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A Palavra do Frei Petrônio

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

NATAL DO SENHOR: Homilia do Frei Petrônio.

Edith Stein e o segredo do Natal: Uma reflexão natalina da filósofa judia que se converteu ao cristianismo e morreu mártir

No recolhimento da abadia beneditina de Beuron, em 1932, três anos antes de entrar no carmelo, Edith Stein escreveu uma riquíssima meditação teológica sobre o Natal. O texto, pronunciado numa conferência da Associação de Acadêmicos Católicos de Ludwigshafen, na Renânia-Palatinado, Alemanha, foi publicado pela primeira vez em 1950, em Colônia.
Filósofa, judia, ateia, convertida, religiosa e mártir, essa mulher especial começa a meditação não com uma citação erudita, como quem se esforçasse por captar as atenções, e sim com uma reflexão que surpreende pela simplicidade; pela simplicidade de quem tem o olhar inclusivo da fenomenologia. Edith Stein destaca que o fascínio do Natal atinge a todos, mesmo os que pertencem a outras religiões e os não crentes, para quem a antiga história do Menino de Belém não diz nada.
Nas semanas anteriores ao dia de Natal, "uma cálida corrente de amor inunda toda a terra", porque "todos preparam a festa e tentam irradiar um raio de alegria". É sempre apreciável o gesto de procurar e dar alegria, de preparar e de preparar-se para uma festa: são gestos estruturalmente humanos. Para o cristão, porém, especialmente para os cristãos católicos, a estrela que leva até a manjedoura é diferente. O coração de quem vive com a Igreja, desde o repicar do Rorate Coeli até os cantos do Advento, começa a bater em uníssono com a sagrada liturgia que emoldura um momento único: o tempo de uma espera que é também ardente nostalgia. Uma espera-nostalgia que cresce durante o Advento e encontra satisfação somente quando os sinos da Missa do Galo anunciam que "o Verbo se fez carne". Com este anúncio, vemo-nos sempre diante do fascínio do Menino na manjedoura, que estende as mãos e parece já dizer, sorrindo, o que mais tarde os seus lábios de Mestre repetirão até o último suspiro na cruz: "Segue-me".
Atenção: a Luz da estrela e o encanto do Menino na manjedoura duram um piscar de olhos. "À luz descida do céu, opõe-se, ainda mais escura, a noite do pecado". Diante do Menino, ao mesmo tempo, os espíritos se dividem em "contra" e "a favor". Diante do "segue-me", quem não é por Ele é contra Ele. Não por acaso, no dia depois do Natal, enquanto ainda ecoam os sons festivos dos sinos da noite e das festivas liturgias natalinas, a Igreja se desveste do branco de festa e se reveste do vermelho do sangue, e, no quarto dia, já usa o roxo do luto para recordar o primeiro mártir, Estêvão, e as crianças inocentes que foram mortas por Herodes. O que isto significa? Onde foi parar o encanto do Menino na manjedoura? Onde está o bem-aventurado silêncio da noite santa?
O mistério da noite de Natal, escreve Edith Stein, carrega uma verdade grave e séria que o encanto da manjedoura não deve encobrir aos nossos olhos: "O mistério da encarnação e o mistério do mal estão intimamente unidos". A alegria do Menino e das figuras luminosas que se ajoelham em torno da manjedoura, das crianças inocentes, dos pastores esperançosos, dos reis humildes, dos mártires, dos discípulos, dos homens de boa vontade que seguem o chamado do Senhor, essa alegria, enfim, caminha de mãos dadas com a constatação de que nem todos os homens são de boa vontade; de que a paz não alcança "os filhos das trevas"; de que, para esses, o Príncipe da Paz "traz a espada"; de que, para esses, Ele é a "pedra de tropeço" que os derruba. Aquele Menino divide e separa, porque, enquanto o contemplamos, Ele nos impõe uma escolha: "Segue- me". Ele a impõe a nós também, hoje, e nos coloca diante da decisão entre a luz e a escuridão. As mãos do Menino "dão e exigem ao mesmo tempo".
Se colocarmos as nossas mãos nas do Menino Deus e respondermos "sim" ao seu "Segue-me", o que recebemos?
"Oh, maravilhoso intercâmbio! O Criador da humanidade nos dá, assumindo um corpo, a sua divindade!". Aqui reside a grandeza do mistério da Encarnação: quem escolhe a luz, quem fica do lado do Menino, "abre caminho para que a sua vida divina se derrame sobre nós" e traz "de forma invisível o Reino de Deus dentro de si". O Natal é o começo da aventura de deixar a graça "permear de vida divina toda a vida humana". Por que Deus se fez homem? Deus se tornou um filho do homem para que os homens se tornem filhos de Deus. Escreve Edith Stein: "Um de nós tinha rasgado o vínculo da filiação divina; um de nós tinha que reatá-lo e pagar pelo pecado. Mas nenhum descendente da antiga progênie, doente e bastarda, tinha condições de fazê-lo. Era preciso enxertar-lhe um ramo novo, saudável e nobre". Estas palavras de Edith Stein evocam, por analogia óbvia, uma passagem do "Cur Deus Homo", de Santo Anselmo, que contém a mesma lógica da redenção: "a restauração da natureza humana não teria acontecido se o homem não tivesse pagado a Deus o que lhe devia pelo pecado. Mas a dívida era tão grande que a satisfação, de obrigação apenas do homem, mas possível somente a Deus, precisava ser dada por um homem-Deus" (CDH 2,6).

