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A Palavra do Frei Petrônio

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sábado, 8 de agosto de 2015

Ser teimoso é bom ou ruim?

Mauricio Zágari

Ao longo de toda a minha vida, sempre ouvi pessoas próximas dizerem a mesma coisa sobre mim: eu sou muito teimoso. Minha mãe dizia isso, minha esposa diz isso. Então creio que não tem para onde fugir: eu sou teimoso. Esse adjetivo sempre me perseguiu, como um mosquito que teima em ficar zunindo perto da nossa orelha quando queremos dormir: incomoda e parece que nada faz ir embora. Recentemente resolvi, então, pensar sobre o assunto, porque, se é um defeito, preciso fazer algo para mudar. Minhas reflexões me levaram a perceber duas coisas: primeiro, precisamos definir o que exatamente significa ser teimoso. Segundo, se isso é algo realmente ruim ou se pode ser visto como uma qualidade. Você é teimoso? Então me acompanhe nesse raciocínio, que pode lhe ser útil.
A Bíblia só menciona a palavra “teimosia” uma única vez, num contexto não muito agradável: “O meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!” (Sl 81.11-13). Nessa passagem fica claro que a teimosia é algo ruim, sim, mas quando ela significa a persistência em contrariar a vontade de Deus. Logo, se você é teimoso por saber que as Escrituras estipulam algo e você insiste em fazer diferente… cuide-se.
Você sabe que não deve namorar em jugo desigual mas insiste nesse namoro? Seu trabalho te leva a praticar pequenas ações ilegais? Você dá propina a fiscais, presta serviços sem emitir nota fiscal ou faz caixa dois? Você é arrogante e teima que não tem nada de errado com isso? Você sabe que não deve devolver mal com mal, mas não consegue deixar de dar aquelas alfinetadas? Você persiste em “defender a fé” com agressividade, porque, afinal, aquele pastor que você admira também é agressivo com “os ímpios”? Você vive fazendo o contrário daquilo que seus pais determinam? Você pratica regularmente atividades sexuais ilícitas e não se interessa em buscar ajuda? Enfim, você teima em fazer algo ou em ter um tipo de comportamento que não se encaixa no padrão bíblico?
Então a resposta de Deus para você é: “Ah! Se o meu povo me escutasse…”.
A Bíblia usa com mais frequência um sinônimo de teimosia: “obstinação”. Vemos povos e pessoas serem chamadas nas Escrituras de “obstinadas”, como em “Disse o SENHOR a Moisés: O coração de Faraó está obstinado; recusa deixar ir o povo” (Êx 7.14) e “Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça” (Is 46.12). Esses casos sempre apontam para pessoas que são criticados por Deus porque a sua teimosia é em fazer justamente o contrário da vontade divina.
A coisa ficou feia, não é? Bem, não necessariamente. A boa notícia para os teimosos é que a teimosia pode ser algo positivo. Quando? Justamente quando ela nos leva a fincar o pé naquilo que está de acordo com a vontade divina.
teimoso Assim: você é teimoso porque persiste em ser cristão em meio a uma família que vive reclamando porque você vai à igreja? Você insiste em fazer o que é certo no trabalho, embora todos os colegas do seu setor tenham práticas erradas? Você é tratado mal por colegas de escola porque se recusa a dar cola? Você não entra em debates e discussões teológicas secundárias nas redes sociais porque prefere pacificar do que polemizar, embora muitos insistam que você se pronuncie? Você se recusa a revidar, por mais que te agridam? Você teima em ser bom, justo e fiel; embora viva numa sociedade que prega que vale tudo para se dar bem? Você se submete ao marido em amor, embora as suas amigas feministas achem isso o fim da picada? Você ama a sua esposa como Cristo amou a Igreja, embora os seus amigos fiquem fazendo piada e te chamando de “banana”? Enfim, por mais que ponham muita pressão, você é teimoso o suficiente para fazer o que é biblicamente correto? Então, parabéns. O que Deus tem a dizer a você é: “Ah! Que bom que o meu povo me escuta…”.
No que se refere a ser teimoso para fazer o que é certo diante de Deus, o que muitos chamam de “teimosia”, eu chamo de “ter convicções firmes”. É não negociar aquilo que é inegociável. É ser uma casa construída sobre a rocha, que não barganha suas crenças e seus valores.
Você é considerada uma pessoa teimosa? Então está na hora de refletir, com total e absoluta honestidade e transparência, sobre para onde sua teimosia está apontando: em direção à vontade de Deus ou na direção contrária? A sua teimosia faz de você uma pessoa melhor ou alguém intratável? Pense, à luz da Bíblia, e, a partir das suas conclusões, tome a atitude certa. Se for preciso mudar, faça isso o mais rápido possível. Se for para permanecer fiel à verdade, não a negocie. Como distinguir? Na dúvida, procure bons conselheiros, que te vejam de fora e possam dar um parecer honesto e sincero.
Afinal, ser fiel até a morte é ser teimoso até a morte. O que o espera como resultado dessa teimosia? Nada menos que a coroa da vida. Paz a todos vocês que estão em Cristo.

