Total de visualizações de página

Seguidores

A Palavra do Frei Petrônio

Loading...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

FREI PETRÔNIO O Pensamento do dia (Quinta, 21) - Vídeo Dailymotion

FREI PETRÔNIO O Pensamento do dia (Quinta, 21) - Vídeo Dailymotion

FREI PETRÔNIO: O Pensamento do dia. (Quinta, 21).

A ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA CARMELITANA (2ª Parte)

Frei James Boyce, O.Carm.

A Espiritualidade litúrgica dos primeiros carmelitas

Oração individual e comunitária
Um aspecto singular da antiga liturgia carmelitana é que, enquanto a missa era celebrada em comum, a recitação do Ofício Divino era deixada ao eremita (indivíduo) como parte de sua contínua vida de oração diária. Assim, no que diz respeito aos salmos, a oração dos eremitas era individual em vez de comunitária, não sendo portanto, litúrgica no sentido próprio do termo. Como resultado, o que quer que fosse expresso comunitariamente deveria ser feito em relação à Missa, em vez do Ofício. As preocupações litúrgicas modernas, buscando expressar o espírito da comunidade que celebra, pode ou não ter sido conscientemente operante dentro da primeira comunidade de eremitas no Monte Carmelo. As antigas celebrações deles buscavam a integração das regras da Igreja oficial ao estilo de vida de um eremita assim como eles a compreendiam.

A Regra e a observância litúrgica no Monte Carmelo
A Regra dada aos primeiros eremitas por Alberto, patriarca de Jerusalém, entre os anos 1206-14[i]  mostra uma abundância de referências bíblicas que revelam nela um entusiasmo pela vida espiritual. A armadura de Cristo que deveria ser vestida para as batalhas espirituais, parte da vida diária do eremita, dava um sentido de prontidão ao modo de vida que eles adotaram e estabeleceu o ritmo para as observâncias específicas que caracterizariam sua vida.


A Regra e o modo de vida eremítico
A Regra destina-se claramente a pessoas que vivem uma vida de eremita. Não apenas na recitação pessoal dos salmos, mas também na aridez do lugar e na vida solitária dos primeiros carmelitas. Como a Regra nos fala alguma coisa sobre a observância litúrgica no Monte Carmelo, podemos presumir muito sobre a vida comunitária deles. Os primeiros carmelitas faziam parte de uma ampla tradição de vida eremítica na área do Monte Carmelo.[ii]  A rotina da vida de oração do eremita, esclarecida na regra que pediram e receberam do patriarca local, era parte desta ampla tradição na qual os carmelitas se inseriram. A sacralidade da área, santificada pela presença do profeta Elias e de seus seguidores,[iii]  não poderia ser descrita adequadamente em palavras. Apesar disso, fazia parte de sua experiência de oração.
Apesar de a Regra prescrever que a Missa diária fosse celebrada comunitariamente, nada de específico estava indicado quanto ao modo de sua apresentação. Na verdade, a prescrição de uma Missa diária para um grupo de eremitas era incomum. Ela nos diz que pelo menos um dos primeiros carmelitas era ordenado, já que não há menção sobre trazer um celebrante de fora da comunidade. Isso também indica que atribuíam grande importância à celebração Eucarística. Podemos seguramente presumir que os primeiros carmelitas seguiram o ritual do Santo Sepulcro no que diz respeito ao ano litúrgico e aos detalhes da observância diária.
Quanto ao Ofício Divino, a regra de Alberto indica apenas que os salmos devem ser recitados por aqueles que sabem ler e que uma quantidade de Pai Nossos deve ser rezada por aqueles que não sabem.[iv]  Esta era uma prática usada também por outras Ordens durante este período.[v]  A influência do uso da liturgia local na recitação dos salmos era mínima, já que não prevaleceu nenhuma tradição do ofício para os carmelitas neste tempo.


