilômetros. Agora, depois da morte Herodes, José é avisado em sonho e, junto com Maria e o menino Jesus, volta para a terra de Israel. Ele ia morar em Belém, mas quando soube que Arquelau era rei da Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. É que Arquelau era pior que o pai dele. Só no dia da tomada de posse ele matou 3000 pessoas na praça do templo. Por isso, em vez de ir a Belém na Judeia, José viajou para Nazaré na Galileia, outros 300 quilômetros, desde o Egito no extremo Sul até Nazaré no Norte. Nestas caminhadas, ao todo mais de 500 quilômetros, Maria e José com o menino Jesus são vítimas do poder arbitrário dos grandes que não se importam com o destino dos pequenos. Mas "Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte" (1Cor 1,27). É para estes fracos sem poder que Jesus veio anunciar a Boa Nova: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres;enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor" (Lc 4,18-19).
O Evangelho de Marcos, praticamente, desconhece Maria, a mãe de Jesus. Sem mencionar o nome, ele diz que "a mãe de Jesus" estava com os parentes que queriam trazer Jesus de volta para Nazaré (Mc 3,31-35). Ele menciona o nome quando descreve a reação negativa do povo de Nazaré : "Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria?" (Mc 6,3).
5.   Marcos 3,31-35 Maria e os parentes buscam Jesus em Cafarnaum
                                 Não se fechar, mas abrir-se para a vida em comunidade
Um quinto ponto sobre Maria trata do conflito entre Jesus e seus parentes, no qual Maria ficou envolvida. Depois de ter iniciado o anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, Jesus saiu de Nazaré e foi morar na cidade de Cafarnaum, perto do lago. Ele tornou-se muito conhecido. O povo o procurava e queria estar perto dele, ouvi-lo, tocar nele. Era tanta gente que Jesus não tinha nem tempo para comer. "Quando seus parentes souberam disso, queriam detê-lo, dizendo que Jesus tinha ficado louco!” (Mc 3,21). Eles queriam trazê-lo de volta para casa e enquadrá-lo de novo dentro dos moldes da pequena família lá em Nazaré. Eles foram até Cafarnaum e mandaram chamar Jesus: "Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram". Mas Jesus não atendeu ao pedido dos parentes: "Quem é minha mãe e meus irmãos? E olhando para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor Jesus disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". Jesus alargou a família. Jesus quer a família aberta para a dimensão da comunidade. Este episódio deixa transparecer ainda que Jesus, como todos nós, teve problemas com a família, com os parentes (cf. Jo 7,1-5). Não sabemos qual era o sentimento de Maria: se ela estava de acordo com o pedido dos parentes ou se tinha sido meio constrangida para acompanhá-los e ajudá-los a convencer Jesus a voltar para casa. Vamos saber depois da ressurreição.
6.   Marcos 6,1-6   Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria?
                                 Profetas não são bem aceitos em sua própria família
Um sexto ponto sobre Maria é a reação negativa do povo de Nazaré quando Jesus foi participar da celebração do sábado na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: "De onde lhe vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E esses milagres que são realizados pelas mãos dele? Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?" E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Pelo que Marcos informa, Jesus era muito conhecido em Nazaré. O povo conhecia o nome da mãe e até dos irmãos e irmãs de Jesus. Até hoje é assim. Em lugar pequeno do interior, todos conhecem todos com nome, sobrenome e apelido. E se acontece alguém começar a exigir justiça e verdade, fraterni­dade e partilha, a reação é imediata: De onde lhe vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E aí é difícil o povo querer crer numa pessoa assim. Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E Jesus ficou admirado com a falta de fé deles. Ao tomarmos conhecimento deste episódio desagra­dável em Nazaré, surge em nós uma pergunta sem resposta: Como será que Maria reagiu diante desta atitude tão negativa e descrente do povo frente a Jesus? Provavelmente, deve ter sido um pedacinho daquela espada de que falava o velho Simeão.
O evangelho de Lucas é o que mais nos informa sobre Maria, a mãe de Jesus. Quando Lucas fala de Maria, ele pensa nas Comunidades e apresenta Maria como modelo. Na maneira de Maria relacionar-se com a Palavra de Deus, Lucas vê a maneira mais correta para a comunidade relacionar-se com a Palavra de Deus. A chave para isto nos é dada no elogio de Jesus à sua mãe: Feliz quem ouve a Palavra de Deus e a coloca em prática” (Lc 11,27).