19º Domingo do Tempo Comum: Atração por Jesus. (Dia de Edith Stein e dos Pais)

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Joao 6, 41-51 que corresponde ao 19º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto
O evangelista João repete uma e outra vez expressões e imagens de grande força para que as comunidades cristãs lembrem sempre que hão de acercar-se de Jesus para descobrir nele uma fonte de vida nova. Um princípio vital que não é comparável com nada que tenha podido conhecer anteriormente.
Jesus é «pão descido do céu». Não tem de ser confundido com qualquer fonte de vida. Em Jesus Cristo podemos alimentar-nos de uma força, uma luz, uma esperança, um alento vital... que vem do mistério mesmo de Deus, o Criador da vida. Jesus é «o pão da vida».
Por isso, precisamente, não é possível encontrar-se com ele de qualquer maneira. Temos de ir ao mais fundo de nós mesmos, abrirmos a Deus e «escutar o que nos diz o Pai». Ninguém pode sentir verdadeira atração por Jesus, «se não o atrai o Pai que O há enviado».
O mais atrativo de Jesus é a Sua capacidade de dar vida. O que acredita em Jesus Cristo e sabe entrar em contato com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, uma vida que, de alguma maneira, pertence já ao mundo de Deus. João atreve-se a dizer que «o que come deste pão, viverá para sempre».
Se nas nossas comunidades cristãs não nos alimentamos do contato com Jesus, seguiremos ignorando o mais essencial e decisivo do cristianismo. Para isso, nada há pastoralmente mais urgente que cuidar bem da nossa relação com Jesus, o Cristo.
Se na Igreja não nos sentimos atraídos por esse Deus encarnado num homem tão humano, próximo e cordial, ninguém nos tirará do estado de mediocridade em que vivemos sumidos habitualmente. Ninguém nos estimulará para ir mais longe que o estabelecido pelas nossas instituições. Ninguém nos alentará para ir mais adiante que o que nos marcam as nossas tradições.
Se Jesus não nos alimenta com o Seu Espírito de criatividade, seguiremos presos ao passado, vivendo a nossa religião desde formas, concepções e sensibilidades nascidas e desenvolvidas noutras épocas e para outros tempos que não são os nossos. Mas, então, Jesus não poderá contar com a nossa cooperação para gerar e alimentar a fé no coração dos homens e mulheres de hoje.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OLHAR QUE NÃO PASSA: Frei Petrônio de Miranda

OLHAR QUE NÃO PASSA: Frei Petrônio de Miranda

O CRISTOCENTRIMO DO CARISMA CARMELITANO (1ª Parte)

Frei Donald Buggert, O. Carm.