Edith Stein tinha aprendido, na escola dos professores do Carmelo, Teresa de Ávila e João da Cruz em particular, que a graça se desenvolve em nós como uma semente que nos transforma, deixando-nos participar da própria vida de Deus. Por esta razão, a meditação seguinte insiste nos sinais fundamentais de uma vida humana unida a Deus.
Fonte: Por Claudia Mancini, em Libertà e Persona

VÍDEO SELF-25: Evangelho do Dia. (24 de dezembro-2015).

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 1067. Seu Tião e o Menino Deus.

Eu não acredito no Natal



Eu não acredito no Natal midiático e consumista.
Enquanto os pobres não podem falar na imprensa.
Eu não acredito no Natal dos templos televisivos.
Enquanto o Menino Deus é valorizado pelo ibope.
Eu não acredito no Natal doutrinal e conservador.
Enquanto os filhos de homossexuais são discriminados.
Eu não acredito no Natal da Disneylândia e de Hollywood.
Enquanto os pobres são vistos pelos parabrisas fechados.

Acredito, sim.
No Natal do Deus Pai e Mãe
No Natal da imprensa livre e comunitária
No Natal que ultrapassa templos e credos
No Natal silencioso das cracolândias e prisões
No Natal contemplativo dos anciãos
No Natal das comunidades indígenas e quilambolas
No Natal dos morros e das favelas.

Eu não acredito no Natal do Marketing
Onde as palavras são comidas e repartidas.
Enquanto a presença na família não acontece.
Enquanto os irmãos se odeiam.
Enquanto o divórcio divide.
Enquanto o ódio cresce nos corações.
Enquanto o amor não é amado.
Enquanto o Menino Deus é abandonado.

Eu acredito, sim.
No Natal da solidariedade e do compromisso.
No Natal do perdão e do companheirismo.
No Natal do abraço sincero e amigo.
No Natal do sorriso e da alegria.
No Natal da simplicidade e da cumplicidade.
No Natal do diálogo e das verdades.
No Natal do olhar e do caminhar.

Eu não acredito no Natal dos pisca-piscas.
Enquanto os mendigos continuam na escuridão dos viadutos.
Enquanto os jovens vivem a noite escura das drogas.
Enquanto as crianças não têm o pão na mesa.
Enquanto trabalhadores rurais estão à procura da terra prometida.
Enquanto a natureza é destruída, vendida e exportada.
Enquanto as águas dos nossos rios são poluídas.
Enquanto vidas são podadas e massacradas.

Eu acredito, sim.
No Natal que nos faz renascer e crescer.
No Natal que destrói o ódio e a violência.
No Natal que nos valoriza e nos faz crescer.
No Natal que destrói a inveja e a falsidade.
No Natal da democracia e da ética.
No Natal que liberta e nos ajuda a lutar.
No Natal sem meias verdades e sincero.

Eu não acredito no Natal da mesa farta.
Enquanto acumulamos bens e somos corruptos.
Enquanto maltratamos o nosso próximo com palavras.
Enquanto fechamos os olhos para a destruição da natureza.
Enquanto apoiamos políticos e projetos faraônicos.
Enquanto fechamos criticamos os refugiados.
Enquanto insistimos em votar e defender corruptos.
Enquanto temos medo de olhar para os crucificados.
    
Eu acredito, sim.
No Natal ecumênico sem fronteiras.
No Natal sem preconceito e sem cor.
No Natal sem raça e sem brilho.
No Natal sem neve e sem trenó.
No Natal que nos renova e nos faz renascer.
No Natal que reúne a família e nos faz irmãos.
No Natal sem embrulhos e sem disfarces.