7.   Lucas 1,26-27     E o nome da virgem era Maria
                                 Maria recebe o nome da irmã de Moisés
Um sétimo ponto sobre Maria é o nome que ela recebeu dos pais: E o nome da virgem era Maria. Naquela época o povo gostava de dar aos filhos e às filhas os nomes de algum patriarca ou e de figuras importantes do Antigo Testamento. Era para dizer: fazemos parte do mesmo povo e queremos assumir a mesma missão que eles assumiram e nos transmitiram. Por exemplo, dos doze nomes dos apóstolos, seis são tirados do Antigo Testamento: Simão, duas vezes, Tiago, duas vezes, João e Judas. O mesmo vale para os nomes de José, de Ana, de Joaquim e do próprio Jesus. Hoje acontece o mesmo. Muita gente dá nomes de pessoas da Bíblia ou de santas e santos. Os nomes revelam a consciência que o povo simples tinha de si mesmo e da sua missão.
8.   Lucas 1,26-28a  O anjo Gabriel é enviado por Deus a Maria
                                 Estar em casa, pois é lá que Deus nos espera e visita
Um oitavo ponto sobre Maria é uma informação muito simples e muito importante que Lucas nos dá dizendo que Maria estava em casa quando o anjo chegou para transmitir-lhe a mensagem de Deus. Maria  não estava no templo como Zacarias, nem na sinagoga, mas em casa, na vida comum de todos os dias. E é nesta situação comum de todos nós que ela recebe a visita do anjo e descobre a missão que Deus tinha reservado para ela. Muitas vezes, estamos fora de casa, ausentes de nós mesmos. Aí, o anjo de Deus chega e não nos encontra em casa. Não percebemos a sua passagem. Deus bateu na porta e não nos demos conta.
9.   Lucas 1,28b     A saudação do anjo a Maria
                                 Ter consciência da presença de Deus
Um nono ponto é a saudação que Maria recebe do anjo: "Alegra-te, cheia de graça. O Senhor está contigo!" A palavra Senhor traduz o nome Javé, Yhwh. Este nome, revelado a Moisés no Êxodo (cf. Ex 3,7-15), expressa o compromisso que Deus assumiu consigo mesmo de estar sempre com o seu povo para libertá-lo da escravidão do Egito e de qualquer outra escravidão. O próprio Deus afirmou a Moisés: "Este é o meu nome sob o qual quero ser invocado" (Ex 3,15). Deus não quer ter outro nome. Ele quer ser Emanuel, Deus conosco. Esta certeza da presença de Deus é a fonte da alegria de Maria e sinal da graça de Deus para com ela: Alegra-te, cheia de graça. O Senhor está contigo! É fonte de alegria e de graça também para nós. Até hoje, em todas as missas, professamos esta mesma certeza da nossa fé: "O Senhor esteja convosco!" -"Ele está no meio de nós!" É o centro da nossa fé. A raiz de onde nasce tudo!
10.   Lucas 1,29-30 A preocupação de Maria e a resposta do anjo
                                 O amor joga fora o medo, e nos traz a paz
Um décimo ponto é a reação de Maria diante da saudação do anjo: Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. O anjo a tranquiliza: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus". Não ter medo! A certeza da graça e da presença amorosa de Deus expulsa o medo. Diz a carta de São João: "No amor não existe medo; pelo contrário, o amor perfeito lança fora o medo" (1Jo 4,18). Esta mesma certeza da graça e da presença de Deus estava com os primeiros Carmelitas no Monte Carmelo e está também com todos nós para ajudar-nos a vencer o medo. É ela que nos leva a entregar nossa vida na mão de Deus. Pois o medo paralisa e atrapalha até o raciocínio do pensamento das pessoas. A afirmação "Não tenha medo" percorre a Bíblia todo, do começo ao fim, mais de 65 vezes: desde Abraão (Gn 15,1) até o Apocalipse (Apoc 1,17). A repetição tão frequente do mesmo conselho deixa transparecer que não é tão fácil vencer o medo.