A Cristocentricidade da Regra de Alberto2
A Regra de Alberto é notória por sua concisão. Contudo, contém doze referências diretas e, pelo menos, oito referências indiretas a Cristo. Foram propostas diversas teorias com respeito ao “centro” ou “coração” da Regra, como por exemplo, sua dimensão eremítico-contemplativa ou sua dimensão comunitária.3  Sem querer entrar nesse debate, gostaria de propor que antes de qualquer outra interpretação, o coração da Regra está na centralidade de Cristo e no discipulado como continuação de seu trabalho.4
Respondendo ao pedido dos eremitas do Carmelo por uma fórmula de vida, Alberto, no n.1, como poder-se-ia esperar, estabelece o projeto fundamental de cada carmelita, ou seja, “caminhar nas pegadas de Cristo”.5  Então, ele traça na Regra a maneira específica pela qual esses eremitas deveriam viver a vocação cristã universal de “uma vida de compromisso com Jesus Cristo”.6  Certamente esse projeto cristocêntrico não era a única característica dos primeiros carmelitas ou dos seus seguidores. Contudo, é este projeto que define a modalidade específica da vida cristã compreendida na Regra. Em todos os aspectos de suas vidas, os eremitas devem in obsequio Jesu Christi vivere. Este obsequium torna-se a “norma suprema e fundamental” deles.7 Assim, concordo plenamente com a posição de Valabek:
Santo Alberto percebe imediatamente o essencial: em primeiro lugar, os religiosos não são convidados a um modo de vida bem traçado, planejado, mas são compelidos a uma pessoa: Jesus Cristo. De fato, a Regra está impregnada da presença da pessoa de Cristo tanto na palavra quanto no sacramento.8
Seja o que for que os carmelitas possam ou não ser, eles devem em primeiro lugar ser cristãos, discípulos de Cristo. Portanto, seguir as pegadas de Cristo torna-se a hermenêutica fundamental da Regra e não apenas um complemento eventual. Como hermenêutica ela define não apenas toda a Regra, mas também fornece sua chave interpretativa. Além disso, precisamente como chave interpretativa, seguir no caminho de Cristo deve atuar junto a uma hermenêutica de dúvida, isto é, uma hermenêutica que pede discernimento e corrige toda interpretação, passada e presente, da Regra e oferece uma direção para sua contínua rearticulação.
Afirmei que o projeto fundamental e, portanto, a hermenêutica da Regra de Alberto, está expressa no próprio n.1, isto é, caminhar nas pegadas de Jesus Cristo (in obsequio Jesu Christi vivere). Como hermenêutica fundamental, poder-se-ia pressupor que esse projeto cristocêntrico define a totalidade da Regra. E realmente o faz. Para apreciar a cristocentricidade da Regra deve-se em primeiro lugar recuar para além do texto, ou seja, para seu autor e para o seu contexto eclesial.
Antes da nomeação de Alberto como bispo de Bobbio em 1184, ele foi um Cônego Regular de Santa Cruz, em Mortara. Sua formação como cônego impunha a leitura constante da Sagrada Escritura e a devoção à cruz de Cristo. Além disso, como Patriarca de Jerusalém e Legado Papal para a Terra Santa, o patrimônio de Cristo, ele tinha um compromisso especial com o obsequium da cruz de Cristo.9 Portanto, dentro deste contexto, a cristocentricidade da Regra não é nenhuma surpresa.