O Ritual do Santo Sepulcro
O rito local do Reino Latino deriva seu nome da igreja em Jerusalém onde se acreditava ser o local do túmulo do Senhor.[vi]  A descoberta do possível túmulo de Nosso Senhor iguala-se a outras descobertas tão antigas quanto a da Cruz Verdadeira por Santa Helena, no século quarto. O primeiro santuário cristão foi assim objeto de constantes batalhas para possuí-lo e gozava de um prestígio inigualável na Cristandade. Devemos lembrar que Luís IX construiu a Santa Capela de Paris para guardar as relíquias da Coroa de Espinhos.[vii]  Isto nos dá uma idéia do significado para a cristandade medieval dos artefatos relacionados ao Senhor. A Igreja do Santo Sepulcro precisa ser vista dentro deste contexto para avaliarmos seu significado litúrgico. O próprio ritual é uma adaptação de ritos franceses, pois foram os cruzados franceses que se estabeleceram inicialmente na Terra Santa. São ritos com forte influência agostiniana, já que os cônegos da igreja adotaram a regra de Santo Agostinho em 1114.[viii]  Uma característica litúrgica deste rito é a festa da Celebração da Ressurreição, celebrada no último Domingo do ano litúrgico.[ix]  Uma série de festas particulares, relacionadas a personagens e eventos da Terra Santa incluindo, por exemplo, a entrada de Noé na arca, também caracterizavam esta liturgia.[x]  Algumas destas festas continuaram na liturgia carmelitana.
Enquanto os carmelitas viveram no Monte Carmelo, a celebração do Rito do Santo Sepulcro era simplesmente o costume da região e, portanto, não era extraordinário. No entanto, a preservação deste rito, ou de aspectos dele, uma vez que os carmelitas não moravam mais na Palestina, distinguia-os de seus vizinhos na Europa ocidental.

A mendicância da Ordem
O longo e árduo processo para obter a aprovação oficial para a Ordem foi bem documentado.[xi]  Já que o Quarto Concílio Lateranense de 1215 proibiu a proliferação de regras ou de modos de vida,[xii]  os carmelitas tiveram que provar que se estabeleceram antes do Concílio e, por isso, deveriam ser considerados isentos. Esta condição foi reconhecida por Honório III em 30 de janeiro de 1226 nos seguintes termos:

Para que vós e vossos sucessores, até onde forem capazes com a ajuda de Deus, possam observar no futuro a regra de vida regular escrita pelo falecido Patriarca de Jerusalém, que dizeis terem recebido humildemente antes do Concílio Geral, a impomos sobre vós para a remissão de vossos pecados.[xiii]

Vários outros documentos papais reconheceram os carmelitas como uma Ordem religiosa, preparando o caminho para a carta apostólica Quae Honorem Conditoris de Inocêncio IV em 01 de outubro de 1247, que continha o texto atenuado da regra.[xiv]  As migrações do Monte Carmelo para o ocidente começaram por volta de 1238,[xv]  de modo que a regra revisada de Inocêncio era dirigida agora para uma comunidade internacional de carmelitas e não mais para um pequeno grupo de eremitas vivendo num determinado lugar. Uma das principais distinções com a Regra de Inocêncio está nos nn. 12-13, que diz respeito à recitação dos salmos. Enquanto a Regra de Alberto prescreveu que
Os que conhecem as letras e sabem ler os salmos, devem recitá-los, nas várias horas, conforme estabeleceram os Santos Padres e segundo o costume aprovado da Igreja...[xvi]
A versão de Inocêncio diz
Os que sabem dizer as horas canônicas com os clérigos devem recitá-las conforme estabeleceram os Santos Padres e segundo o costume aprovado da Igreja.[xvii]
A recitação das horas canônicas é normalmente um costume do clero e a injunção aqui é que os carmelitas, que não são clérigos mas sabem como recitar as horas canônicas, deveriam unir-se ao clero para recitá-las como a Igreja pede. Não há referência na Regra de Alberto a qualquer carmelita ordenado, apesar de alguns já terem recebido as ordens. No processo de aprovação pela Santa Sé, os carmelitas assumiram o modo de vida mendicante, incluindo a recitação do ofício em comum, pelo menos por aqueles que estavam aptos a fazê-lo. O oposto ao que era realizado em particular no Monte Carmelo.
Por um lado, esta revisão da Regra por Inocêncio significa que os ideais eremíticos estavam diminuindo diante das novas circunstâncias e pela necessidade de harmonizar com as estruturas eclesiásticas estabelecidas. Por outro lado, a recitação do ofício em comum significava agora que os carmelitas podiam dar expressão litúrgica à sua identidade religiosa de um modo que era impossível anteriormente.