11.   Lucas 1,31-33 Maria será a mãe de Jesus, o filho do Altíssimo
                                 A inacreditável proposta de Deus para todos nós
Um décimo primeiro ponto é o anúncio do anjo a Maria: Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim. Todas as promessas que, durante séculos, animaram a esperança do povo vão ser realizadas através de Maria! Jesus, o filho dela, será chamado Filho do Altíssimo. Proposta inacreditável e desproporcional para os nossos critérios. Para poder nascer entre nós, Deus não foi pedir licença ao Imperador de Roma, o dono do mundo, nem ao Sumo Sacerdote de Jerusalém, nem aos doutores do Sinédrio, o supremo tribunal da época, mas foi pedir licença a uma moça de seus 15 ou 16 anos lá da roça de Nazaré, interior da Galiléia, extrema periferia do mundo. Isto faz pensar! De lá para cá, o jeito de Deus não mudou. E Jesus, o filho de Maria, faz a todos nós uma proposta seme­lhante, igualmente inacreditável, de sermos de fato filhos e filhas de Deus!
12.   Lucas 1,34     A reação de Maria: "Como pode ser?"
                        Realismo humilde diante de Deus
Um décimo segundo ponto é a pergunta de Maria ao anjo: “Como pode ser isso, se não conheço homem algum!”. Maria não se exalta. Ela escuta o apelo de Deus, confronta-o com a sua condição humana e pergunta: "Como pode ser?" Não é falta de fé, nem medo, nem recusa, nem falsa humildade. Mas realismo humilde. Maria não quer ser a causa de que o plano de Deus corra perigo de fracassar devido às limitações da sua condição humana. Este realismo diante da proposta da Palavra de Deus evita exaltações exageradas e nos mantém com o pé no chão. O confronto da vida com a Palavra de Deus marca a vida de Maria e nos oferece um critério concreto de como "meditar dia e noite na Lei do Senhor".
13.   Lucas 1,35-38   Maria se oferece: "Eis aqui a serva do Senhor!"
                                 Fazer da vida um serviço a Deus e aos irmãos
Um décimo terceiro ponto é o esclarecimento do anjo e a resposta final de Maria. O anjo Gabriel explicou: "O espírito santo descerá sobre ti! O menino que vai nascer será chamado Filho de Deus". E para Maria saber que isto é possível, o anjo mencionou a gravidez de Isabel, sua parenta idosa e estéril, que já estava no sexto mês, pois "para Deus nada é impossível". Esclarecida pelo anjo, Maria não hesita nem duvida. Ela se oferece: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” Maria podia ter dito: Não! Mas ela disse: Sim!, e se fez a empregada de Deus. Ela sabia que isto ia trazer muitos problemas. Pois como explicar a gravidez ao povo de Nazaré? Como explicá-la a José, seu prometido esposo? Ninguém iria acreditar. Ela correria o perigo de ser apedrejada. No entanto, apesar de todas estas dificuldades bem reais, Maria se entregou à ação da Palavra de Deus. Ela não pensa em si mesma, nem se fecha dentro do seu mundo. O que conta para ela não é o próprio bem-estar, mas sim ser a Serva do Senhor, ser um instrumento eficaz na realização do plano de Deus. Foi o que Jesus aprendeu de sua mãe, pois ele também define sua vida como um serviço aos irmãos e irmãs: "O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgata pera muitos" (Mc 10,45)
14.   Lucas 1,39-45 Maria visita sua prima Isabel
                        O serviço a Deus e aos irmãos é concreto e exigente
Um décimo quarto ponto é a visita de Maria à sua parenta Isabel: "Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. Ela acabava de dizer: Eis aqui a serva do Senhor, e logo começa a servir. Serviço exigente e muito concreto! Maria faz uma viagem de 130 quilômetros até a Judéia no Sul para visitar sua prima Isabel e ajudá-la no parto. É parto de risco: primeiro filho de uma senhora já de idade. Precisava da assistência de alguém. Maria foi, entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Duas donas de casa se encontram, ambas grávidas. Neste encontro, elas experimentam a presença de Deus. "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou: Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre!  Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?  Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre.  Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu" Isabel elogiou a fé de Maria, e Maria respondeu louvando e agradecendo a Deus. As duas souberam rezar e celebrar os fatos das suas vidas.
