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A Palavra do Frei Petrônio

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A PALAVRA. Nº 534. A fidelidade de São João Batista.

Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.

                                           Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
2º Texto para reflexão: A Dimensão contemplativa da vida Carmelitana.
 
           
Com efeito, desde as origens, a comunidade dos carmelitas adotou um estilo contemplativo, tanto nas estruturas como nos valores fundamentais. E tal estilo ressalta da Regra com evidên­cia. A Regra delineia uma comunidade de irmãos toda entregue à escuta orante da palavra ([1]) e assídua na celebração do louvor do seu Senhor ([2]); uma comunidade composta por pessoas que sabem deixar-se habitar e plasmar pelos valores do Espírito: castidade, pensamentos santos, justiça, amor, fé, espera da salvação ([3]), trabalho realizado na paz ([4]), silêncio que, como afirma o Profeta, é o culto da justiça e que dá sabedoria ao falar e ao agir ([5]), discernimento que é "o orientador das virtudes" ([6]).
            A tradição da Ordem sempre interpretou a Regra e o carisma fundante como expressão da dimensão contemplativa da vida, e para esta vocação contemplativa sempre se voltam os grandes mes­tres espirituais da Família Carmelitana. A contemplação começa quando nos entregamos a Deus, qualquer que seja o modo que Ele escolha para achegar-se de nós. É uma atitude de abertura a Deus, cuja presença encontramos em toda parte. A contemplação constitui, assim, a viagem interior do Carmelita proveniente da livre iniciativa de Deus, que o toca e o transforma, rumo à unidade de amor com Ele. Esta é uma experiência transformante por parte do amor de Deus, que é soberano. Este amor esvazia-nos dos nossos modos humanos de pensar, amar e agir, limitados e imper­feitos, transformando-os em divinos.
A contemplação possui ainda um valor evangélico e eclesial ([7]). O seu exercício não só é fonte da nossa vida es­piritual, mas também determina a qualidade da nossa vida fraterna e da nosso serviço no meio do Povo de Deus ([8]).
            De fato, os valores da contemplação, se vividos com fidelidade nas com­plexas vicissitudes da vida cotidiana, fazem da fraternidade carmelitana um testemunho da presença viva e misteriosa de Deus no meio do seu povo. A busca do rosto de Deus e o acolhimento dos dons do Espírito tornam a nossa fraternidade mais atenta aos sinais dos tempos, mais sensível às sementes da presença do Verbo na História, através até da visão e valorização dos fatos e dos eventos na vida da Igreja e da sociedade ([9]).     Assim, o Carmelo solidário como Jesus Cristo com os dramas e esperanças da humanidade ([10]), saberá assumir decisões adequadas para transformar a vida e fazê-la conforme com a vontade do Pai.
            Além disto, para o bem da Igreja, ajudará todos os que se sentirem chamados para a vida eremítica.

Para meditação individual.

Texto Bíblico. 1º Reis, 19, 9- 14.

2º- É possível contemplar e silenciar no barulho familiar, sonoro, audiovisual e midiático (Televisão, rádio, internet, escrita...) ou é necessário fugir a exemplo do Profeta Elias para encontrar Deus?    

1º- Segundo o mártir e beato Carmelita, vítima da Segunda Guerra Mundial, Frei Tito Brandsma, “Devemos olhar o mundo com Deus no fundo”. Diante da violência, guerra, fome, catástrofes e luta pela sobrevivência, consigo ver Deus agindo no meio dessa grande confusão ou está tudo perdido? 


    [1]  Cf Regra  c. 7.
    [2]  Cf Regra  c. 8.
    [3]  Cf Regra  c. 14.
    [4]  Cf Regra  c. 15
    [5]. Cf Regra  c.16
    [6]  Cf Regra  Epílogo
    [7]. Cf PC 7; can. 674.
    [8]. Congregação Geral de 1986, 406
    [9]. Cf. GS 41; 2º Conselho das Províncias 93
    [10]  Cf  GS 1.

Mãe e Irmã dos Carmelitas: Um Padre, a Morte e Nossa Senhora.

