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A Palavra do Frei Petrônio

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sábado, 24 de janeiro de 2015

3º - Domingo do Tempo Comum: Ir atrás de Jesus

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 1, 14-20 que corresponde ao 3º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto
Quando João Batista foi detido, Jesus veio para a Galileia e começou a «proclamar a Boa Nova de Deus». Segundo Marcos, não ensina propriamente uma doutrina para que os Seus discípulos a aprendam e difundam corretamente. Jesus anuncia um acontecimento que está já a ocorrer. Ele já o está a viver e quer partilhar a Sua experiência com todos.
Marcos resume assim Sua mensagem: «Cumpriu-se o tempo»: já não tem de se olhar para atrás. «Está próximo o reino de Deus»: pois quer construir um mundo mais humano. «Convertei-vos»: não podeis continuar como se nada estivesse acontecendo; mudai a vossa forma de pensar e de atuar. «Acreditai nesta Boa Nova». Este projeto de Deus é a melhor notícia que podeis escutar.
Depois deste solene resumo, a primeira atuação de Jesus é procurar colaboradores para levar adiante o Seu projeto. Jesus «passa junto ao lago da Galileia». Começou o Seu caminho. É um profeta itinerante que procura seguidores para fazer com eles um percurso apaixonante: viver abrindo caminhos ao reino de Deus. Não é um rabi sentado na Sua cátedra, que procura alunos para formar uma escola religiosa. Ser cristão não é aprender doutrinas, mas seguir Jesus no Seu projecto de vida.
Quem toma a iniciativa é sempre Jesus. Aproxima-se, fixa o Seu olhar naqueles quatro pescadores e chama-os a dar uma orientação nova às suas vidas. Sem sua intervenção, não nasce nunca um verdadeiro cristão. Os crentes, temos de viver com mais fé a presença viva de Cristo e o Seu olhar sobre cada um de nós. Se não é Ele, quem pode dar uma nova orientação às nossas vidas?
Mas o mais decisivo é escutar de dentro da Sua Chamada: «Vinde atrás de mim». Não é tarefa para um dia. Escutar esta chamada significa despertar a confiança em Jesus, reavivar a nossa adesão pessoal a Ele, ter fé no Seu projeto, identificar-nos com o Seu programa, reproduzir em nós as Suas atitudes ... e, desta forma, ganhar mais pessoas para o Seu projeto.
Este poderia ser hoje um bom lema para uma comunidade cristã: Ir atrás de Jesus. Colocá-Lo à frente de todos. Recordá-Lo cada domingo como o líder que vai à frente de nós. Gerar uma nova dinâmica. Centrar tudo em seguir mais próximo de Jesus Cristo. As nossas comunidades cristãs transformar-se-iam. A Igreja seria diferente.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 783: O PSDB SP E A SECA.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ordem Terceira do Carmo: Espiritualidade Carmelitana.


ORDEM TERCEIRA DA LAPA/RJ.
Encontro sobre a Espiritualidade Carmelitana.
Dia 18 de janeiro- 2015.
Com Frei Petrônio de Miranda, O.Carm
(E-mail do Frei: missaodomgabriel@bol.com.br)
Tema: Um coração desejoso: Nosso desejo de Deus.
Texto de Frei John Welch, O. Carm. Whitefriars Hall, Washington.
Adaptação para Ordem Terceira: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.