15.   Lucas 1,46-56 O Cântico de Maria: Maria reza com as palavras da Bíblia
                                 Leitura orante da Bíblia e conhecimento crítico da realidade
Um décimo quinto ponto é o cântico de Maria: "A minha alma engrandece o Senhor, e exulta meu espírito em Deus, meu salvador". Este cântico nos faz saber como Maria  rezava e como vivia a sua fé. O cântico está permeado de frases da Bíblia, sobretudo dos salmos. A Bíblia de Jerusalém, na concordância ao lado do texto do cântico de Maria, enumera dezenove textos da Bíblia que são evocados ou mencionados neste cântico. Parece até uma colcha de retalhos, feita com frases e palavras tiradas da Bíblia. Prova de que Maria conhecia a Bíblia! De tanto meditar e assimilar a Palavra de Deus em sua vida, quando ela mesma reza, empresta as palavras da Bíblia para poder dirigir-se a Deus. O cântico também mostra que Maria tinha clara consciência da situação social e política em que se encontrava o seu povo. Ela conhece as pretensões dos soberbos (Lc 1,51), a ganância dos ricos (Lc 1,53) e a opressão dos poderosos sobre os pequenos (Lc 1,52). Ela se faz porta-voz da esperança do povo (Lc 1,54-55). Unir o conhecimento crítico da realidade com a leitura orante da Bíblia era a chave que abriu os olhos do coração de Maria para poder escutar os apelos de Deus, tanto na vida do seu povo e como na sua própria vida. Na maneira de usar as pa­lavras da Bíblia, Maria verbaliza sua fé de que as profecias do Antigo Testamento estão se realizando. Deus cumpriu a sua promessa. O cântico é louvor a gratidão a Deus por ele ter realizado tudo que tinha prometido: Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua miseri­córdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descen­dência, para sempre (Lc 1,54-55). Esta atitude orante de Maria é um conselho muito importante para nós carmelitas que devemos meditar dia e noite na Lei do Senhor. Como ter hoje a mesma atitude frente à Palavra de Deus que transparece no Cântico de Maria?
16.   Lucas 2,1-7        Maria deu à luz na estrebaria dos animais
                                 O filho de Deus foi nascer entre os mais excluídos
Um décimo sexto ponto é o nascimento de Jesus em Belém. Em vista da cobrança dos tributos e impostos, o imperador Augusto, lá de Roma, a mais de 2.000 quilômetros de distância de Nazaré, tinha ordenado um recenseamento em todo o império. Todos deviam registrar-se, cada qual na sua cidade natal. José era da família e descendência de Davi. Por isso, ele e sua esposa Maria tiveram que viajar mais de 130 quilômetros de Nazaré até Belém, cidade Natal de José. Enquanto estavam em Belém, se completaram os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou, e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. As hospedarias daquela época eram prédios de dois andares. O andar de cima, a casa, era para as pessoas. O andar térreo era para os animais. Seria o estacionamento para os "carros" da época que eram os animais: jumentos, jegues, burros, asnos, cavalos. Não havia lugar para eles na casa, no andar de cima. Maria deu à luz no estacionamento da hospedaria, no meio dos animais. A manjedoura dos animais serviu de berço para o menino Jesus. É o máximo de exclusão para um ser humano!
17.   Lucas 2,8-20        A visita dos pastores ao menino Jesus
                                    Os pobres são os primeiros convidados
Um décimo sétimo ponto é a visita dos pastores. Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. Mas o anjo disse aos pastores: "Não tenham medo! Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: vocês encontrarão um recém-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura". Pastores eram pessoas rudes, sem muita aceitação social. Muitos deles nem casa tinham. Passavam a noite no campo com os animais. Eles são os primeiros a receber a boa notícia do nascimento de Jesus entre os animais no estacionamento da hospedaria. Eles são os primeiros a visitar Maria e oferecer-lhe a sua ajuda. Os pastores souberam da notícia pelos anjos. Hoje também há muitos anjos e anjas que nos apontam o nascimento de Deus na vida das pessoas. E até hoje eles cantam e nos convidam: "Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados". O evangelho de Lucas diz que "Maria conservava cuidadosamente todos esses aconteci­mentos e os meditava em seu coração". Era a maneira de Maria ruminar os fatos e descobrir dentro deles os apelos de Deus. Com esta frase, o evangelista Lucas também indica discretamente a fonte, de onde ele mesmo conseguiu tantas informações sobre a infância de Jesus.