Eu não acredito no Natal do Panetone e do WhatsApp
Acredito sim, no Natal da partilha e da compaixão.
Eu não acredito no Natal do peru e das bebidas.
Acredito sim, no Natal da solidariedade e dos pobres.
Eu não acredito no Natal da neve ou da roupa fina.
Acredito sim, no Natal dos Pastores e da manjedoura.
Eu não acredito no Natal do Papai Noel.
Acredito sim, no Natal de Maria e de José.
Que este seja de fato e de direito o nosso Natal!


* Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo e Jornalista. Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 24 de dezembro-2015.

domingo, 20 de dezembro de 2015

VÍDEO SELF-21: Evangelho do Dia. (20 de dezembro-2015).

HOMILIAS DO FREI PETRÔNIO: 4º Domingo do Advento.

4º DOMINGO DO ADVENTO: A Festa das Grávidas.

O Papa Francisco reconcilia o Padre Cícero com a Igreja católica

Durante o último fim de semana aconteceram mundo afora as celebrações de abertura da Porta Santa nas diferentes dioceses e prelazias católicas, nas quais se poderão ganhar as indulgências do Ano Jubilar da Misericórdia. Momentos de emoção se repetiram em diferentes lugares, mas poucos devem ter sido iguais aos da catedral de Nossa Senhora da Penha de Crato, onde, coincidindo com esta celebração, o bispo diocesano, dom Fernando Panico, anunciou que o Papa Francisco reconciliou com a Igreja católica o Padre Cícero Romão Batista, falecido em 1934 estando suspenso das ordens. A reportagem é de Luis Miguel Mondino e publicada por Religión Digital, 14-12-2015. A tradução é de André Langer.
O anúncio do bispo se deu após a entrada no templo da catedral da imagem do Padre Cícero, o que provocou o alvoroço de todos os presentes, reação que se viu repetida posteriormente, como mostram numerosas notícias em diferentes meios de comunicação e nas redes sociais.
Em uma mensagem assinada pelo cardeal Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e que recolhe o expresso desejo do Papa Francisco, enviada a dom Panico, reconhece-se que “a memória do Padre Cícero Romão Batista mantém, no conjunto de boa parte do catolicismo deste país, e, dessa forma, valoriza-a desde um ponto de vista eminentemente pastoral e religioso, como um possível instrumento de evangelização popular”.
Após tantos anos de distanciamento entre a Igreja católica e o santo do povo nordestino, o texto mostra que “sempre é possível, com a distância do tempo e a evolução das diferentes circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como padre, e, deixando de lado os pontos mais controversos, evidenciar aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é percebida atualmente pelos fiéis”.
A carta assinala que “é inegável que o Padre Cícero Romão Batista, ao longo de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”, chegando a afirmar que “é necessário, neste contexto, dirigir a nossa atenção ao Senhor e agradecer-lhe por todo o bem que Ele suscitou por meio do Padre Cícero”.
O Papa Francisco, como reconhece o bispo de Crato, apresenta o Padre Cícero como “exemplo de padre em uma Igreja em saída”. Para os tempos atuais e a nova Evangelização a data de 13 de dezembro ficará marcada na história de Juazeiro do Norte, a cidade que cresceu sob o influxo do Padre Cícero e que agora, como assinalava o vigário de pastoral da Diocese de Crato, Pe. Vileci Vidal, “é terra de romaria reconhecida pelo Papa Francisco”.
O que aconteceu com o Padre Cícero coloca de manifesto a importância da Igreja Povo, de tantos devotos que continuamente pediam em suas orações a reconciliação do Padre Cícero por parte da Igreja. Foi mais de um século de confrontos entre os defensores e os acusadores do padre mais famoso do Nordeste brasileiro. Este momento constitui um novo passo em um caminho que muitos em Juazeiro do Norte esperam que desemboque na canonização doPadre Cícero, que a Igreja católica reconheça oficialmente o que para muitos nordestinos é um fato, a santidade do Padim Ciço.
Vale como exemplo o que me dizia a mulher que me acolheu em sua casa em Juazeiro do Norte no últimoIntereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, realizado no ano passado: “sonho em ver um dia a Igreja doPadre Cícero construída”. Hoje, dona Vanda, assim como muitos brasileiros nordestinos, deve estar feliz, pois vê que seu sonho está um pouco mais próximo. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br