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A Palavra do Frei Petrônio

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Corpus Christi Desfigurado.

Frei Petrônio de Miranda, Padre e Jornalista Carmelita.
Convento do Carmo, Lapa, Rio de Janeiro. 19 de junho-2014.


O Corpo de Cristo nasceu no relento e passou frio.
Ele clama aos céus pela alma dos 271 Moradores
De Rua assassinados em 2012 e mais 113 neste ano.
O Corpo de Cristo foi esquecido pelos Apóstolos.
Ele sangra no corpo dos Meninos de Rua assassinados
Ele é abandonado nos abrigos de idosos e nas aldeias.
Na zona rural, nos hospitais, nos morros e nas favelas.


O Corpo de Cristo teve sede no alto da cruz.
Ele sofre com as vítimas da seca no Nordeste
E com o abandono dos favelados nas grandes metrópoles
O Corpo de Cristo foi coroado com espinhos.
Ele é ferido todos os dias pelos espinhos do consumo
Dos políticos corruptos e dos fanáticos religiosos.
Ele sofre diante da morte de mais de 500 índios desde 2003
E grita contra o preconceito racial, étnico e sexual.  


O Corpo de Cristo derramou lágrimas de sangue.
Ele chora com a morte das 38 mulheres assassinadas
Este ano na Paraíba, e as 92 mil entre anos 1980 e 2010.
O Corpo de Cristo sentiu dor e foi chicoteado.
Ele sofre diante do assassinato dos 336 homossexuais em 2012
E lamenta as 11 vítimas do preconceito neste ano em Pernambuco.


O Corpo de Cristo foi pregado na cruz e morto
Ele clama pelos 121 jornalistas assassinados no mundo
Em 2012 e os 36 trabalhadores rurais no Brasil em 2013.
O Corpo de Cristo foi ferido na cruz por uma espada de dor.
Ele se compadece com as dores das prostitutas e dos drogados.
O Corpo de Cristo carregou a cruz dos ladrões e assassinos
Ele alivia a cruz dos aidéticos, das viúvas e das mães solteiras
Ele chora a morte de 35 mil jovens negros no Brasil entre 2002 e 2010.


O Corpo de Cristo foi tirado da cruz e acolhido nos braços de sua mãe.
Ele abençoa os corpos solitários, depressivos e corrompidos.
O Corpo de Cristo foi sepultado, enfaixado e fechado no túmulo da morte.
Ele chora o aniquilamento dos índios, dos mendigos e dos presos.
O Corpo de Cristo passou três dias na escuridão e no esquecimento
Ele protege os esquecidos da mídia e as vítimas da liberdade de expressão
O Corpo de Cristo venceu a morte, ressuscitou e subiu aos céus... Céus?
Bem... Ele sofre, chora, rir e ressuscita todos os dias nos corpos desfigurados.

Corpus Christi despedaçado.

Por Frei Petrônio de Miranda, Padre e Jornalista Carmelita. Convento do Carmo, São Paulo. 06 de maio-2012. Atualização: Convento do Carmo, Lapa, Rio de Janeiro. 19 de junho-2014. Festa de Corpus Christi. Ouça o áudio. Clique aqui: http://mais.uol.com.br/view/77gsd7cnudte/poema-corpus-christi-despedacado-completo-04020D9A3570C8B91326?types=A& Veja o vídeo. Clique aqui:


Ó Jesus no ventre materno
Em Maria a gerar.
Olha para as mães grávidas
Sem família e sem um lar.
Junta todos os pedaços,
De sangue, suor e dor.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem mostrar o teu amor!

Sacramento do amor
Pão da vida salutar.
Os sem teto chorando
Seu suor a derramar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Este povo a clamar
Junta todos os pedaços,
Vem logo os ajudar!

Com os Mártires da terra,
Nós queremos te adorar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Este sangue a derramar,
Estas vidas em pedaços,
Este povo a caminhar.
Com os jovens sofredores
Nós iremos te louvar!

Partilhar a Boa Nova
A todos saber amar.
Estas vidas em pedaços
Este povo a caminhar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem logo nos ajudar,
Abraça as mães solteiras,
E as viúvas a chorar!

Estas crianças sofridas,
Estes jovens a lutar.
Destrói do nosso país,
A droga a maltratar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem logo nos confortar,
Estas vidas em pedaços,
Sem terra e sem um lar!