A rápida expansão da Ordem
Junto com a mudança de identidade, passando de uma Ordem eremítica para uma mendicante, veio a mudança na localização, passando de uma pequena área do Reino Latino para um grupo mais amplo vivendo tanto no Reino Latino (pelo menos até 1291), como em muitas partes da Europa ocidental. As Constituições do Capítulo Geral de Londres de 1281 registra a Terra Santa como a primeira de dez províncias formando agora a Ordem. As outras eram Sicília, Inglaterra, Provença, Toscana, Lombardia, França, Alemanha, Aquitânia e Espanha.[xviii]  Esta experiência de internacionalidade era apenas uma expansão geográfica, mas afetou toda a auto-compreensão da Ordem.

O desenvolvimento da liturgia carmelitana medieval
Virtualmente todos os manuscritos litúrgicos carmelitanos referem-se ao Rito do Santo Sepulcro. O que foi simplesmente assumido no próprio Monte Carmelo agora tinha que ser definido e explicado, já que este rito não era conhecido fora do Reino Latino. Isto deve ter dado aos carmelitas europeus uma sensação de estarem separados das outras ordens, já que sua liturgia combinava tanto influências orientais quanto ocidentais. Apesar de o próprio rito do Santo Sepulcro basear-se em ritos franceses, alguns de seus acréscimos e festas singulares o distinguia das tradições litúrgicas ocidentais. O simples fato dos carmelitas estarem intimamente associados a este rito separava-os de seus contemporâneos.
Desde a revisão da Regra por Inocêncio, entre 1247 até 1291, quando os últimos carmelitas foram forçados a abandonar a Terra Santa,[xix]  havia a mesma observância litúrgica, tanto no Reino Latino quanto na Europa ocidental. Este vínculo unindo os carmelitas na Terra Santa a seus irmãos na Europa ocidental continuou por aproximadamente meio século.
Ainda que pouco se saiba sobre a liturgia da Ordem durante o importante século XIII, novas evidências sugerem que o Rito Carmelitano desenvolveu-se muito a partir daquele do Santo Sepulcro.[xx]  E como o ritual carmelitano tomou emprestado muito material da tradição dominicana,[xxi] seu desenvolvimento foi uniforme. Desta forma, a ordem das orações, dos salmos, das antífonas e de outros elementos da liturgia foi mantida intacta para toda a Ordem, de modo que o frade no Monte Carmelo dizia as mesmas orações, e do mesmo modo, que seu companheiro europeu.

As Rubricas de Sibert de Beka
Com a publicação em 1312, pelo Capítulo Geral de Londres, das Rubricas compiladas pelo frade carmelitano Sibert de Beka[xxii]  surgiu uma liturgia carmelitana padronizada que durou toda a Idade Média. As rubricas estabeleceram o texto inicial de cada oração, antífona, responsório, salmo e leitura a serem usados em cada hora do ofício e em cada Missa diária. Assim, ele estabeleceu uma uniformidade litúrgica absoluta para toda a Ordem.[xxiii]