Queremos tudo
“Nossos corações estão inquietos”, escreveu Santo Agostinho, e esta verdade permanece como algo fundamental à condição humana. A inquietude, o desejo humano parece que nunca serão completamente satisfeitos.  Podemos ver a inquietude humana expressa na imagem de um bebê que começa a engatinhar e a explorar  seu ambiente. A viagem dos primeiros carmelitas que deixaram suas casas para congregar-se num Vale do Monte Carmelo foi movida por este mesmo desejo. Somos verdadeiramente peregrinos.
Nós, os humanos, nunca estamos satisfeitos com o que temos pois, como diz Santa Tereza de Lisieux,  queremos tudo. E não descansaremos até consegui-lo.  A tradição carmelitana reconhece esta fome do coração humano e diz que fomos feitos desta maneira. Fomos feitos para procurar e explorar, desejar e sofrer até que o coração finalmente encontre algo ou alguém que possa harmonizar ou estar em consonância com a profundidade do seu desejo, até que o coração possa encontrar alimento suficiente para satisfazer sua fome. Chamamos a este alimento, a esta realização, a esta meta do desejo humano, Deus. Durante oitocentos anos os carmelitas têm intencionalmente perseguindo esta realização misteriosa e difícil de encontrar. “desejava viver” escreveu Santa Teresa de Ávila, “e não tinha quem me desse vida...”
Acreditamos, ainda que todo ser humano está nesta procura.  Podemos afirmar isto: cada irmão e irmã da Ordem Terceira, cada membro de nossa comunidade do Carmo da Lapa, cada devoto de Nossa Senhora do Carmo está aberto ao mistério transcendente a que chamamos Deus. Por algum tempo o desejo pode ser negado, a fome temporariamente satisfeita, o desejo afogado, atordoado, debilitado. Mas sabemos que está aí e que de um momento a outro aparecerá. Nossa tradição tem a força, a linguagem, as imagens que nos ajudam a iluminar o que as pessoas estão experimentando no profundo do seu ser.
A tradição carmelitana tenta dar nome a esta fome, dar palavras ao desejo e expressar que o final da viagem está em Deus. O Carmelo sempre tem desejado o mesmo e está disposto a caminhar e acompanhar aqueles com os quais se encontrar neste caminho. 
Desejos dos Carmelitas
Este dilema encontrará sua compreensão nos santos do Carmelo. No encontro com esta chama profunda os santos se deixaram queimar e purificar por ela. Teresa de Ávila a entende como a água que Jesus ofereceu à samaritana.  Mais fogo que água, esta chama inflama o desejo.  “Mas com que sede se deseja ter esta sede!”  João da Cruz começa seu poema do Cântico Espiritual com uma queixa: “Onde é que te escondeste, Amado, e me deixaste com  gemido?  Como o cervo fugistes, Havendo-me ferido; Saí, por  ti clamando, e eras já ido.” João da Cruz  compreende  nossa humanidade como o despertar no meio de uma história de amor.  Alguém tocou nossos corações ferindo-os e fazendo-os penar por causa disto.  Quem tem nos fez tal coisa  e para onde foi?  Estas perguntas perseguem a cada ser humano ao longo de sua viagem e o impulsionam a cada passo, desde o engatinhar do bebê à peregrinação do papa à Terra Santa, incluindo todo o esforço humano que é feito nesta busca.
João da Cruz diz que nossos desejos são como meninos. Se lhes damos atenção, acalmam-se por algum tempo. Mas logo despertam e rompem com seu barulho a paz do lar. Nossos desejos são também como um dia longamente desejado de estar com o amado; mas esse dia termina numa grande desilusão. Nossa humanidade tem uma fome que somente Deus pode satisfazer.
Teresa de Lisieux procurou explicar seus profundos desejos com a imagem do céu: o céu como o Domingo sem fim, o retiro eterno, a fonte eterna. A ribeira eterna é uma expressão particularmente evocadora do desejo do seu coração. Ela queria tudo na sua vida, e esta imagem é expressão de todos os seus desejos.  Mas não há imagem ou conceito que possa expressar seus desejos:
          “Sinto o quanto sou impotente para expressar em linguagem humana os segredos do céu, e depois de escrever página após página vejo que ainda não comecei . Há tantos horizontes diferentes, tantos nuances de infinita variedade”...  
Saímos ao encontro disto ou daquilo seduzidos por uma promessa de realização, mas terminamos por ser decepcionados mais uma vez. Usando a imagem de Terezinha,  chegamos  a muitas fontes, mas não percebemos  que não é a fonte eterna .
O que desejam os homens e mulheres da Ordem Terceira aqui do Rio de Janeiro,  aqueles e aquelas que buscam a espiritualidade carmelitana através da devoção a Nossa Senhora do Carmo?  Tudo! Contem com isto e isto lhes deem. Nós dizemos a nós mesmos e dizemos a eles que a fome dentro de nós é tão profunda e poderosa que, reconhecida ou não, só Deus é o alimento que a pode saciar. Quando Jesus pregou sobre o Reino de Deus presente e vindouro, se referia precisamente aos desejos profundos, ao santo desejo que aninhava o coração de seus ouvintes. Jesus e a Samaritana. (JO 4, 5-30)
Em 24 de março de 2000 foi celebrado o vigésimo aniversário do assassinato do Arcebispo Oscar Romero em El Salvado. Foi assassinado durante a celebração da Eucaristia em uma capela carmelita.  Enquanto celebrava os funerais daqueles que tinham sido assassinados pelos poderosos e lia os nomes dos desaparecidos, percebeu  que era seu dever emprestar sua voz aos sem voz. E assim se produziu sua conversação de um padre tradicional, profissional e piedoso se converte num pastor valente e defensor de seu povo. Entregou-se à tarefa de denunciar os desejos oprimidos do povo e assim com sua presença valiosa dar vida ao desejo santo que viu refletido nos rostos das pessoas do povo salvadorenho. 
A tradição carmelitana reconhece que há uma fome de Deus muito profunda no coração do homem. Este desejo e esta ânsia nos impulsiona ao longo de toda nossa vida enquanto buscamos a realização do desejo de nosso coração. Este desejo profundo de Deus em nossas vidas é o fruto do seu amor primeiro, do seu desejo anterior por nós. Deus, o primeiro contemplativo, nos olhou e nos fez encantadores e atraentes para Ele. A tradição carmelitana não fala do aniquilamento do desejo, mas sim da transformação dos desejos para que mais e mais desejemos o que Deus deseja, numa consonância de desejo. Como Teresa de Ávila disse simplesmente,  Eu quero o que Você quer .
Perguntas para reflexão:
1º- Como experimento esse desejo, esta ânsia, esta fome que no fundo é de Deus? Estou consciente dessa inquietude fundamental?
2- Como expresso os meus desejos mais profundos? Que atividades os incluem e me deixam desejando sua realização profunda?

3- Como as pessoas com as quais trabalho expressam os desejos profundos do seu coração?  Como eu, junto com elas, encontro a linguagem para este desejo e o celebro como um dom que eleva até Deus?