Os presos do nosso país,
Vivendo sempre a chorar,
Suas vidas em pedaços,
Com as famílias a gritar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Este povo a suplicar.
Quebra toda corrente,
Que possa aprisionar!

A violência da mídia,
Entrando em nosso lar.
Até a nossa irmã Morte,
Sempre a nos visitar.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem sempre nos acalmar,
Estas vidas em pedaços,
Precisam se libertar!

Este país que vale ouro,
A mentira a corroer.
A Aids levando vidas,
A corrupção a vencer.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem logo nos socorrer
Estas vidas em pedaços,
Contigo vamos vencer!

Se depender de oração,
Este povo vai se salvar.
Com as novenas e rezas,
Todo o povo a suplicar.
Mas as vidas em pedaços
Quem poderá ajuntar?
Ó meu Jesus Eucarístico,
Venha nos conscientizar!

Neste ano decisivo,
Onde o voto tem valor,
Às vidas despedaçadas,
Sem socorro e sem amor,
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem logo nos levantar,
Livra-nos da corrupção,
E dos políticos a enganar!

Em cada cidade clamamos,
Meu Jesus libertador.
Olha por estas famílias,
Com carinho e com amor.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Do álcool vem libertar,
A estas vidas em pedaços,
A tua paz vem nos dar!

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 613. Entrevista.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O CAMINHO DE DOM VITAL-02: Reportagem do Olhar

DOM VITAL: Local do acidente-02.

DOM VITAL: Local do acidente-02.

A PALAVRA... Nº 611. Homenagem a Dom Vital.

DOM VITAL: Local do acidente-02.

O CAMINHO DE DOM VITAL-01: Reportagem do Olhar

terça-feira, 17 de junho de 2014

“Jesus não quer príncipes, mas servidores”, diz Papa Francisco em entrevista

O Papa Francisco não acredita que seja um iluminado, mas cativou o mundo sem deixar ninguém indiferente, quer seja católico ou não. É o que demonstra na entrevista que deu a Henrique Cymerman e que no domingo foi veiculada pela Cuatro, a primeira para uma televisão espanhola. Fonte: http://bit.ly/1kYJMTE
Israel e Palestina, ponto de partida na qual Bergoglio aborda muitos assuntos, alguns fundamentais para a Igreja. Questões como a via soberanista na Catalunha. Além de grandes reflexões, também fala da Copa do Mundo.
A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 16-06-2014. A tradução é de André Langer.
O Papa, sobre seu encontro com os líderes da Palestina e Israel: “Não era um ato político”
“Não era um ato político, mas religioso. A oração também é um ato político com maiúscula. Alguém dizia que com a oração se faz pouco, mas sem a oração se faz menos. Na reunião presidimos todos, até o homem que tocava o violino”.
O Papa Francisco: “Não sei se sou revolucionário”
“Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que essas raízes querem dizer nos dias de hoje. Não sei se sou revolucionário, mas gosto de ir às nossas raízes da identidade cristã, judaica... e a partir daí dialogar com os desafios que vão se apresentando. Não há contradição entre ser revolucionário e ir às raízes. A maneira de fazer verdadeiras mudanças é a partir da própria identidade.”

Sobre a perseguição católica atual: “Há mais cristãos mártires do que naquela época”
“Estou convencido de que a perseguição contra os cristãos, hoje, é mais forte que nos primeiros séculos da Igreja. Hoje, há mais cristãos mártires do que naquela época.”
“Não vou saudar um povo e dizer-lhe que o quero bem dentro de uma lata de sardinhas”
“Sei que pode me acontecer alguma coisa, mas isso está nas mãos de Deus. Recordo que no Brasil haviam preparado um papamóvel fechado, com vidros, mas eu não posso saudar um povo e dizer-lhe que gosto muito dele dentro de uma lata de sardinhas, mesmo que seja de vidro. Para mim, isso é um muro. É verdade que algo pode me acontecer, mas sejamos realistas: na minha idade, não tenho muito a perder.”

O pontífice, sobre as riquezas da Igreja: “Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza”
“Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza. O Povo de Deus perdoa um pastor, um padre, que tenha tido um deslize afetivo. Perdoa-o. Que tenha tomado um pouquinho a mais de vinho. Perdoa-o. Mas nunca vai lhe perdoar que esteja atrás do dinheiro ou que maltrate as pessoas. Curioso como o povo tem o olfato do que Deus pede a um pastor. Jesus não quer que sejamos príncipes, mas servidores.”

