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A Palavra do Frei Petrônio

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sábado, 12 de julho de 2014

Sodalício de Nossa Senhora do Carmo de Mogi Mirim-SP

Histórico:
Origem do Sodalício
            A devoção a Nossa Senhora do Carmo em Mogi Mirim remonta aos anos de 1844, aproximadamente. Foi quando um grupo de devotos guiados pelo Padre Roque de Souza Freire solicitaram da Câmara Municipal um terreno para aí se construir a Igreja do Carmo e instalar a sua Associação.
            No ano de 1923, tempo de Paroquiato do saudoso Cônego Oscar Sampaio, a Ordem do Carmo foi agregada à Ordem Carmelitana para gozar dos bens espirituais e se organizar de acordo com as leis eclesiais e assim continua florescente até os dias de hoje. A 22 de julho de 1923, consta o nome do Revmo. Pároco Cônego Oscar S. Peixoto como o primeiro Irmão a receber o Santo Escapulário.
            Mais tarde, a 16 de agosto de 1948, consta o nome de Monsenhor José Nardin.
Características do Sodalício:
A Ordem Terceira do Carmo de Mogi Mirim é que zela piedosamente pela Igreja do Carmo na sua parte a mais importante, a sua vida espiritual e também na sua conservação material, permanecendo como preciosa relíquia do seu passado com mais de cento e sessenta anos, desde a sua fundação.
A Ordem Terceira do Carmo realiza no prolongamento de sua espiritualidade cristã, desde o ano de 1956 também, um trabalho de assistência a 120 crianças, ajudando-as de modo substancial na manutenção do Educandário Nossa Senhora do Carmo, entidade filantrópica fundada por Monsenhor José Nardin, cujo funcionamento está em dependências da Igreja do Carmo.
Nota: Por muitos anos a nossa Ordem Terceira do Carmo teve por graça de Deus e bondade de Nossa Senhora, como assistentes espirituais nossos queridos e saudosos:
- Monsenhor José Nardin  e
   -  Frei Nuno Alves Corrêa


Sem padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário. (Ano Vocacional)

Dom Orlando Brandes. Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 12 de julho de 2014

A Arquidiocese de Londrina está vivendo seu “Ano Vocacional”. O padre é tão necessário para a sociedade como o médico, o prefeito, o professor. Isso porque o ser humano tem uma abertura natural para Deus. A alma humana é imortal e o ser humano é espiritual. O sacerdote é especialista de Deus, o perito nas coisas espirituais, o mestre dos valores humanos, o médico da alma, o representante de Jesus. Todas as religiões têm seus sacerdotes, pastores, religiosos, gurus, diretores espirituais, guias da alma, conselheiros.
Vemos assim que é um ato de justiça e de respeito pela pessoa humana a questão vocacional, pois toda vocação é para a missão. O padre não é padre para si, mas para os outros. Quanto bem o padre faz para a família, as crianças, os jovens, os idosos. Ele é um benfeitor da humanidade.
Por outro lado, Jesus mesmo deixou a sua Igreja nas mãos dos doze Apóstolos que Ele mesmo educou e preparou. O padre é quem leva em frente a encarnação de Jesus. Ele é um “outro Cristo”. É amado, chamado, consagrado e enviado pelo próprio Jesus com a missão de ser o servidor do povo, o promotor da dignidade humana, o portador dos meios de salvação. É homem de Deus para o povo, é o portador da graça.
Precisamos de padres. Isso exige que todos sejamos envolvidos na revitalização vocacional. Sim, vamos rezar pelas vocações, mas precisamos envolver as famílias, os jovens, as crianças, as lideranças, as pastorais, e movimentos, os párocos, o presbitério, os religiosos e religiosas, os diáconos para deslanchar uma revolução vocacional até conseguirmos criar uma “cultura vocacional”. Isso está exigindo de nós um salto vocacional, um entusiasmo e uma mística vocacional até que se organize um marketing vocacional permanente.
Em nossa Igreja Particular esperamos chegar a uma capilaridade vocacional, uma vocacionalização das pastorais, onde todos formaremos um “mutirão vocacional”. Isso tem um preço: atrair a infância missionária, os coroinhas, as crianças da Primeira Eucaristia, os catequizandos, os grupos de jovens, as universidades, as escolas e os profissionais.
Urge tocar nos ombros dos jovens e motivá-los no seguimento de Jesus. É preciso apontar, falar, questionar, atrair, conquistar os vocacionados. Vocação tem tudo a ver com atração. Os pais e os padres são os primeiros promotores vocacionais. Promover vocações é uma urgência para toda a Igreja e uma “prioridade presbiteral inadiável”. Um presbitério alegre e unido é propaganda para vocações sadias, servidoras e santas.
Sem padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário, o altar vira uma mesa qualquer. Sem padre não há absolvição dos pecados e o povo de Deus é prejudicado tanto na pastoral como na vida espiritual e existencial. Jesus teve compaixão do povo porque eram ovelhas sem pastor. A Pastoral Vocacional é um gesto de amor pela glória de Deus e de compaixão com o povo. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Maria, o que ela representa para você?

