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A Palavra do Frei Petrônio

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sábado, 7 de dezembro de 2013

E NÃO ACREDITO NO NATAL: Mensagem do Frei Petrônio.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 482. Construir Pontes.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 483. Festa da Imaculada.

08 DE DEZEMBRO: Imaculada Conceição. A visita do anjo a Maria: Surpresas de Deus (Lucas 1,26-38).

Frei Carlos Mesters e Lopes

O texto que meditaremos no próximo final de semana fala da visita do anjo a Maria. É um texto muito conhecido. Quando as coisas são muito conhecidas a gente já não presta tanta atenção. Assim acontece com a visita de Deus em nossas vidas. Ela é tão presente e tão contínua que, muitas vezes, já não a percebemos e, por isso, perdemos uma grande oportunidade de viver na paz e na alegria.

SITUANDO
O anúncio do anjo a Maria (Lc 1,26-38) vem depois do anúncio do anjo a Zacarias (Lc 1,5-25). Nos dois casos anuncia-se um nascimento. Vale a pena comparar os dois anúncios para perceber as semelhanças e diferenças. Descrevendo a visita do anjo a Maria e a Isabel, Lucas evoca as visitas de Deus a várias mulheres estéreis do AT: Sara, mãe de Isaque (Gn 18,9-25), Ana, mãe de Samuel (1SAm 1,9-18), a mãe de Sansão (Jz 13,2-5). A todos elas o anjo tinha anunciado o nascimento de um filho com missão importante na realização do plano de Deus. E agora, ele faz o mesmo anunciando a Isabel, esposa de Zacarias, e a Maria. Maria não é estéril. Ela é virgem. No AT, o anjo de Deus, muitas vezes, é o próprio Deus.
A Palavra de Deus chega a Maria não através de um texto bíblico, mas através de uma experiência profunda de Deus, manifestada na visita do anjo. Foi graças à ruminação da Palavra de Deus da Bíblia que ela foi capaz de perceber a Palavra viva de Deus na visita do anjo.

COMENTANDO
Lucas 1,26-27: A Palavra faz a sua entrada na vida

Lucas apresenta as pessoas e os lugares: uma virgem chamada Maria, prometida em casamento a um homem, chamado José, da casa de Davi. Nazaré, uma cidadezinha na Galileia. Galileia era periferia. O centro eram a Judeia e Jurusalém. O anjo Gabriel é o enviado de Deus para esta moça virgem que morava na periferia. O nome Gabriel significa Deus é forte. O nome Maria significa Amada de Javé ou Javé é o meu Senhor. A história da visita de Deus a Maria começa com a expressão "No sexto mês". Trata-se do "sexto mês" de gravidez de Isabel, parenta de Maria, uma senhora já de idade, precisando de ajuda. A necessidade concreta de Isabel é o pano de fundo de todo este episódio. Encontra-se no começo (Lc 1,26) e o fim (Lc 1,36.39).

Lucas 1,28-29: A reação de Maria

Foi no Templo que o anjo apareceu a Zacarias. A Maria ele aparece na casa dela. A Palavra de Deus atinge Maria no ambiente da vida de cada dia. O anjo diz: "Alegra-te! Cheia de Graça! O Senhor está contigo!" Palavras semelhantes já tinham sido ditas a Moisés (Ex 3,12), a Jeremias (Jr 1,8), a Gedeão (Jz 6,12), a Rute (Rt 2,4) e a muitos outros. Eles abrem o horizonte para a missão que estas pessoas do AT deviam realizar a serviço do povo de Deus. Intrigada com a saudação, Maria procura saber o significado. Ela é realista, usa a cabeça. Quer entender. Não aceita qualquer aparição ou inspiração.

Lucas 1,30-33: A explicação do anjo

"Não tenha medo, Maria!" Esta é sempre a primeira saudação de Deus ao ser humano: não ter medo! Em seguida, o anjo recorda as grandes promessas do passado que vão ser realizadas através do filho que vai nascer de  Maria. Este filho deve receber o nome de Jesus. Ele será chamado Filho do Altíssimo e nele se realizará, finalmente, o Reino de Deus prometido a Davi, que todos estavam esperando ansiosamente. Esta é a explicação que o anjo dá a Maria para ela não ficar assustada.

Lucas 1,34: Nova pergunta de Maria

Maria tem consciência da missão importante que está recebendo, mas ela permanece realista. Não se deixa embalar pela grandeza da oferta e olha a sua condição: "Como é que vai ser isto, se eu não conheço homem algum?" Ela analisa a oferta a partir dos critérios que nós, seres humanos, temos à nossa disposição. Pois, humanamente falando, não era possível que aquela oferta da Palavra de Deus se realizasse naquele momento.

Lucas 1,35-37: Nova explicação do anjo

O Espírito Santo, presente na Palavra de Deus desde o dia da Criação (Gênesis 1,2), consegue realizar coisas que parecem impossíveis. Por isso, o Santo que vai nascer de Maria será chamado Filho de Deus. Quando hoje a Palavra de Deus é acolhida pelos pobres sem estudo, algo novo acontece pela força do Espírito Santo! Algo tão novo e tão surpreendente como um filho nascer de uma virgem ou como um filho nascer de Isabel, uma senhora já de idade, da qual todo o mundo dizia que ela não podia ter neném! E o anjo acrescenta: "E olhe, Maria! Isabel, tua prima, já está no sexto mês!"

Lucas 1,38: A entrega de Maria

A resposta do anjo clareia tudo para Maria. Ela se entrega ao que Deus está pedindo: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua Palavra". Maria usa para si o título de serva, empregada do Senhor. O título vem de Isaías, que apresenta a missão do povo não como um privilégio, mas sim como um serviço aos outros povos. Mais tarde, Jesus, o filho que estava sendo gerado naquele momento, definirá sua missão como um serviço: "Não vim para ser servido, mas para servir" (Mt 20,28). Aprendeu da mãe!