Aparecido Antunes, sou ex-frade carmelita,


O ano é 2002, decorriam as festividades dos 750 anos do escapulário, e fui convidado para participar da visita da Imagem peregrina na cidade de Pouso Alegre, juntamente com outros frades e as irmãs carmelitas do Divino Coração.

Durante uma semana, visitamos várias paróquias, escolas e o Carmelo das monjas de clausura, fizemos carretas e muitas homenagens.

Mas uma visita me marcou muito, foi quando a Imagem peregrina visitou um hospital público e lá podia se sentir a fé e o carinho com que as pessoas acolhiam a Mãe de Jesus em suas vidas naquele momento de dor e sofrimento. Mas um fato faria compreender concretamente o que é ser Carmelita.

De quarto em quarto, eu e a Ir. Lúcia levávamos uma pequena imagem de Nossa Senhora. Visitávamos os acamados impondo o Santo escapulário e levando uma palavra de esperança. Em um desses quartos vimos uma família conversando e num quanto do quarto uma cama com um senhor muito idoso, muito debilitado. Fomos até ele e sua aparência não era tranquila e sim longe e dispersa, mas ao ver a imagem de Nossa Senhora uma força brotou dentro de seu coração e com dificuldades ele quis pegar a imagem e abraça-la como quem encontra alguém muito querido.

Perguntamos se ele queria receber o escapulário, acenou com a cabeça que sim e assim o fizemos. Neste momento a família se deu conta que estávamos ali, parece que estavam já conversando como seriam aquelas próximas horas. Então uma moça se aproximou, perguntei se aquele senhor seria parente dela, ela disse que sim, era tio. E que ele era padre.  Imagine o nosso espanto!

Segundo ela, ele morava num povoado próximo de Pouso Alegre e que por muito tempo  viveu nesse povoadinho isolado e longe da agitação. E tinha a fama de ser muito duro, rígido, bravo e isso o afastou do convívio dos padres da região.

Após essa conversa, pedimos ao padre se ele poderia nos dar uma benção e traçando uma cruz na nossa frente, já com o olhar radiante. Fomos embora, consternados e pensativos!

Durante a noite, vinha na minha cabeça à imagem daquele padre, ali não inteiramente só, mas como se aqueles parentes estivessem ali só para dar sequência nos fatos que poderiam acontecer naquela noite presentes ali, mas nenhum sinal de afeto, frios. Logo de manhã participei da missa na capela das monjas, e no final da celebração o padre que presidia disse que tinha um aviso.

“Nesta madrugada, faleceu o padre... os mais velhos devem conhecê-lo e sabem do seu temperamento e de sua rigidez, mas um fato talvez poucos saibam. Quando ainda era seminarista em Mariana, o diretor espiritual chamou todos os seminaristas para uma conversa e disse que era importante que seguissem um itinerário espiritual e sugeriu que todos passassem a seguir aos ensinamentos da Ordem Terceira de São Domingos, dos Padres Dominicanos. E assim os seminaristas fizeram, menos um Padre.... Esse teimou com seu diretor espiritual que não queria ser da Ordem Terceira Dominicana, mas da Ordem Terceira do Carmo. E assim, a contra gosto do seu diretor espiritual ele se consagram na Ordem Terceira do Carmo. Assim, um pacto estaria selado, uma aliança duradoura entre ele e a Irmã dos Carmelita.

Aliança, que não se rompeu apesar da distancia entre aquele dia e o desta madrugada, pois antes da aurora da vida nova, Nossa Senhora confirma sua promessa e vem ao encontro de seu irmão, juntamente com um frade e uma irmã. Tem sinal mais claro que ser Carmelita é pertencer a uma família?”.
Naquele momento, entendi o que é Ser Carmelita, é pertencer a uma família, terrena e Celestial.
Chamo-me Aparecido Antunes, sou ex-frade carmelita, casado com Josely, pai do João, da Maria e da Júlia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 533. A Teimosia da Vida.