Quanto ao contexto eclesial, no final do século XII surgiram na Europa novos movimentos espirituais que, criticando a opulência do clero e dos monges, voltaram-se para as escrituras e, por isso, à centralidade na imitação de Cristo e no modo apostólico de vida da comunidade de Jerusalém. Um exemplo desse despertar evangélico são os movimentos de leigos, eremitas peregrinos dedicados à penitência, à pobreza evangélica e à visita aos lugares sagrados.10
Além disso, esse mesmo período testemunhou as Cruzadas, que se incumbia da tarefa de reconquistar a “Terra Santa”. Contudo, depois da derrota de Hattin em 1187 e com a eleição de Inocêncio III em 1189, a razão teológica para visitar a “Terra do Senhor” prevaleceu sobre todos os outros motivos (ex.: militar e comercial).11  De todos os lugares que os eremitas peregrinos da Europa visitavam, a “Terra de Cristo” tornou-se a mais popular. Lá eles podiam literalmente caminhar “nas pegadas de Jesus” e imitar seu sofrimento e morte através da penitência.12  “Pela renúncia de todos os bens terrenos numa pobreza voluntária, eles buscavam renovar a vida cristã no seguimento de Cristo através da imitação do ‘modo de vida’ dos Apóstolos”.13  Além disso, como observa Cicconetti,
            O fato de estar na Terra Santa compreendia em si uma decisão de lutar por Jesus Cristo, não necessariamente no sentido militar, mas no serviço pessoal, na guerra espiritual. De fato, a Terra Santa era considerada o “patrimônio de Jesus Cristo”, sua herança ou reino. Quem lá vivesse era por título especial, seu feudatário, um vassalo no seguimento de Cristo, a quem devia fidelidade e serviço fiel. 14 (A ênfase é minha)
            Um desses grupos de peregrinos evangélicos europeus, eremitas leigos que voltaram à terra de Cristo e à vida apostólica primitiva para ajudar a reivindicar o patrimônio de Cristo, era o grupo dos eremitas do Carmelo que pediram a Alberto uma “regra de vida”. Essa regra corresponderia, e também traçaria mais adiante, um estilo de vida (propositum) que eles já viviam,15  isto é, uma vida dedicada a seguir Cristo, especialmente o Cristo da Cruz, e vivida na imitação da comunidade primitiva de Jerusalém.16  Como observa Cicconetti e ficará claro adiante: “Os pensamentos dos eremitas (do Monte Carmelo) enfocava totalmente a Terra Santa. A partir dessa postura, que considerava a Terra Santa como o patrimônio sagrado de Cristo, deve-se contemplar a regra e a espiritualidade do Carmelo.”17
            A partir deste contexto para a “regra” de Alberto, podemos encaminhar duas perguntas. Primeiro Qual era o significado da frase no prólogo: “seguir os passos de Jesus”? Segundo, como esse projeto fundamental é traçado na Regra de tal forma que “define” o conjunto?



