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A Palavra do Frei Petrônio

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sábado, 23 de agosto de 2014

EU NÃO QUERO ESTE JESUS CRISTO.

21º Domingo do Tempo Comum: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Esta é a questão decisiva que marca o fim da primeira parte do evangelho de Mateus… Questão que continua hoje a ser posta a cada um de nós, e todos somos convocados a respondê-la.
A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 21º Domingo do Tempo Comum (Domingo, 24 de Agosto de 2014). A tradução é de Francisco O. Lara e João Bosco Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas
1ª leitura: Isaías 22,19-23
2ª leitura: Romanos 11,33-36
Evangelho: Mateus 16,13-20

Rumo à prova decisiva
Este texto do capítulo 16 de Mateus perde muito do seu significado quando separado dos versículos 21-28 que vêm logo a seguir e que só serão lidos no próximo domingo. De fato, Jesus está à véspera de partir para Jerusalém onde será crucificado (versículo 21, fora da leitura). Seus discípulos irão conhecer a prova maior da fé: é possível ter vindo de Deus, para estabelecer o seu «Reino», um homem que foi superado pelo complô dos que não aceitam a sua mensagem? E se não é o enviado de Deus, quem é ele? Daí vem a questão que abre este relato: «Quem dizem os homens ser o Filho do homem?» A resposta é significativa: Jesus não é visto apenas como uma espécie de reencarnação de um personagem do passado, mas é classificado ainda entre os personagens religiosos tradicionais. Não se vê o que ele tem de excepcional, de único. E os discípulos que estão próximos a Jesus, que não se contentam em escutar os seus ensinamentos, mas compartilham de sua vida? Eles, precisamente, irão estar na primeira linha nesta prova de fé decisiva que se vai ter de atravessar e que vai fazê-los duvidar. «E vós, quem dizeis que eu sou?» Este «vós» dirige-se prioritariamente aos Doze. Em nome deles, Pedro responde com uma profissão de fé que só poderá encontrar a sua forma e ganhar o seu sentido pleno à luz da Ressurreição. Sem que possam defini-la, os discípulos pressentem já, desde os primeiros encontros, a identidade secreta de Jesus, mas será na Páscoa, anunciada aqui no versículo 21, que ela se fará declarar em plena luz do dia.

"Tu és o Filho do Deus vivo"
Porque aceita morrer na cruz é que Jesus pode ser reconhecido como Filho de Deus, ou seja, perfeita imagem e semelhança de Deus. «Odiado sem razão» (João 15,25), foi de fato também sem razão que ele nos deu o seu amor. Ele pôs no mundo o amor com o qual o Pai, a Origem, nos ama: Foi, com efeito, «sem razão» que Deus nos fez existir. Vamos, no entanto, repetir que, aqui, a palavra Filho não tem o seu sentido habitual; por isso a escrevemos com uma maiúscula. Para João (1,1-5), o Verbo existe desde sempre, fora do tempo. Não vem depois de Deus, mas, se podemos dizer isto sem colocar Deus no tempo, Ele é contemporâneo de Deus. Paulo, em Colossenses 1,15-17, dirá que Ele é «a Imagem do Deus invisível», o que é um paradoxo. Como pode o invisível ter uma imagem? Ele é «o Primogênito de toda a criatura». Anterior a tudo, porque tudo o que existe só existe n’Ele e por Ele. Esta Palavra criadora, que habita o homem como um fermento para fazê-lo crescer, emerge quando aparece Jesus. Só então a nossa criação faz-se completa: o Cristo é o homem do final, o homem totalmente perfeito, o «Filho do homem», imagem humana do Deus invisível e, por aí, o Filho de Deus. O filho é, com efeito, imagem e semelhança: esta fórmula empregada para definir o homem em Gênesis 1,26 é repetida em 5,1 e utilizada novamente a propósito do primeiro filho de Adão. O Filho de Deus está em gestação no homem por toda a eternidade de Deus.