Juiz paraibano deixa magistratura para se dedicar a vida religiosa

O Juiz Fabiano Moura de Moura deixa a magistratura como o vigésimo nono juiz mais antigo da Paraíba, apesar de seus apenas 44 anos de idade, tendo alçado à condição de juiz mais novo do Brasil a compor uma Corte Eleitoral. O mesmo é irmão do prefeito de Riachão, Fabio Moura de Moura, e filhos de Dona Tête, Irmã do Ex-governador Ronaldo Cunha Lima.
Fabiano segundo relatos já era Diácono da Igreja Católica ha algum tempo e por motivos da separação teria que deixar o ministério ou se dedicar inteiramente a vida sacramental, homem de muita fé e devoção à Deus fez uma escolha, que nos tempos de hoje é digna de toda nossa admiração:

Veja os motivos

Carta Aberta aos Meus Amigos

Tomei uma grande decisão em minha vida. Pedi aposentadoria da condição de juiz de direito, função que durante anos pude dedicar-me com responsabilidade e amor.

A recente Lei que diminui o prazo de contribuição para os deficientes me deu a oportunidade de poder optar pela aposentadoria. Para os que não sabem, desde que nasci, tenho visão monocular ( CID. 10 H 54-4). Sou cego de um olho, mas enxergo bem pelo outro. Fiz a opção de não viver lamentando pela visão que não tenho, mas louvar pela graça de ter um olho que me permite enxergar bem. Hoje, justamente por essa cegueira, terei o direito de dar à minha vida o rumo que desejo pelas razões que passo a apresentar:

1- Passei anos de minha vida na condição de magistrado. Função que honra e dignifica qualquer pessoa. É uma atividade de muito poder que termina por gerar um respeito imenso das pessoas com quem esse profissional convive. Foi um tempo maravilhoso em que pude ajudar a muita gente com minhas decisões e sentir-me útil na resolução de tantos conflitos.

2- Tive uma carreira exitosa, com reconhecimento local e vários registros e comendas nacionais pelos maiores órgãos da justiça brasileira. Saí da magistratura como o vigésimo nono juiz mais antigo da Paraíba e, tendo eu apenas 44 anos de idade, tenho a consciência que chegaria ao mais alto cargo de minha carreira em meu Estado.  Tive a graça de ser o juiz mais novo do Brasil a compor uma corte eleitoral.

3- Contudo, preferi aposentar-me. Prefiro dar curso à vocação que arde em mim. Quero mais servir a Deus servindo aos meus irmãos e a uma Igreja viva. É verdade que, mesmo sendo juiz, pude iniciar uma vida de compromisso com aqueles que de mim precisaram dentro e fora da magistratura. Mas quero, distante do poder, ter mais tempo para dedicar-me à escuta e ao trabalho de evangelização na minha condição de batizado.

4- A nossa Igreja vive um momento tão bonito de transformação e responsabilidade  com seu povo que padece pela falta de solidariedade e compaixão. Enquanto eu puder viver a minha condição de batizado, quero oferecer-me inteiramente à prática do bem, sendo eu imperfeito, sendo Jesus perfeito em seu amor misericordioso.  Ouço a voz do Santo Padre, Papa Francisco, como um chamado para que todos de seu rebanho vivam a vocação de serviço sem temor e com todas as ofertas possíveis que cada membro dessa Igreja tem a colocar no altar. A minha oferta é a minha disponibilidade de servir a quem de mim precisar. É tudo que tenho. É o que posso oferecer.

5- Quero estar mais presente em atividades pastorais. Quero usar o meu potencial para falar para todos, nos mais diversos meios de comunicação, do amor de um Deus que nunca se esquece de nós. Quero utilizar meus conhecimentos científicos da Psicologia para atender em clínica (que pretendo em breve inaugurar), participar mais ativamente da Fundação Solidariedade ( onde sou Embaixador) e na Comunidade Eucarística Maná (onde me coloco como servo menor) como forma de solucionar conflitos humanos e espirituais.

6- Peço as orações de todos. Agradeço a todos os colegas e amigos de trabalho que me ajudaram a ser o juiz que pude testemunhar e, de forma especial, a cada irmão que me faz, a todo instante, crescer para o verdadeiro sentido da vida.

Renuncio ao poder dos homens para viver na dependência do único poder daquele que me interessa: Jesus Cristo.