18.   Lucas 2,21-40 Uma espada de dor atravessa o coração de Maria
                                 Quem aceita ser a serva do Senhor sabe que vai sofrer
Um décimo oitavo ponto é a visita ao templo para cumprir os preceitos da Lei de Moisés. Duas pessoas idosas, Simeão e Ana, encontram Maria e José com o menino recém nascido nos braços no meio de outros casais que tinham vindo ao templo para cumprir o mesmo preceito da Lei de Deus. De Simeão a Bíblia diz: "Ele era justo e piedoso. Esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava com ele". De Ana, uma profetisa de oitenta e quatro anos de idade, a Bíblia diz que "ela nunca deixava o Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações". O olhar de fé destes dois velhos consegue reconhecer no menino recém nascido o Salvador do mundo. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe do menino: "Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações". O privilégio de ser a Serva do Senhor traz consigo muita alegria e também muito sofrimento. O profeta Isaías já tinha anunciado e descrito as dores do Servo de Deus: "Ele era desprezado, ninguém gostava de tratar com ele. Homem das dores, acostumado a sofrer. A gente desviava o rosto para não vê-lo, deixava-o de lado e não fazia caso dele. Mas eram nossas as dores que ele carregava, nossos os sofrimentos que ele suportava! E nós o considerávamos como um leproso, ferido por Deus, humilhado por Ele. Na realidade, ele estava sendo castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas faltas. O castigo que nos traz a paz caiu sobre ele e nas suas chagas encontramos nossa cura" (Is 53,3-5). Sim, quem aceita ser servo ou serva de Deus e dos irmãos não terá vida fácil. Mesmo assim, apesar de tudo, vale a pena optar pelo serviço e não pela dominação.
19.   Lucas 2,41-50 Maria não entendeu as palavras e gestos de Jesus
                                 Olhando no espelho encontramos consolo e orientação
Um décimo nono ponto é o relato de como Maria, durante a romaria a Jerusalém, perdeu o menino Jesus e o reencontrou no Templo depois de três dias de busca. Ele estava sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com a inteligência de suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram emocionados. Sua mãe lhe disse: "Meu filho, por que você fez isso conosco? Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados, à sua procura." Jesus respondeu: "Por que me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?" Mas eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer. Este diálogo entre Maria e Jesus é muito significativo para nós. Traz um consolo e uma orientação. Maria não tinha entendido o motivo que levou Jesus a ficar no Templo sem avisar os pais. E agora não entende a resposta de Jesus. Ela não entende os fatos nem as palavras de Jesus. Olhando o que aconteceu com Maria no Templo, estamos olhando no espelho, vendo o mesmo que acontece conosco. Às vezes, lemos a Bíblia e não entendemos o significado das palavras. Outras vezes, não entendemos o sentido dos fatos que acontecem conosco na vida. É um consolo saber que Maria teve o mesmo problema. E a gente logo pergunta: Como foi que ela fez para entender as palavras e gestos de Jesus? Pois sabendo como ela fez, teremos uma orientação para descobrir e entender melhor a Palavra de Deus na Bíblia e na vida. Vejamos:
20.   Lucas 2,51     Maria conserva todas as coisas no seu coração
                                 Meditar e ruminar os fatos da vida no nosso coração
Um vigésimo ponto é o retorno de Jesus para Nazaré, onde viveu dos 12 até aos 30 anos de idade. Dezoito anos! A Bíblia descreve este longo período da vida de Jesus com uma única frase: Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles. E sua mãe conservava no coração todas essas coisas. É conservando os fatos no coração que Maria procurava penetrar no sentido das palavras e dos gestos de Jesus. Lembrar! Re-cordar! Fazer passar tudo de novo pelo coração! Conforme o livro do Eclesiástico, o coração é de confiança. Ele diz: "Siga o conselho do seu próprio coração, porque mais do que este ninguém será fiel a você. O coração do homem frequentemente o avisa melhor do que sete sentinelas colocadas no alto da torre. Além disso tudo, peça ao Altíssimo que dirija seu comportamento conforme a verdade" (Eclo 37,13-15). Assim, fazia Maria para descobrir a Palavra de Deus nos fatos da vida. Assim ela deve ter ensinado a Jesus durante aqueles longos dezoito anos em que ele, "obediente", viveu com ela em Nazaré. Esta é a orientação que Maria nos dá e que acompanha o consolo que dela recebemos.