Frei Tito Figueiroa, 0. Carm.(Província Carmelitana Pernambucana)

Quando falamos em Maria, pensamos logo na Mãe de Jesus. Sua figura está ligada a diversos títulos e lugares. Maria é conhecida como Penha, de Lourdes, de Fátima, do Socorro, da Boa Morte... Entre tantos títulos, os brasileiros têm especial predileção pelo de “Aparecida”. Outro também muito apreciado é o do “Carmo”. E é este que interessa no momento.
É costume antigo celebrar a Festa de Nossa Senhora do Carmo no dia 16 de julho. Com tal festividade, os devotos querem externar, cada ano, sua fidelidade a Maria, sob este título.
O amor do povo para com Nossa Senhora do Carmo é fruto do trabalho dos carmelitas que, chegados ao Brasil em 1580, levaram a todas as regiões por onde passaram a devoção para com a Mãe de Jesus, simbolizada de modo todo especial pelo Escapulário.
Igrejas, associações, cidades, rios, montanhas, homens e mulheres trazem o nome de Carmo ou Carmelo, sinal eloqüente da influência desta devoção. Neste sentido, merece destaque o fervor com que Recife homenageia a Padroeira Senhora do Carmo. É o que procura demonstrar uma pesquisa feita na capital pernambucana.

UMA PESQUISA SOBRE A DEVOÇÃO
               Dia 16 de Julho de 1985, no Recife. Desde as 5 horas o povo ocorre ao Carmo e enche as dependências da Basílica. A chuvinha fina e o tempo de chumbo cede, pouco a pouco, lugar a um sol radioso. As missas, as filas diante dos confessionários, a procura por escapulários se sucedem, se ampliam, à medida que as horas avançam. Pelas 8 horas, um grupo de universitários e noviços carmelitas, por nós preparados e treinados, ingressa na Basílica repleta e se espalha em pontos estratégicos, munidos de pranchetas, questionários impressos e lápis, para abordar os fiéis – adultos e jovens, homens e mulheres – e entrevista 250 deles, escolhidos dentre a multidão por técnicas aleatórias de abordagem em pesquisa social. Vão indagar a respeito das motivações que fizeram os devotos sair de casa em dia feriado, enfrentar os incômodos de uma igreja entupida de gente, participar de uma missa, confessar-se, conjugar, ou mesmo, permanecer lá dentro até a hora da Missa Solene Concelebrada, às 10 horas. Os entrevistadores ainda se distribuirão por todo o percurso da procissão, à tardinha, com a idêntica finalidade de abordar 300 pessoas presentes ao cortejo sacro.

O SENTIDO
      Vamos comentar as respostas à pergunta: “O que representa Nossa Senhora do Carmo para você?”. Elas totalizam quase 550 opiniões, colhidas de homens e mulheres, adultos e jovens, pobres e classe média, das mais diversas profissões, gente da Região Metropolitana do Recife – a maioria – mas também do interior de Pernambuco e Estados vizinhos, presentes na igreja ou na procissão. Tal quantidade revela uma boa amostra de como o povo do Recife a adjacências encara sua Padroeira, o valor que vêem nela, o sentido que tem, para eles, esta devoção.
No grupo da Basílica, 56 pessoas responderam: “Ela é a Mãe de todos os homens”; 47 disseram: “Ela é muita coisa para mim; tudo”; 32 acham-na uma “Santa Milagrosa”; 26 vêem nela apenas a “Padroeira do Recife”; 23 (sobretudo os homens) consideram-na principalmente como a “Mãe de Cristo”; e 19 (sobretudo mulheres) vêem nela uma especial “Protetora”. Há também outras escolhas em menor número, como a popular “Uma Santa”; há os que vêem na senhora um “Símbolo de Fé, Paz, Esperança, Pureza, Felicidade”; outros consideram sobretudo seu poder de intercessão junto a Deus, vendo nela a “Intercessora”. Igualmente, houve o caso de meia dúzia de pessoas que não reconheciam nenhum atributo especial na Senhora do Carmo: “É uma Santa às outras”!
No grupo da procissão, temos esta seqüência de escolhas: “Ela é tudo para mim” vem em primeiro lugar, com 60; “Mãe Nossa” vem em segundo, com 42; “Santa Milagrosa, Poderosa” e “Símbolo de Fé, Paz, União, Amor”, com 40; 35 pessoas a vêem sobretudo como “Proteção”, “Apoio”, enquanto 20 nela enxergam a “Padroeira do Recife”; 19, a “Mãe de Cristo”; e 15 a têm antes de tudo como sua “Esperança”. Notamos quase as mesmas expressões entre os dois grupos de entrevistas, dando-se notável coincidência na linguagem com que o povo transmite seus símbolos religiosos.