2  Em se tratando da Regra refiro-me ao texto mitigado em 1247 por Inocêncio IV de acordo com a nova enumeração uniforme de seções aceita em 1999. Com algumas ligeiras revisões, o tratamento da Cristocentricidade da Regra de Alberto que se segue é tirado das pp. 91-98 de meu artigo “Jesus in Carmelite Spirituality” encontrado em Paul Chandler, O. Carm. E Keith J. Egan (eds.), The Land of Carmel: Essays in Honor of Joachim Smet, O. Carm., Rome: Institutum Carmelitanum, 1991, pp. 91-107.
3  Para uma discussão sobre esta questão, ver seleções em Mulhall, Albert’s Way.
4 “Ele (Alberto) deseja aos eremitas conforto em Jesus Cristo, que é o centro de sua regra de vida...”. Otger Steggink, Jo Tigcheler, Kees Waaijman, Carmelite Rule, Amelo, 1979, p. 14, n.9; veja também p. 47, n.85 e 86, onde a pessoa de Jesus é citada como a razão e a base definitiva da vida no Carmelo. Rudolph Hendriks afirma: “Não podemos enfatizar o suficiente: Cristo é o Alfa e o Ômega da Regra Carmelita. A Regra começa e termina em Cristo... Os primeiros carmelitas queriam apenas servir a Cristo vivendo uma vida solitária perto da fonte no Monte Carmelo, jejuando e fazendo vigília, meditando sobre a lei do Senhor, perseverantes na oração. Eles queriam imitar Cristo em sua oração à noite no monte e vigiar com ele no jardim”. Veja “The Original Inspiration of the Carmelite Order as Expressed in the Rule of Saint Albert”, em Hugh Clarke, O. Carm. e Bede Edwards, O.C.D., The Rule of Saint Albert, Aylesford, 1973, p. 69. Cicconetti afirma igualmente: “Um modelo central na ‘fórmula de vida’ de Alberto é o seguimento ou o compromisso com Jesus Cristo (obsequium Jesu Christi)... a espiritualidade da Regra do Carmelo depende de ‘seguir Cristo’ (obsequium Jesu Christi). A explicação da expressão de São Paulo constitui toda novidade de nosso estudo da Regra do Carmelo”. The Rule of Carmel, Darien, IL: Carmelite Spiritual Center, 1984, pp. 14, 15.
5  Discutirei adiante o significado do “in obsequio Jesu Christi vivere”, no n.1.
6  Cicconetti, The Rule of Carmel, 63, 296.
7  Steggink et al., Carmelite Rule, p. 4, p. 14, n.11, p. 16, n.17. Ver Bruno Secondin, “What is the Heart of the Rule”, em Mulhall, Albert’s Way, pp. 116-17.
8 Redemptus M. Valabek, “The Spirituality of the Rule”, em Mulhall, Albert’s Way, pp. 151-52.
9 Cicconetti, “The History of the Rule”, pp. 25-26, e The Rule of Carmel, pp. 2, 300. Como destacam J. Pelikan e B. McGinn, a devoção à Cruz de Cristo e a imitação do Cristo crucificado caracterizam a espiritualidade ocidental desde o início da Idade Média e prosperou nos séculos XI e XII, como podemos ver por exemplo, nos escritos de Pedro Damião (1007-1072), Anselmo de Cantuária (1033-1109) e Bernardo de Claraval (1090-1153). E E. Cousins afirma: “No final do século XIII a devoção à humanidade de Cristo estava solidamente estabelecida na espiritualidade ocidental e seu foco fixado na paixão de Cristo”. Veja Ewert Cousins, “The Humanity and the Passion of Christ”, em Jill Raitt (ed.), Christian Spirituality: High Middle Ages and Reformation, New York: Crossroad, 1989, pp. 386-387. Veja também Jaroslav Pelikan, The Christian Tradition: The Growth of Medieval Theology (600-1300), Chicago: University of Chicago Press, 1978, pp. 106-157; Bernard McGinn, “Christ as Savior in the West”, em Bernard McGinn e John Meyendorff (eds.), Christian Spirituality: Origins to the Twelfth Century, New York: Crossroad, 1989, pp. 253-259.
10  Cicconetti, “The History of the Rule”, pp. 34-35, 43 e The Rule of Carmel, p. 27-43.
11  Cicconetti, “The History of the Rule”, p. 31.
12  Steggink et al., Carmelite Rule, p. 4; Cicconetti, The Rule of Carmel, pp. 40-41.
13  Cicconetti, The History of the Rule”, p. 43.
14  Cicconetti, The Rule of Carmel, p. 42; veja também p. 62.
15  Ibid. pp. 62-63, 269; ver também Steggink et al., Carmelite Rule, p. 4.
16  Steggink et al., Carmelite Rule, p.4.
17  Cicconetti, The Rule of Carmel, p. 17; ver também pp. 63-64.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A PALAVRA... Nº 954. A Teimosia de Simão Stock.