21.   Lucas 2,52     Maria ajuda Jesus a crescer, e Deus cresce nela
                               Fazer Jesus crescer em nós
Um vigésimo primeiro ponto é o crescimento de Jesus naqueles trinta anos em Nazaré. Diz a Bíblia: Jesus crescia em sabedoria, em tamanho e em graça, diante de Deus e dos homens. Esta frase deixa entrever algo do longo processo da encarnação da Palavra de Deus no meio de nós. Descreve os três aspectos do crescimento humano "em sabedoria, em tamanho e em graça”. Crescer em sabedoria é assimilar os conhecimentos da experiência humana diária, acumulada ao longo dos séculos nas tradições e costumes do povo. Isto, Jesus o aprendeu convivendo com o povo em Nazaré. Crescer em tamanho é nascer pequeno, crescer aos poucos e tornar-se adulto. É o processo de todo ser humano, com suas alegrias e tristezas, amores e raivas, descobertas e frustrações. Isto, Jesus o aprendeu convivendo com a família em casa, com Maria e José, com os avós, os parentes, os tios e tias, sobrinhos e sobrinhas. Crescer em graça é descobrir a presença de Deus na vida, a sua ação em tudo que acontece, o seu chamado ao longo dos anos da vida, a vocação, a semente de Deus na raiz do próprio ser. Isto, Jesus o aprendeu nas Sagradas Escrituras, na comunidade de fé, nas celebrações, na família, no silêncio, na contemplação da natureza, nas suas longas orações ao Pai, na luta de cada dia, nas contradições da vida e em tantas outras oportunidades. Muito importante foi a contribuição de Maria para este lento amadurecimento da Boa Nova de Deus em Jesus. Que Maria possa ajudar-nos também a nós a crescer em sabedoria, tamanho e graça, da mesma maneira como ela ajudou Jesus a crescer!
22.   Lucas 11,27-28  Um duplo elogio bem merecido
                                      Ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática
Um vigésimo segundo ponto é o duplo elogio que Maria recebe. O primeiro elogio é de uma mulher do povo, e o outro vem do próprio Jesus. A mulher elogiou a mãe de Jesus: "Feliz o ventre que te carregou e os seios que te amamentaram". Jesus acrescentou o outro elogio dizendo: "Feliz quem ouve a Palavra de Deus e a coloca em prática". Maria ouvia a Palavra de Deus e a colocava em prática: "Faça-se em mim segundo a tua palavra". Para Jesus, ouvir e praticar a Palavra é a fonte da felicidade. Era esta a felicidade que ele presenciava na vida de Maria, sua mãe, durante aqueles trinta anos em Nazaré: "Feliz é quem ouve a Palavra de Deus e a coloca em prática". No seu evangelho, Lucas apresenta Maria como modelo para a vida das comunidades. Através daquilo que ele informa sobre a mãe de Jesus, Lucas nos ensina como acolher a Palavra de Deus, como encarná-la, vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la crescer, deixar-se moldar por ela, mesmo quando não a entendemos ou quando ela nos faz sofrer. Esta é a chave que Lucas nos oferece para ler e entender tudo que ele escreve sobre Maria nos primeiros dois capítulos do seu evangelho (Lc 1 e 2).
No Evangelho de João a mãe de Jesus aparece duas vezes: nas bodas de Caná (Jo 2,1-5) e ao pé da Cruz (Jo 19,25-27). Para João, a Mãe de Jesus é um símbolo do AT. Ela aguarda a chegada do NT e contribui para que o Novo chegue. Como elo entre o que havia antes e o que virá depois, a Mãe de Jesus nos ajuda a fazer a transição do antigo para o novo e, assim, ela gera em nós a vida nova em Cristo.