Sobre as mudanças: “Estou apenas cumprindo o que os cardeais refletiram”
“Quero deixar claro que não tenho nenhuma iluminação, que não tenho nenhum projeto pessoal, porque nunca pensei que ficaria aqui. O que estou fazendo é cumprir o que os cardeais refletiram nas Congregações Gerais antes do conclave. Ali nos reunimos todos os dias para discutir os problemas da Igreja. Daí sai uma série de reflexões e conselhos para o próximo papa. Eu os estou cumprindo.”

“Às vezes, pela religião chegamos a contradições muito sérias”, declarou Francisco
“É uma contradição. É como se me dissessem: ‘Este homem é um bom filho, bate apenas três vezes por dia na mãe’. Em perspectiva histórica, os cristãos, às vezes, praticaram a violência em nome de Deus. Chegamos, às vezes, pela religião, a contradições muito sérias, muito graves.”
Após o abraço em frente ao Muro das Lamentações: “É possível a amizade entre as três religiões”
“Tomei uma decisão e Skorka sabia. Quis ir também com um bom amigo islâmico. Um homem que conhece muito bem o Islã. Como os amigos não se fazem com fotocópias cada um é diferente. Quero-os aos dois um montão e um não têm nada a ver com o outro. Disse: ‘Aqui estamos as três religiões e é possível a amizade para dar testemunho’. Conseguimos. Foi um grito de vitória porque tínhamos a esperança de poder fazer isso”.

“Há pessoas que negam o Holocausto”, disse sobre o antissemitismo
“Não saberia explicar porque existe, mas creio que está muito unido, em geral, à direita. O antissemitismo costuma aninhar-se melhor nas correntes políticas de direita que de esquerda, não? E continua até hoje. Há, inclusive, quem negue o holocausto, uma loucura.”

Assim recorda a Segunda Guerra Mundial
“Dá-me um pouco de urticária existencial quando vejo que todos atacam a Igreja e Pio XII... E as grandes potências? As grandes potências conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazistas que levavam os judeus aos campos de concentração. Tinham fotos. Mas não bombardearam esses trilhos. Falemos de tudo um pouquinho. Creio que é preciso ser muito justo neste tema.”
             
Dos políticos: “Os políticos jovens falam dos mesmos problemas, mas com uma música diferente”
“Os políticos jovens talvez falem dos mesmos problemas, mas com uma música diferente, e gosto disso. Isso me dá esperança, porque a política é uma das formas mais elevadas do amor, da caridade, porque leva ao bem comum. Uma pessoa que, podendo fazê-lo, não se envolve com o bem comum, é egoísta; ou que usa a política para o bem próprio, é corrupção.”

O que acha do conflito com a Catalunha?
“Qualquer divisão me preocupa. Há independência por emancipação e há independência por secessão. A independência por secessão é um desmembramento e, às vezes, é muito óbvia. Há povos com culturas tão diversas que nem com cola pegam. Eu me pergunto se é tão claro em outros casos, em outros povos que até agora estiveram juntos. É preciso estudar caso a caso. Haverá casos que são justos e casos que não são justos, mas a secessão de um país sem um antecedente de unidade forçada é preciso tomá-lo com muitas pinças e analisá-lo caso a caso.”

Sobre a Copa do Mundo: “Espero poder ver algum jogo”

“Os brasileiros me pediram neutralidade e cumpro com minha palavra, porque o Brasil e a Argentina sempre são rivais. Espero poder ver algum jogo. Fiz um vídeo para a abertura porque se deve aproveitar um acontecimento lúdico para criar a cultura do encontro, da fraternidade.”.
O Pontífice gostaria de ser recordado como “um cara bom”
“Não pensei nisso, mas gosto quando alguém, recordando outra pessoa, diz: ‘Era um cara bom, fez o que pôde, não foi tão ruim’. Com isso me conformo.”

O perfil do diabo, o inimigo da sociedade, segundo Francisco.