[i]  Isto é, algum tempo durante o patriarcado de Alberto, que tornou-se patriarca em 1206 e foi morto em 1214; cf. Clarke e Edwards (1973), pp. 12-13.
[ii]  Assim, Friedman (1979) usa a título Eremitas Latinos para distingui-los dos eremitas de outras tradições que, em certa época, habitaram o local com o propósito de oração e solidão.
[iii]  A presença de Elias no Monte Carmelo foi o que atraiu os eremitas ao local para imitá-lo, de acordo com Jacques de Vitry; Clarke e Edwards (1973), p. 12.
[iv]  No Capítulo 9; cf. Clarke e Edwards (1973), pp. 82-83.
[v]  Por exemplo, os cistercienses também prescreveram a recitação do Pai Nosso no lugar dos salmos; cf. Lekai (1953), p. 231.
[vi]  Para um estudo da história da Igreja do Santo Sepulcro, cf. Couasnon (1974).
[vii]  A Sainte Chapelle foi construída para guardar a relíquia da Santa Cruz em 1248; cf. Mead, NCE.
[viii]  Buchtal (1957), p. xxx.
[ix]  Esta festa é descrita em detalhes em Zimmerman (1910), pp. 37-39.
[x]  Cf. Buchtal (1957) para as festas no rito do Santo Sepulcro e Zimmerman (1910) para uma comparação de tais festas com o rito carmelitano
[xi]  Cf. Cicconnetti (1973) e Clarke e Edwards (1973).
[xii]  Este decreto Ne nimia religionum está publicado no Conciliorum Oecumenicorum Decreta (1962), p. 218.
[xiii]  Clarke e Edwards (1973), p. 19.
[xiv]  A versão desta carta dos Arquivos do Vaticano, Reg. Vat., no. 21, folhas 465v-466 foi publicada em Laurent (1948), 5-16.
[xv]  Clarke e Edwards (1973, p. 21) citam 1238 como o começo desta migração para o Ocidente, baseados na evidência do dominicano do século XIII, Vincent de Beauvais; Keith Egan cita o franciscano Thomas de Eccleston, que afirma que Richard De Grey de Codnor trouxe os carmelitas para a Inglaterra quanto voltava de sua cruzada em 1242; cf. Egan (1972), 78.
[xvi]  Clarke e Edwards (1973), p. 83.
[xvii]  Clarke e Edwards (1973), p. 83.
[xviii]  Saggi, (1950), 244.
[xix]  Smet (1975), Vol. I, p. 30.
[xx]  Isto anteriormente foi suposto mas não documentado por uma comparação detalhada entre os breviários do Santo Sepulcro e dos carmelitas. Um manuscrito (do Abade Victor Leroquais em seu catálogo de breviários de manuscritos nas bibliotecas francesas) que pode ter pertencido aos templários pode, de fato, ser um único elo, ou um entre vários elos, entre a liturgia do Santo Sepulcro e a liturgia dos carmelitas. Meu artigo, A Busca pelo antigo Breviário Carmelitano: Um Manuscrito Templário Relido, na Revista de Musicologia tratará desta questão em detalhes.
[xxi]  Bonniwell (1945) discute a influência litúrgica dominicana sobre os carmelitas; isto não é uma surpresa, ao considerarmos que entre aqueles encarregados de revisar a Regra Carmelitana incluía os dominicanos.
[xxii]  Sibert de Beka nasceu entre 1260 e 1270. Entrou para o Carmelo de Colônia em 1280. Ele foi prior desta casa e, mais tarde, provincial da Baixa Alemanha e mestre dos alunos de Paris. Morreu provavelmente em 29 de dezembro de 1332 em Colônia e está sepultado na igreja carmelitana desta cidade. Cf. Xiberta (1931), pp. 142ss.
[xxiii]  A edição crítica do Ordinário de Sibert é encontrada em Zimmerman (1910).

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

FREI PETRÔNIO: O Pensamento do dia. (Quinta, 20).

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 969. A Seca de Itu.

A ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA CARMELITANA (1ª Parte)

Frei James Boyce, O.Carm.

Introdução

A riqueza da tradição litúrgica carmelitana está estritamente ligada à interessante história da própria Ordem. O objetivo deste livreto é discutir a singularidade da liturgia carmelitana, examinar suas festas significativas ao longo da história da Ordem e sugerir como a liturgia carmelitana contemporânea poderia ser mais fiel à sua tradição histórica.