23.   João 2,1-13    Maria avisa Jesus: "Eles não tem mais vinho!"
                                 Estar atento a Deus e aos problemas dos irmãos
Um vigésimo terceiro ponto sobre Maria é a sua presença e atuação naquela festa de casa­mento em Caná da Galiléia. O evangelho de João é diferente dos outros evangelhos. Mateus, Marcos e Lucas tiram fotografia. João tira fotografia e raio-X ao mesmo tempo. A fotografia mostra os fatos. O raio-x revela na chapa aquilo que a olho nu não se vê, mas que só a fé consegue enxergar. Ou seja, João acentua a dimensão escondida de fé que existe dentro dos fatos e das pessoas e ajuda a gente a penetrar mais profundamente no mistério da pessoa e da mensagem de Jesus. Para João, Maria representa o Antigo Testamento à espera da chegada do Novo Testamento. Maria contribui para que o Novo chegue. Ela é o elo entre o que havia antes e o que virá depois. Em Caná, ela percebe e reconhece os limites do Antigo Testamento: “Eles não tem mais vinho!” A economia da salvação do AT tinha esgotado todos os seus recursos e já não era capaz de realizar o grande sonho, alimentado pelos profetas, a saber: o sonho da festa do casamento entre Deus e seu povo (cf. Os 11,21; Is 54,4-8). Sem vinho a festa do casamento corria perigo de fracassar. Maria recorre a Jesus, pois era em Jesus que estava chegando a possibilidade para superar os limites da antiga aliança e realizar, finalmente, a grande promessa da união entre Deus e seu povo. É o que Maria faz até hoje para todos nós. 
24.   João 19,25-27 Maria em silêncio ao pé da cruz
                                 O discípulo amado recebe a mãe de Jesus em sua casa
Um vigésimo quarto ponto é a atitude de Maria ao pé da Cruz, em silêncio total, silêncio mais eloquente que mil palavras. Jesus viu sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: "Mulher, eis aí o seu filho". Depois disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe". E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa. No evangelho de João, a mãe de Jesus representa o Antigo Testamento, o povo de Deus que vinha caminhando desde os tempos de Abraão. O discípulo amado representa o Novo Testamento, a nova comunidade que nasceu e cresceu ao redor de Jesus. A pedido de Jesus, o Filho recebe a Mãe em sua casa. O Novo Testamento recebe o Antigo Testamento. Por isso, até hoje, temos o Antigo Testamento na nossa Bíblia. Antigo e Novo, os dois devem caminhar juntos. É como fé e vida: fazem uma unidade. O Novo não se entende sem o Antigo. Seria um prédio sem fundamento, uma pessoa sem memória. E o Antigo sem o Novo ficaria incompleto. Seria uma árvore sem fruto. Dizendo: "Mulher eis aí teu filho!"  e  "Filho, eis aí tua mãe!", Jesus realizou a transição do Antigo para o Novo. Cumpriu a sua missão e podia morrer: "Tudo está realizado!" E inclinando a cabeça, entregou o espírito (cf Jo 19,30).
O livro dos Atos traz uma única informação sobre a Mãe de Jesus: ela está junto com os apóstolos, aguardando a vinda do Espírito Santo. Aquilo que dissemos a respeito do Evangelho de Lucas vale também para os Atos.
25.   Atos 1,14     Junto com Maria rezar pela vinda do Espírito Santo
                                 Aguardar em atitude orante a chegada de Pentecostes
Um vigésimo quinto ponto é a presença da Mãe de Jesus junto aos apóstolos lá no cená­culo à espera da vinda do Espírito Santo. Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus. Aquele grupo reunido ao redor de Maria, é a comunidade original, da qual vai nascer a igreja no dia de Pentecostes. Lucas diz que todos eles tinham os mesmos sentimentos. O que une uma família não é todos terem o mesmo pensamento, mas sim todos terem o mesmo sentimento ao redor da mãe que une a todos. Depois daquela primeira vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, houve muitos outros Pentecostes, até hoje. Os Atos dos Apóstolos mencionam vários outros momentos, em que o Espírito Santo faz sentir a sua presença (cf. At 4,31; 13,2-3). E ele faz sentir a sua presença até hoje em acontecimentos grandes e pequenos: Concílio Vaticano II, encontros dos bispos, encontro das comunidades, reuniões do povo nos círculos bíblicos, testemunho de tantas pessoas em tantos lugares de tantas maneiras diferentes. O dom do Espírito santo não se compra nem se vende (cf. At 8,18-24). A única maneira de receber o dom do Espírito Santo é pela oração. Jesus disse: "Se vocês que são maus, sabem dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!" (Lc 11,13). Sob esta condição: ter os mesmos sentimentos, ser assíduos na oração, junto com Maria, mãe de Jesus. Sem comunidade em oração ao redor da Mãe Maria não haverá Pentecostes!