Por último, aos meus filhos, Maria Thereza e Matheus, destinatários de todo meu amor, o meu pedido de compreensão por minha decisão que tem também o propósito de deixar para vocês um testemunho de que na vida o que importa não são os valores do poder pelo poder, mas o compromisso ético em melhor fazer o bem, cada vez mais, para aqueles que de nós precisarem. Eis a vocação que escolhi.

A todos, o meu carinho e consideração!!!

Pelas mãos de Maria, eis-me aqui, Senhor!!!
Fabiano Moura de Moura
Revista Novo Perfil
Com Araruna On Line


 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A PALAVRA... Nº 372. Entrevista com Frei Cláudio (1ª Parte).

Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.

Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana. 

1º Texto para reflexão: Maria e o Carmelo.
Por Santa Teresinha do Menino Jesus, Carmelita.
 Gostaria de ter sido padre para pregar a respeito da Santíssima Virgem! Para que um sermão sobre Maria me agrade e me faça bem, preciso apalpar-lhe a vida real e não uma vida imaginária; eu estou certa de que sua vida real devia ser bem simples. Mostram a Santíssima Virgem inabordável, quando deveriam mostrá-la imitável; fazer sobressair suas virtudes, dizer que ela vivia de fé como nós, apresentando as provas que nos dá o próprio Evangelho onde lemos: “E eles não entenderam o que lhes disse”. E esta outra, não menos misteriosa: “E seu pai e mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam”. Essa admiração supõe um  certo espanto.
Sabemos muito bem que a Santíssima Virgem é a rainha do céu e da terra; mas ela é mais mãe que rainha; e não se deve afirmar que, por causa de suas prerrogativas, ela eclipsa a glória de todos os santos, como o sol ao surgir faz desaparecer as estrelas. Meu Deus! Como é estranho! – que a mãe obscureça a glória d seu filhos! Penso exatamente o contrário, isto é, que ela aumentará, e bastante, o esplendor dos eleitos.
O que Maria possui mais do que nós, é que ela não podia pecar, pois estava isenta da mancha original; mas, por outro lado, foi menos feliz do que nós por não ter uma Santíssima Virgem para amar. É uma doçura a mais para nós e uma doçura a menos para ela.

 

PORQUE TE AMO, MARIA![1]

Oh! eu quisera cantar, ó Mãe porque te amo,
E porque, teu nome dulcíssimo faz palpitar forte meu coração,
E porque, ao pensar em tua grandeza imensa
O medo não pode dominar-me, oh! não.
Se eu te contemplasse na glória sublime,
Ultrapassando em brilho todos os eleitos,
Nem ao menos poderia crer, que sou tua filha,
 E diante de Ti, eu abaixaria o olhar.

 

                        Para que uma criança possa amar sua mãe

                        É preciso que esta, com ela chore e partilhe sua dor.

                        O’ Rainha do meu coração, nesta terra do exílio,

                        Para atrair-me a ti, quantas lágrimas choraste!

                        Contemplando tua vida, nas páginas do Evangelho,

                        eu ouso olhar-te, e aproximar-me de Ti,

                        E crer-me tua filha, pois eu te vejo,

                        ó Mãe, mortal e sofrida como eu. [....]

 

Tu me fazes sentir, que não é impossível,

Caminhar sobre teus passos, ó Rainha dos eleitos.

Tu me tornaste visível o caminho estreito do céu,

Praticando sempre as mais humildes virtudes.

Maria, junto de Ti, eu gosto de sentir-me pequenina.

Das grandezas da terra eu vejo a vaidade.

Em casa de Isabel, que recebe tua visita,

eu aprendo a praticar a ardente caridade. [....]

 

                        Eu sei que em Nazaré, ó Virgem cheia de graças

                       Tu vives pobrezinha, nada querendo a mais.

                        Vida simples, sem êxtases, arroubamentos ou milagres.

                        O número dos pobrezinhos é bem grande sobre a terra.

                        Estes podem sem medo elevar para Ti os olhos.

                        Por vias comuns, ó incomparável Mãe,

                        Eu quero caminhar par levá-los ao céu. [....]