Esquema do livreto
A tradição litúrgica carmelitana divide-se convenientemente em quatro seções principais:

1-A atividade litúrgica dos primeiros eremitas no Monte Carmelo;
2-A liturgia medieval dos carmelitas como mendicantes, do começo do século XIV ao Concílio de Trento;
3-A liturgia Tridentina do século XVI até o século XX;
4-A liturgia carmelitana moderna como uma resposta ao Vaticano II.
Ainda que algumas pessoas afirmem que um ou outro período aponta para um seguimento mais verdadeiro do carisma carmelitano, este livreto espera mostrar que os quatro períodos demonstram um esforço genuíno para expressar a identidade carmelitana num estilo litúrgico apropriado.

A relação entre liturgia e espiritualidade
Muito já se discutiu sobre a interação entre liturgia e espiritualidade[i] bem como as distinções entre as diversas abordagens que ordens religiosas deram à sua própria definição de liturgia. Liturgia diz respeito à oração pública da comunidade orante e não à oração particular de seus membros.[ii] Mas, ao mesmo tempo, as festas celebradas por uma determinada comunidade orante revelam os valores partilhados e os modelos que abraçaram, de modo que a liturgia também revela a vida espiritual dos participantes. No caso dos carmelitas, o desenvolvimento de sua tradição litúrgica permitiu que eles venerassem seus exemplos de vida e honrassem os membros que alcançaram a santidade.

O caráter evolutivo da espiritualidade litúrgica carmelitana
A espiritualidade litúrgica carmelitana evoluiu mais do que a liturgia da maioria das Ordens por duas razões:
Eles não tinham um fundador específico cujas virtudes pudessem ser facilmente imitadas ou que tenha dado opiniões específicas sobre a liturgia;
sua auto-compreensão mudou radicalmente quando abandonaram o estilo de vida eremítico num único local, o Monte Carmelo, tornando-se uma Ordem mendicante internacional.
A velocidade com que esta mudança radical se realizou, uns cinquenta anos desde o recebimento de uma Regra, complicou a compreensão de sua identidade e a maneira de expressá-la liturgicamente.
Os carmelitas são designados pelo seu lugar de origem, em vez de serem identificados pelo fundador. O local do Monte Carmelo, além da tradição de santidade, associados a tantos grupos diferentes que lá viveram, modelou a auto- compreensão carmelitana.[iii]  Os nomes dos membros fundadores nunca foram registrados, exceto B e seus seguidores, a quem a Regra foi endereçada.[iv]  Isto teve o efeito de libertar os carmelitas para formularem e determinarem seu próprio impulso espiritual, em vez de se ajustarem à direção de um fundador. Na ausência de um fundador, cuja memória e desejos precisariam ser honrados depois de sua morte, os carmelitas tiveram a liberdade de se adaptar continuamente às exigências da Igreja oficial, enquanto aprofundavam a consciência de sua identidade litúrgica e espiritual.
Isto justifica a ausência de qualquer festa específica para um fundador canonizado, equivalente a São Domingos ou São Francisco, em sua liturgia medieval. Sua auto-definição foi um processo lento e evolutivo, de modo que as festas especificamente carmelitanas como a dos santos Elias e Eliseu, ou mesmo a de Nossa Senhora do Monte Carmelo demoraram para ser formuladas e, geralmente, não aparecem nos ofícios litúrgicos carmelitanos medievais.
As rápidas mudanças que ocorreram desde o começo da Ordem, quando eles mudaram de um estilo de vida eremítico para o mendicante, estimulou-os a refletir constantemente sobre suas origens, adaptando sua vida litúrgica e espiritual às necessidades de uma Igreja em transformação. Em vez de retornarem a costumes mais antigos, tais como os do Monte Carmelo, os carmelitas tiveram que se adaptar a uma nova situação, preservando neste processo a essência de sua auto- compreensão.



[i]  Madigan (1988) discute esta questão.
[ii]  Livros padronizados sobre liturgia incluem Adam (1985 e 1981), Talley (1986), Vogel (1986), Wegman (1985), Harper (1991) e Jungmann (1959).
[iii]  Friedman (1979) discute os vários grupos que se estabeleceram no Monte Carmelo em diferentes épocas.
[iv]  Clarke e Edwards (1973), p. 12.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ALGUNS TRAÇOS DA VIDA CRISTÃ QUE SE CONSTITUEM RELEVANTES NA ESPIRITUALIDADE CARMELITANA.