Gálatas e Apocalipse falam da Mãe de Jesus. Nenhum dos dois menciona o nome dela. A carta aos Gálatas traz um registro sóbrio dizendo que Jesus "nasceu de uma mulher, submetido à lei" (Gl 4,4). O Apocalipse fala da mulher em dores de parto, revestida do sol e da lua (Apc 12,1-2).
26.   Gálatas 4,4    Deus enviou o seu filho. Ele nasceu de uma mulher
                                 Quem se humilha será exaltado
Um vigésimo sexto ponto sobre Nossa Senhora é a afirmação do apóstolo Paulo na carta aos Gálatas: "Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher". Dizer que o filho de Deus nasceu de uma mulher é o mesmo que dizer que ele, mesmo sendo filho de Deus, é "igual a nós em tudo, menos no pecado" (Hb 4,15). Um cântico das comunidades dos primeiros cristãos acentua a mesma condição humana de Jesus: "Mesmo tendo a condição divina, ele não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se seme­lhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mes­mo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! (Flp 2,6-8). Ao ser exaltado por Deus, Jesus levou consigo todos nós adotando-nos como irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai. Dos textos do Novo Testamento que mencionam a mãe de Jesus, este da carta de Paulo aos Gálatas é de todos o mais antigo. Foi escrito em torno do ano 52. Os outros textos são posteriores. Paulo ainda não conhece o nome de mãe de Jesus. Isto significa que, inicialmente, não havia devoção mariana. A devoção cresceu aos poucos. Na medida em que o povo foi percebendo a importância de Jesus para a sua vida, foi crescendo também a simpatia, o amor e a devoção pela mãe que o gerou: Maria, a mãe de Jesus.
27.   Apocalipse 12,1-17   A mulher vitoriosa com a lua debaixo dos pés
                                      Maria, imagem dos que lutam em defesa da vida
Um vigésimo sétimo ponto é a grande visão do Apocalipse, na qual aparece uma mulher em dores de parto, pronta para dar à luz. Diante dela está um dragão imenso que quer devorar o filho logo que nascer. A mulher representa Maria, símbolo da humanidade que luta para fazer nascer a vida contra o dragão da maldade e da morte que quer destruí-la.  Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar à luz. Apareceu, então, outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças sete diademas. Com a cauda ele varria a terça parte das estrelas do céu, jogando-as sobre a terra. O Dragão colocou-se diante da Mulher que estava para dar à luz, pronto para lhe devorar o Filho, logo que ele nascesse. Nasceu o Filho da Mulher. Era menino homem. Nasceu para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e de seu trono. A Mulher fugiu para o deserto. Deus lhe tinha preparado aí um lugar onde fosse alimentada por mil, duzentos e sessenta dias. A vida, apesar de frágil, vence o poder da morte com a ajuda de Deus. A visão da Mulher e do Dragão oferece um resumo da história da humanidade, desde a criação até a época da redação do Apocalipse, quando as comunidades estavam sendo perseguidas pela política do império romano. No momento da Criação, Deus tinha pronunciado a sentença contra a serpente e anunciado a vitória da descendência da Mulher (Gn 3,15), símbolo da humanidade que luta em defesa da vida, símbolo de Maria, a mãe de Jesus. Esta vitória acabou de realizar-se pelo nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Encarando a história desta maneira, o povo das comunida­des perseguidas pelo império romano encontrava força e coragem para continuar na resistência e na luta em defesa da vida, sem desanimar.


Até aqui as informações do Novo Testamento sobre a Mãe de Jesus. Posteriormente, nos séculos seguintes, quando o povo começou a perceber melhor a importância de Maria, foi crescendo a devoção à Mãe de Jesus, e a tradição da Igreja foi completando as informações que faltavam.  Nenhum outro santo ou santa é tão conhecido, venerado e amado como Maria, a Mãe de Jesus. Aqui poderíamos dizer o que João disse a respeito de Jesus: "Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos" (João 21,25). Nem caberiam no mundo os livros que relatam os nomes, as festas, as devoções, as práticas, as homenagens que a Mãe de Jesus recebe do povo cristão até hoje. É sinal da nossa enorme gratidão por ser ela a mãe de Jesus que nos revelou o amor de Deus.