 

Tu me apareces, Maria, no cume do Calvário,

De pé junto da cruz, como um sacerdote no altar,

Oferecendo para apaziguar a justiça do Pai,

Teu bem amado, o Emanuel.

Um profeta o disse, ó Mãe muito amada.

“Não existe dor, semelhante à tua dor”.

O’ Rainha dos céus, permanecendo no exílio,

dás para nós todo o sangue de teu coração.

 

                        A casa de São João torna-se a tua casa,

                       O filho de Zebedeu substitui o teu Jesus, o Filho de Deus.

                        Eis o último detalhe, que me dá o Evangelho

                        Sobre Ti, ó Mãe, Virgem Maria.

                        Mas, teu profundo silêncio, ó Virgem Mãe querida,

                        Não nos revela, que o Verbo eterno, quis Ele mesmo, cantar

                        Os segredos de tua vida para encantar teus filhos

                        todos os eleitos do céu?

 

Também eu ouvirei esta doce melodia.

Também no belo céu, eu vou Te ver.

Tu que vieste sorrir-me na manhã da vida,

Vem, sorri-me ainda, ó Mãe, eis a tarde!

Eu não temo o brilho da tua suprema glória.

Contigo eu sofri, e quero agora

Cantar sobre teus joelhos, Virgem,

Porque Te amo, e repetir para sempre que eu TE AMO!

 
Para meditação individual.

Texto Bíblico. Lc 1, 30-45.

1º - Segundo Sta. Teresinha, “Maria é mais mãe que rainha”. E na sua convivência devocional a Nossa Senhora do Carmo através do Escapulário, qual o papel da Mãe de Jesus na sua vida concreta: Trabalho, família, OTC, Igreja...  




[1] Alguns trechos da última poesia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Tradução de Sor Teresa Margarida, do Carmelo de São José, Três Pontas- MG.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 531. Delegado Provincial.

O Papa promulgará em 2015 uma nova Constituição Apostólica sobre a Vida Contemplativa

O Papa Francisco promulgará em 2015, Ano da Vida Consagrada, uma nova Constituição Apostólica sobre a Vida Contemplativa, que substituirá a atual Sponsa Christi, promulgada por Pio XII em 1950. A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 31-01-2014. A tradução é de André Langer.

A informação foi dada pelo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o cardeal João Braz de Aviz, e pelo secretário do mesmo dicastério, o arcebispo José Rodríguez Carballo, em uma coletiva de imprensa de apresentação do Ano da Vida Consagrada 2015, convocado pelo Pontíficeem 29 de novembro passado.

Braz de Aviz indicou que este ano está pensado no contexto dos 50 anos do Concílio Vaticano II e, em particular, dos 50 anos da publicação do decreto conciliar Perfectae Caritatis sobre a renovação da vida consagrada.

Estes 50 anos, segundo precisou, foram um tempo de “graça” para a vida consagrada, pela presença do Espírito Santo que, em qualquer caso, também levou a viver “as fraquezas e infidelidades como experiência da misericórdia e do amor de Deus”. Por isso, querem que seja uma ocasião para recordar “com memória grata” este passado recente.

“A vida consagrada nunca irá desaparecer”

Não obstante, apontou que querem assumir esta crise “não como a antessala da morte, mas como uma ocasião favorável para o crescimento em profundidade e, portanto, de esperança, motivada pela certeza de que a vida consagrada não irá desaparecer na Igreja”.

Além disso, o terceiro objetivo é dar testemunho da vida consagrada. “Os consagrados recolhem o testemunho deixado pelos fundadores e querem despertar o mundo com o seu testemunho profético e sua presença nas periferias existenciais da pobreza e do pensamento, como pediu o Papa Francisco aos Superiores Gerais”, destacou.

Legionários de Cristo

Aviz deu uma explicação sobre a situação atual dos Legionários de Cristo, que por estes dias realizam o seuCapítulo Geral para aprovar suas novas Constituições e para eleger suas novas autoridades. O cardeal assinalou que “é preciso distinguir entre o fundador que porta um carisma e o carisma em si mesmo”.