Artigo de Agostino Paravicini Bagliani
Se a tradição cristã que atribui ao demônio um papel de absoluto perigo para a sociedade é antiquíssima, o modo com que o Papa Francisco fala do demônio é moderno. O demônio não é mais um inimigo genérico da sociedade.
A análise é do historiador italiano Agostino Paravicini Bagliani, professor da Università Vita-Salute San Raffaele, de Milão, ex-scriptor da Biblioteca Apostólica Vaticana e ex-professor da Escola Vaticana de Paleografia, Diplomática e Arquivística. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 13-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.
Há poucos dias, no dia 1º de junho, no seu discurso no Stadio Olimpico, em Roma, o Papa Francisco disse que o diabo "não quer a família, eis por que ele tenta destruí-la". Alguns meses antes (1º de abril), durante a homilia matinal em Santa Marta, o papa se referira ao diabo para reafirmar a sua existência: "O diabo existe. O diabo existe. Mesmo no século XXI".
Já na sua primeira homilia na Capela Sistina, no dia seguinte à sua eleição (13 de março de 2013), diante dos cardeais que o elegeram, Francisco, falando de improviso, lembrou o diabo, afirmando que "quando não se confessa Jesus Cristo se confessa a mundanidade do demônio".
Essa frequentíssima referência ao demônio poderia, à primeira vista, surpreender, não fosse o caso de que todos os papas dessas últimas décadas falaram do demônio. Paulo VI escolheu até o dia 29 junho de 1972, festa de São Pedro, para defender com gravidade que "de alguma fissura parece que entrou a fumaça de Satanás no templo de Deus".
João Paulo II teria até celebrado duas vezes o rito de exorcismo na sua capela privada. Também para o Papa Wojtyla, a existência do demônio era real. Ele o disse no dia 24 maio de 1987, em Monte Sant'Angelo, no lugar em que nasceu o culto do Arcanjo Miguel: "O demônio ainda está vivo e operante no mundo". O mal não é apenas a consequência do pecado original, mas também "o efeito da ação infestadora e obscura de Satanás".
Bento XVI advertiu um dia (26 de agosto de 2012) os fiéis que acorreram a Castel Gandolfo para o Ângelus que a "culpa mais grave de Judas foi a falsidade, que é a marca do diabo".
Leão XIII (1878-1903) formulou até uma oração a São Miguel Arcanjo, para que protegesse os cristãos "nesta ardente batalha contra todas as potências das trevas e a sua malícia espiritual".
Em relação aos seus antecessores, o Papa Francisco, no entanto, usa um estilo diferente para falar do demônio, mais moderno, menos retórico, direto e simples. Poucas palavras bastam. "O diabo existe. O diabo existe. Mesmo no século XXI".
Se a linguagem do Papa Francisco é tão simples, a substância está em perfeita sintonia com a tradição. Para Francisco também, o demônio é uma realidade, aquela "realidade terrível, misteriosa e assustadora", de que falava Paulo VI.
Também para Francisco, o demônio é o principal inimigo da sociedade, a ponto de poder também destruir seus fundamentos, como por exemplo a família. Nesse sentido, a continuidade atravessa os séculos. Já para os primeiros escritores cristãos, o demônio é, por exemplo, o instigador dos sentidos, a tal ponto que se considerava que o demônio fazia com que se perdesse o controle da razão através do riso.

Para descrever os primeiros casos de heresias medievais, o monge Rodolfo Glaber, "o historiador do ano mil", atribui ao demônio um papel de protagonista, graças também ao seu poder de se transformar. A "loucura" do camponês Leutardo de Vertus, que "se livrou da mulher" e quis justificar o divórcio "alegando as prescrições do Evangelho" começou quando "um enorme enxame de abelhas" – metáfora do demônio – entrou no seu corpo.
O culto Vilgardo de Ravenna, que havia lido com paixão os autores clássicos, tornou-se "cada vez mais insensato" por causa de "certos diabos que assumiram o aspecto dos poetas Virgílio, Horácio e Juvenal". Nos grandes momentos de transformação da sociedade medieval, o demônio sempre aparece como o principal inimigo da sociedade.
Ao redor de 1430, quando, na Itália (Roma, Todi) e no norte dos Alpes, aparecem as primeiras caças às bruxas, à frente da suposta seita do "Sabbath" é posto o demônio, a quem bruxas e bruxos rendem homenagem realizando orgias e similares. O trágico fantasma do "Sabbath" das bruxas precisou do demônio para existir e assim funcionou por mais de três séculos na Europa cristã, católica e protestante.
Se a tradição cristã que atribui ao demônio um papel de absoluto perigo para a sociedade é antiquíssima, o modo com que o Papa Francisco fala do demônio é moderno. O demônio não é mais um inimigo genérico da sociedade.
Os temas são aqueles que falam às pessoas, à família, ao dinheiro. Além disso, o papa o faz usando palavras simples, claras e diretas. Com mais eficácia do que os seus antecessores, mas não se separando deles na substância.