O SINCRETISMO RELIGIOSO
A gente constatou, igualmente, como a maioria utilizou as palavras correntes do uso religioso católico, erudito ou popular. Inclusive a expressão saborosa “Minha Madrinha” saiu uma vez. No entanto, uma parcela dos respondentes na Basílica e na procissão criaram maneiras próprias de dizer o que a Senhora representa para eles, não copiadas das expressões oficializadas ou convencionadas: “Patrimônio espiritual profundo”, “Criatura que nos protege”, “Tudo depois de Cristo”, “Criatura apoio”, “Imagem de fé, amor, carinho”, “A mulher mais compreensiva (dita por um homem...), “Figura que participa dos problemas do povo”, “Perpetua as promessas de salvação”, “Coisa importante”, “Esperança em dias melhores”, “Santa das Santas”, “Santa elegante” (expressão certamente influenciada pelos cultos afro-brasileiros do Recife), “Coisa boa”, “Sentido da vida depois de Deus”, “Símbolo da Paz”, “Alegria, apoio”, “Meu segundo Jesus”, “Verdade bíblica”, “O bom que existe em cada um”, “Tudo que não tive”, “Luz”, “Um braço forte”, “Veículo de aproximação para Deus”, “Exemplo de vida e fé”, “Importância indefinida” (queria dizer, talvez, “indefinível”), “Primeira entre as mulheres”, “Esperança do pobre num mundo melhor”.
Muitas frases primorosas encontramos aí, algumas de forte e profundo conteúdo teológico. Não negamos a presença, também, de respostas que denotam a mentalidade sincrética religiosa de boa parte do nosso povo e até o processo de deificação dos santos católicos, como nas expressões: “Ela é um Deus para mim” e “Um segundo Deus para mim”. O brilho, porém, de respostas tais como “Figura que participa dos problemas do povo”, “Esperança do pobre num mundo melhor”, “Perpetua as promessas de salvação” e outras, nos põe em contato com outra realidade: o novo que está surgindo sob a forma de uma compreensão renovada da vivência da fé cristã e dos símbolos religiosos católicos, numa parcela do povo de Deus, fruto provável de uma pregação mais comprometida da fé e do testemunho cristãos, e já em vias de assimilação por parte deste povo.

A REPRESENTAÇÃO DE MÃE
A nosso ver, podemos classificar o conjunto das quase 550 respostas em quatro categorias principais. Assim, pela ordem das freqüências, temos em primeiro lugar as representações da Senhora do Carmo como a MÃE do Cristo e nossa, Protetora, Apoio, que faz milagres, usa o seu Poder e intercede em favor dos filhos, é considerada tudo para eles. São todas expressões ligadas à Proteção. Poderíamos dizer que os entrevistados buscaram em Nossa Senhora do Carmo sobretudo Proteção, Carinho de Mãe. Não devemos, contudo, nos entusiasmar com o termo “Tudo para mim”: pode tratar-se, muitas vezes, de algo dito sob o calor das manifestações festivas da devoção, ou para “se livrar” logo de um pesquisador importuno!
Em segundo lugar, temos as representações da Senhora do Carmo como símbolo de valores religiosos universais: fé, amor, esperança, paz e outros. São universais, porque, porque todas as religiões os perseguem, os buscam.
Vem, em terceiro, o reconhecimento popular do padroado de Nossa Senhora do Carmo sobre a cidade do Recife. E, por último, isso que chamávamos de “o novo” que vem surgindo nas representações da Senhora do Carmo nas cabeças de parcela dos devotos: as expressões que traem um compreensão nova dos símbolos religiosos católicos, ligados aos enfoques da Teologia da Libertação sobre as Verdades da Fé Cristã.

AS CARÊNCIAS DO POVO
A procura de proteção brota de uma situação de carência reconhecida pelo fiel. Esta carência deveria ser preenchida através do processo de maturação humana, no qual a pessoa pode vir a cuidar de si como o pai-e-mãe de si própria. Neste caso, a figura da mãe não cria mais relação de dependência como na infância; porém, eu desenvolvo um relacionamento afetivo o qual me deixa, no entanto, autônomo, senhor de mim mesmo, frente a ela. No nosso povo devoto, as carências podem não ser apenas afetivas – e não o são, de fato – mas, econômicas, de saúde, por solidão, de justiça e outras, que a entrevista detectou numa pergunta especial sobre isto. Por isso, a busca da proteção da Mãe do Céu fez-se premente em vista desta gama de situações que a maioria não consegue resolver por si nem em conjunto, pois lhes falta o sentido de organização comunitária para reivindicar, exigir seus direitos.

Para a parcela da quarta categoria, Maria, sem deixar de ser Mãe, é no entanto esta força dinâmica que puxa a organização do povo para a frente, dá-lhe esperança na luta. E, envolvida com os valores religiosos universais, a Senhora do Carmo entra a fazer parte, simbolicamente, desta enorme corrente ecumênica que aspira por uma Humanidade melhor, por uma Vida em plenitude, que valha mais à pena se vivida.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 634. Os Carmelitas em Limeira.

14º Domingo do Tempo Comum. Ano- A: Homilia do Frei Petrônio.