Como negar o batismo da filha de uma pessoa gay, fingindo dizer que sim

O protagonista do fato que estou prestes a contar se chama Mario Rossi. É um nome fantasia, e os motivos ficarão evidentes ao longo da leitura. Mario deseja que os nomes e os lugares do caso permaneçam anônimos, mas se dirige para mim, porque quer que as pessoas saibam o que lhe aconteceu. O relato é do padre e escritor italiano Mauro Leonardi, publicado no sítio L'HuffingtonPost.it, 30-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O Sr. Mario é um católico que ajuda na sua paróquia nos vários serviços de catequese. Poucos dias depois do Family Day "no gender" do dia 20 de junho, na Piazza di San Giovanni, em Roma, chegou na paróquia uma senhora que pediu o batismo da sua filha.
Até aqui, nada de mal, ao contrário, é uma festa. Mario, junto com outros agentes paroquiais, trabalhou muito na acolhida. Eles sabem que o Papa Francisco disse em meados de abril aos novos sacerdotes que o batismo nunca deve ser negado, que a Igreja não é uma alfândega, e que ele mesmo, para dar o exemplo, no início do ano, batizou filhos de casais não casados na Igreja. Mario, portanto, sabe que a senhora deve ser acolhida, e ele a acolhe.
Os sorrisos, a atenção, as perguntas e a troca de informações que se seguem são sinceros, são serenos. Mario explica que o batismo não é sobretudo um sacramento que requer uma pequena biografia-cruzada com muitas casinhas para se marcar. É um encontro com Deus, e ele sabe que esses dados – dados pessoais, endereço, telefone, e-mail – são sensíveis e ele coloca muita sensibilidade nisso.
Graças a Mario, a senhora, com muita delicadeza, entende que a menina a ser batizada é filha dela e da sua companheira. Para Mario, esse encontro se tornou uma dupla festa. Mas, quando informa os outros agentes de pastoral, esse batismo se transforma de festa da acolhida em "o caso da paróquia". "O caso" chega à mesa dos catequistas e como tal é tratado. Um caso "delicado, espinhoso".
O Sr. Mario não acredita no que está acontecendo. Ele realmente deu crédito ao papa, e agora não se explica tanta dificuldade, tanto fechamento. Mario diz para si mesmo que é preciso compreender, que cada um tem as suas próprias labutas, e, por isso, oferece-se para continuar a levar adiante a relação. "Com a Paola – nome fictício –, eu me dou bem: se vocês quiserem, eu contínuo a preparação para o batismo."
Mas ele recebe um "não" como resposta. Mario é viúvo, foi-lhe explicado, e ele não pode ir sozinho. Casos como esses, "é preciso acompanhar absolutamente como casal". Por quê?, pergunta Mario. "É preciso dar testemunho de normalidade conjugal", respondem. É preciso o homem e a mulher contra a mulher e a mulher.
O Sr. Mario não acredita nos seus ouvidos. Ele responde que pedir o batismo para a filha não significa receber uma contraproposta de normalidade conjugal, mas significa pedir um batismo: Paola não pediu um casamento, pediu um batismo.
Mario insiste: iria lá não para ser exemplar, mas para ser amigo, daquela forma particular de amizade que é o cristianismo: amar o próximo, dar a vida. Substantivos sem atributos ou distinções: vida e próximo. Toda a vida, todo próximo. Nada de adjetivos que distinguam.
Mas, de acordo com os catequistas, ele está errado. Eles se tornam mais explícitos e explicam a Mario que, a pessoas como Paola e a companheira, "é preciso dar exemplos fortes". Por exemplo, quando Paola diz que a sua filha é "sua" porque nasceu com a inseminação artificial, Mario fez mal em escrever no formulário as suas palavras exatas: de fato, eles, os catequistas, corrigiram para "pai desconhecido".
E depois acrescentam que ele não é apto, porque é um ingênuo, e com essas pessoas homossexuais é preciso ter cuidado sobre como se fala: é preciso usar frases precisas e curtas, "porque elas gravam e mudam as suas palavras".
O Sr. Mario, ao telefone, se detém e se certifica de que eu ainda quero escrever, mesmo sendo padre. Ele diz que é importante, porque, segundo ele, "isso não é catequese, não é falar de Jesus, porque Jesus não falaria assim". Não, Mario, Jesus não falou assim.
O Sr. Mario me diz que queria ter ido, como sempre, com um pequeno pensamento para a criança a ser batizada. E, depois, com um pouco de tempo para dar. Para bater papo e se conhecer, como sempre. Para contar um pouco a vida mutuamente, como sempre. Falar do batismo dos filhos de Deus, como sempre. Tomar alguma coisa juntos, como sempre. Como sempre, como com todos, como fizeram com Mario e como Mario faz com qualquer um. Também com Paola.
Eu asseguro a Mario Rossi eu escreveria este post e lhe digo que talvez ele teve pouca sorte, que talvez coisas como as que aconteceram com ele nunca acontecem. Mas ele responde que talvez eu esteja errado, porque justamente hoje a Aleteia – um site católico, católico – coloca como primeira notícia o pedido do Papa Francisco de batizar a todos. Segundo ele, é que, depois do dia 20 de junho, para as pessoas homossexuais, batizar os filhos tornou-se ainda mais um problema, diz.

"Eu não sei", eu respondo, e, no entanto, o humor de Mario não melhora. Mario está muito triste, porque, depois que lhe tiraram esse possível batismo, ele não sabe mais nada de Paola e da sua filha. E ele teme que também elas – ela e a sua companheira – tenham mudado de ideia sobre o batismo da filha. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A PALAVRA... Nº 953. Um olhar sobre a Laudato si'-09.