"E tu és Pedro"
Em Jesus, as pessoas viam apenas o filho do carpinteiro de Nazaré; só a fé poderia fazê-los pressentir a plenitude da sua identidade. O mesmo vale para Simão: vendo-o, diz-se que é o «Filho de Jonas». Perfeito! Só que, neste instante, não é esta herança, esta filiação de carne e sangue que está falando por ele, mas sim a sua origem absoluta, Aquele que é o Pai de tudo o que existe e que em Cristo foi criado. Simão torna-se «Pedro». Na Bíblia, a mudança do nome significa uma mudança de destino. Abrão, «pai muito elevado», torna-se Abraão, «pai de multidões»; Jacó torna-se Israel, «forte contra Deus»… O que significa «Pedro»? O rochedo sobre o qual se pode apoiar e construir, porque é sólido e não decepciona. É o próprio Deus: «Deus é o meu rochedo, a minha fortaleza, o meu libertador…» (2 Samuel 22,2…). O mesmo vale para o rochedo que Moisés “ferirá” com a sua vara, para fazer jorrar a água (Êxodo 17,1-7). Paulo vê neste rochedo (ao qual acrescenta a faculdade de mover-se, qualificando-o como «espiritual») uma figura do Cristo (1 Coríntios 10,4). Mas a pedra pode tornar-se uma pedra de tropeço que provoca a queda do transeunte que nela venha a tropeçar. Simão recebe a missão de se tornar a pedra sobre a qual será construído o edifício da fé. Mas aqui, no final do relato, o vemos tornar-se a pedra sobre a qual se tropeça. Agora é a sua herança humana que está falando por ele, e não a voz do Pai.

RETIRO DA ORDEM TERCEIRA. A Palavra do Frei Raimundo.

21º Domingo do Tempo Comum: Que dizemos nós?

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 16, 13-20 que corresponde ao 21º Domingo do Tempo Comum, ciclo- A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Também hoje nos dirige Jesus aos cristãos a mesma pergunta que fez um dia aos Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Não nos pergunta só para que nos pronunciemos sobre a Sua identidade misteriosa, mas também para que revejamos a nossa relação com Ele. Que Lhe podemos responder a partir das nossas comunidades?
Conhecemos cada vez melhor Jesus, ou temo-Lo “encerrado nos nossos velhos esquemas aborrecidos” de sempre? Somos comunidades vivas, interessadas em colocar Jesus no centro da nossa vida e das nossas atividades, ou vivemos presos na rotina e na mediocridade?
Amamos Jesus com paixão ou converteu-se para nós numa personagem gasta a quem continuamos a evocar enquanto no nosso coração vai crescendo a indiferença e o esquecimento? Quem se aproxima das nossas comunidades pode sentir a força e o atrativo que tem para nós?
Sentimo-nos discípulos e discípulas de Jesus? Estamos aprendendo a viver com o Seu estilo de vida no meio da sociedade atual, ou deixamo-nos arrastar por qualquer reclame mais apetecível para os nossos interesses? É igual viver de qualquer maneira, ou temos feito da nossa comunidade uma escola para aprender a viver como Jesus?
Estamos aprendendo a olhar a vida como a olhava Jesus? Olhamos a partir das nossas comunidades para os necessitados e excluídos, com compaixão e responsabilidade, ou encerramo-nos nas nossas celebrações, indiferentes ao sofrimento dos mais desvalidos e esquecidos: os que foram sempre os prediletos de Jesus?
Seguimos Jesus colaborando com Ele no projeto humanizador do Pai, ou continuamos a pensar que o mais importante do cristianismo é preocupar-nos exclusivamente com a nossa salvação? Estamos convencidos de que o modo de seguir Jesus é viver cada dia fazendo a vida mais humana e mais feliz para todos?
Vivemos o domingo Cristão celebrando a ressurreição de Jesus, ou organizamos o nosso fim de semana vazio de todo o sentido cristão? Temos aprendido a encontrar Jesus no silêncio do coração, ou sentimos que a nossa fé se vai apagando afogada pelo ruído e o vazio que há dentro de nós?
Acreditamos em Jesus ressuscitado que caminha conosco cheio de vida? Vivemos acolhendo nas nossas comunidades a paz que nos deixou em herança aos Seus seguidores? Acreditamos que Jesus nos ama com um amor que nunca acabará? Acreditamos na Sua força renovadora? Sabemos ser testemunhas do mistério de esperança que levamos dentro de nós?

ELZA BLOISE: Missa de Corpo Presente-01

A Voz do Pastor - 21º Domingo Tempo Comum - Domingo 24/08/14

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