“Nem todos os fundadores que trazem uma graça boa à Igreja vivem segundo a graça que comunicam, e isto temos que reconhecer e distinguir bem as coisas. É um trabalho que estamos fazendo com muito cuidado, e não é fácil, pelo contrário, é muito difícil”, disse.

O cardeal fez estas declarações em referência ao fundador dos legionários, o sacerdote Marcial Maciel, cuja vida dupla levou a uma Visita Apostólica (investigação) da congregação em 2010 e à nomeação de um Delegado Pontifício, o cardeal Velasio De Paolis, que preside o Capítulo Geral que se realiza em Roma.

O cardeal Braz de Aviz disse que a distinção a que se refere “é uma questão que não é o caso apenas dosLegionários, mas que ocorre também em outros casos mais recentes ou mais antigos”.

O arcebispo José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação, por sua vez, leu uma nota sobre a situação dos legionários.

“Neste momento os legionários não dependem do nosso dicastério, não são da nossa competência. Como todos sabem, eles têm seu delegado pontifício, o cardeal De Paolis, que como tal responde diretamente ao Papa”, indica o texto.

“Neste momento realizam seu Capítulo Geral eletivo, depois do qual se verá se passam à competência do nosso dicastério ou não. caso voltarem à nossa competência, seria um sinal de que voltam à normalidade como instituto. Mas esta decisão depende somente do Santo Padre e qualquer decisão a este respeito será acolhida por nós com espírito de total disponibilidade”.

“Quando há comissário ou visitante apostólico, depende do nosso dicastério; ao contrário, quando há um delegado apostólico pontifício, depende do Santo Padre, e o mesmo se dá em todos os dicastérios”, concluiu.

Abertura do ano em novembro de 2014

O arcebispo Rodríguez Carballo explicou as iniciativas e eventos que estão sendo planejados para o Ano da Vida Consagrada, que poderá começar em outubro de 2014, coincidindo com o aniversário da Constituição conciliarLumen Gentium.

Carballo precisou que se pensa em uma abertura oficial com uma celebração solene na Basílica de São Pedro, possivelmente presidida pelo Santo Padre, que poderá ser celebrada no dia 21 de novembro, Dia Mundial Pro Orantibus.

Além disso, está prevista uma assembleia plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cujo tema será: “O novo na vida consagrada a partir do Vaticano II”.

Também acontecerão diversos encontros internacionais em Roma de jovens religiosos e religiosas, noviços, professores, formadores e formadoras, assim como um congresso internacional intitulado “Renovação da vida consagrada à luz do Concílio e perspectivas de futuro” e uma exposição internacional sobre “A vida consagrada, evangelho na história humana”.

Para o término do Ano da Vida Consagrada prevê-se outra celebração presidida pelo Papa Francisco para o dia 21 de novembro de 2015, quando se completam os 50 anos do decreto Perfectae Caritatis.

Circular do Papa sobre a Vida Consagrada

Além disso, ao longo do ano, o dicastério publicará a cada quatro meses uma circular sobre temas relativos à vida consagrada. A primeira deverá sair no próximo dia 02 de fevereiro e estará dedicada ao magistério do Santo Padresobre a vida consagrada, com o título “Alegrai-vos”.

Nos dias 08 e 09 de março, por desejo do Papa, o Antonianum de Roma será sede do simpósio sobre a administração dos bens patrimoniais e econômicos dos religiosos. Além disso, para as religiosas contemplativas haverá uma série de iniciativas conformes com a sua forma de vida, entre elas uma “Cadeia mundial de oração entre os conventos”.

Carballo acrescentou que estão sendo preparados alguns documentos em colaboração com a Congregação para os Bispos e se está revisando o documento Mutuae Relationes sobre as relações entre os bispos e os religiosos na Igreja. O Papa também mandou atualizar a instrução Verbi Sponsa, que trata da autonomia e da clausura das religiosas contemplativas.

Por outro lado, está se preparando um terceiro documento que tratará sobre a vida e a missão dos religiosos, e um quarto, que abordará a questão da gestão de bens por parte dos consagrados para oferecer linhas e orientações nas “complexas” situações que se apresentam neste âmbito.