VALORES FUNDAMENTAIS DA TRADIÇÃO CARMELITANA


VALORES FUNDAMENTAIS DA TRADIÇÃO CARMELITANA
*A ORAÇÃO NA VIDA CARMELITANA: Reflexões e textos de autores carmelitanos sobre a Comunhão com Deus e a Oração no Carmelo(4ª Parte).
Frei Emanuele Boaga, O.Carm. In Memoriam.

Da experiência dos Carmelitas de cada época e do ensino dos Mestre, brotam alguns valores a respeito da CONTEMPLAÇÃO e da ORAÇÃO que formam o PATRIMÔNIO da tradição carmelitana. Brevemente se pode sintetizar assim este patrimônio:

1- CONTEMPLAÇÃO
- é mergulho no Mistério de Deus que “colocou sua tenda no coração do homem.
Portanto, CONTEMPLAÇÃO e ORAÇÃO é fazer uma profunda EXPERIÊNCIA de DEUS REAL e VIVO, ainda que as vezes obscura, em todas as dimensões humanas.
- e a capacidade de encontrar a DEUS que nos amou primeiro.

2- ESSÊNCIA da VERDADEIRA ORAÇÃO
É um relacionamento de amizade com Deus e consiste sempre em “sair de si para encontrar o “Outro”.

3- MORTE e CRUZ
A oração esta associada com os temas da Morte e da cruz. Por isso, o caminho da Oração Carmelitana passa pela “noite purificadora dos sentidos”, pela solidão pela aridez que faz morrer o egoísmo e leva a sair de si para encontrar o CRISTO.

4- DESERTO
- é essencial à contemplação;
- é o despojamento, o situar-se na verdade e sem ilusões diante de Deus;
- é atitude de pobreza radical que tudo espera de Cristo;
- é atitude de silêncio para escutar a Palavra do “Outro”, é experiência da própria limitação e da necessidade de Deus na nossa vida;
- é convicção forte, ainda que obscura, que Ele nos busca mais do que O buscamos. Jesus procura o homem primeiro.

5- ESPIRITO SANTO
A Oração é dom do Espírito. É Ele que atua eficazmente na Oração e nos transforma quando na docilidade a Ele deixamo-nos conduzir. Ele nos leva às formas mais elevadas de oração, como fruto da fidelidade e acolhida de seus dons.

6- PRESENÇA de DEUS:
É preciso viver a presença de Deus no próprio coração, nos irmãos, na vida.
É preciso experimentá-lo por meio de abertura para a realidade e para os sinais dos tempos que revelam sua presença.

7- PALAVRA de DEUS
A contemplação e a oração se nutrem pela FAMILIARIDADE com a Palavra de Deus, ouvida.
- no silêncio e na solidão do próprio coração,
- no dialogo comunitário e fraterno
- na realidade.

8- FORMAS de ORAÇÃO
Ainda que não se reduzam as formas concretas, a oração e a contemplação necessitam delas como meios indispensáveis para crescerem. Entre estas formas ocupa lugar privilegiado a oração litúrgica e a “Lectio Divina”.

9- ENVOLVIMENTO DO HOMEM TODO,
A vida de oração requer o envolvimento do homem todo e, portanto, o crescimento da pessoa com a integração de sua afetividade na oração. Alem disto a oração exige uma contínua verificação do próprio relacionamento com os outros, com a realidade, com a vida. Deve exprimir-se através das obras de virtude, como sinais de amor a Deus. A contemplação deve conduzir-nos através do encontro com o ABSOLUTO de DEUS a realização de seu plano de AMOR para os irmãos e o mundo, portanto deve levar-nos ao

COMPROMISSO.

10- INSPIRAÇÃO ELIANO-MARIANA
A inspiração eliana-mariana reforça as dimensões de nossa contemplação-compromisso:
Maria - a Virgem da Encarnação, mulher de escuta amorosa e de fé.

Elias - o homem de contemplação encarnada na realidade humana, à procura da FACE do DEUS verdadeiro.
*Encontros de Espiritualidade Carmelitana das Irmãs Carmelitas da Divina Providência. JULHO - 1986 - Rio Janeiro.

18º Domingo do Tempo Comum: Homilia em Jaboticabal.