A identidade carmelita de dimensão contemplativa. As atitudes:
1-ZELO ARDENTE
2-APAIXONADO POR DEUS
3-ALEGRIA
4-NECESSIDADE NÃO TEM LEI
5-FRATERNIDADE ACOLHEDORA
6-TRANQÜILIDADE ( DEUS É O FUNDAMENTO DA VIDA )
7-EQUILÍBRIO EM TODOS OS NÍVEIS
8-VIDA ORANTE
9-INQUIETO ( INCONFORMADO COM O QUE AÍ ESTÁ. OBRA INACABADA ... )
10-APOSTOLADO
11-MODELOS ( MARIA, ELIAS, SÃO PAULO, COMUNIDADE PRIMITIVA )
12-DISPONIBILIDADE
13-PALAVRA DE DEUS COMO ALICERCE DA VIDA.
14-SILÊNCIO PROFÉTICO
15-COMUNHÃO COM A IGREJA
16-SIMPLICIDADE NO VIVER E NA LINGUAGEM.

Em seguida fizemos o enxugamento destas atitudes. Cada um escolheu 3 atitudes   constitutivas da  identidade contemplativa carmelita. Sintetizando, as mais votadas foram:
1-ZELO ARDENTE
SEDENTOS JUNTO À FONTE, JESUS, PARA MANTER-SE VIGILANTES, ANIMADOS E ATIVOS COMO: MARIA, ELIAS, SÃO PAULO, COMUNIDADE PRIMITIVA, SANTOS E SANTAS DO CARMELO para não ter medo do novo.

2-PALAVRA DE DEUS COMO ALICERCE DA VIDA
“ FAZER TUDO NA PALAVRA DE DEUS “

3-VIDA ORANTE
VIVER NA PRESENÇA DE DEUS  PARA TER O OLHAR E O CORAÇÃO DE DEUS e ser uma presença libertadora.
OLHAR ALÉM DAS APARÊNCIAS PARA NÃO SE CONFORMAR COM O “ QUE AÍ ESTÁ “. MANTER-SE INQÜIETO para perceber o clamor do povo.
CONSTRUIR O HOMEM E A MULHER NOVOS: OLHOS E CORAÇÃO para sair do conformismo.

4-FRATERNIDADE ACOLHEDORA
ATENTO E PREOCUPADO COM OS OUTROS PARA “ESCUTAR“ OS MAIS EXCLUÍDOS E NECESSITADOS:  UM SER  FRATERNO E SOLIDÁRIO

5-COMUNHÃO COM A IGREJA
“ NO CORAÇÃO DA IGREJA SEREI O AMOR “. 
“ MORRO FILHA DA IGREJA “

Um grande desafio para viver este ideal é sair do despreparo e das limitações através de uma formação que busca clarear e interpretar a organização da vida e dar respostas transformadoras e criativas para que: “ todos tenham vida e vida em abundância “
Tentando, por enquanto, concluir:

CONTEMPLATIVO: aquele, aquela que se exercita na procura de viver na Presença de Deus, cuja Presença é encontrada em toda parte e de modo especial na Palavra e na Eucaristia. Deixar-se tocar por Ele, mantendo-se continuamente em prontidão, atento, inquieto  para chegar a “ escuta-Lo “ na vida quotidiana.
Escutando Deus na vida o carmelita, a carmelita saberá assumir decisões adequadas quer individualmente, quer comunitariamente para tornar a vida mais feliz para todos.
É claro que não se pretendeu esgotar a reflexão.
dada a riqueza da espiritualidade carmelita que é eminentemente eclesial, portanto, muito abrangente, densa. Fica o desafio: continuar a reflexão para irmos completando o quadro de referência da nossa identidade.


JABOTICABAL, SÃO PAULO.
Irmãs dos Mosteiro “Flos Carmeli“

E Frei Victor Kruger, O. Carm.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 967. O Deus “Harry Potter”.