ALARGANDO

Maria, modelo de comunidade

Lucas não fala muito sobre Maria, mas aquilo que fala tem grande profundidade. Quando fala de Maria, ele pensa nas comunidades. Apresenta Maria como modelo para a vida das comunidades. É na maneira de ela relacionar-se com a Palavra de Deus que Lucas vê a maneira mais correta para a comunidade relacionar-se com a Palavra de Deus: acolhê-la, encarná-la, vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-se moldar por ela, mesmo quando não a entendemos ou quando ela nos faz sofrer. Esta é a visão que está por trás dos textos dos capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas, que falam de Maria, a mãe de Jesus.
 
 
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A arte na sociedade unidimensional

Herbert Marcuse

Tratar a arte em seu sentido mais geral
Linguagem da arte – não só a da palavra
Morte da linguagem tradicional – já não consegue comunicar
Única linguagem revolucionária – a linguagem da arte
Radical demais em avaliar o poder da arte
As obras, como o Partenon Grego, a avaliar pela realidade ocidental, não vale o sangue e a lágrima de um só escravo

Qual a razão da agonia da arte em nosso tempo?
Os conceitos tradicionais são insuficientes
Crise atual da arte faz parte de uma crise geral da oposição política e moral à essa sociedade
Uma linguagem nova, poética e revolucionária
Tese surrealista – linguagem da arte é a única que não sucumbe ao poder
A linguagem poética está infestada e infectada
A arte, por si mesma, tende para a dimensão política sem abandonar a forma específica de arte

 
A dimensão estética vai perdendo seu simulacro de independência
Buscar a satisfação qualitativamente diferente, de novos objetivos
A era da barbárie não durará para sempre
Colocar  a energia sensual e apaziguante – evitar que seja subjugadas
Qual o papel? Negação da realidade estabelecida através da estética

A razão e a verdade da arte estão na sua irrealidade, na sua utopia
A arte poderia realizar-se somente sendo ilusão
A arte como dotada de uma verdade intrínseca, revelada pela linguagem
Existem coisas que são intrinsecamente estéticas
A arte descobre e libera o domínio da forma sensível
Sensação do objeto como visão e não como objeto familiar
Experimentar o devir do objeto

 Liberação do objeto do automatismo da percepção
Grande medida da potência estética do silêncio
A estética como dimensão além da arte, da realidade
Não terá chegado o momento de unir estética e política?
Para fazer da sociedade uma obra de arte
A arte não cumpre a transformação, mas libera percepção e sensibilidade para ela

Pressupões mudanças fundamentais na sociedade
Receptividade para a beleza e a atividade do conhecimento parecem opostas
Hegel – organização racional para a harmonia entre geral e particular
Conferir ordem à matéria para conceder-lhe um fim
Arte como ilusão – apresenta como existente aquilo que não é

Provê a realidade miserável de um gratificação substitutiva
Beleza, dor, amargura – se convertem em beleza
Como catarse, purificação, transe
Dessublimar o horror e a alegria
O terror da realidade impede a criação da arte? Não

O que justifica a futilidade da arte de hoje é o seu caráter totalitário e unidimensional de nossa sociedade?
A arte é histórica – a situação e função dela está mudando
Real e realidade como domínio prospectivo da arte
Condições para a criação do belo, como expressão e objetivo de um novo sistema de vida

Não uma arte política, não a política como arte – arquitetura de uma sociedade livre
Hoje pode ajudar a libertar o inconsciente e o consciente mutilados
A mudança real é do âmbito da política – o artista participa como cidadão

A sociedade do espetáculo

Guy Debord
 
Guy Debord –
(Paris, 28 de dezembro de 1931 — 30 de novembro de 1994) foi um escritor francês. Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista (movimento internacional de cunho político e artístico no final da década de 60 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais )e da Internacional Letrista e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.( uma greve geral que aconteceu na França. uma escalada do conflito que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses.)
A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quanto da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.
A separação acabada
E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser.... (Feuerbach, prefácio à segunda edição de A essência do cristianismo.)
1- Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação.
2 - As imagens que se desligaram de cada aspecto da vida fundem-se num curso comum, onde a unidade desta vida já não pode ser restabelecida. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.
3 - O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade, e como instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo o olhar e toda a consciência.
4 -O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.
5 - O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto das técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é bem mais uma visão do mundo que se objetivou.
6 - O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário o consumo.
7 - A própria separação faz parte da unidade do mundo, da práxis social global que se cindiu em realidade e imagem. A prática social, perante a qual se põe o espetáculo autônomo, é também a totalidade real que contém o espetáculo.
8 - Não se pode opor abstratamente o espetáculo e a atividade social efetiva; este desdobramento está ele próprio desdobrado. Cada noção assim fixada não tem por fundamento senão a sua passagem ao oposto: a realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real. Esta alienação recíproca é a essência e o sustento da sociedade existente.
9 - No mundo realmente reinvertido, o verdadeiro é um momento do falso.
10 - O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. As suas diversidades e contrastes são as aparências desta aparência organizada socialmente, que deve, ela própria, ser reconhecida na sua verdade geral. Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, isto é, social, como simples aparência.
11 - Para descrever o espetáculo, a sua formação, as suas funções e as forças que tendem para a sua dissolução, é preciso distinguir artificialmente elementos inseparáveis. Mas o espetáculo não é outra coisa senão o sentido da prática total de uma formação socioeconômica, o seu emprego do tempo. É o momento histórico que nos contém.
12 - O espetáculo apresenta-se como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Ele nada mais diz senão que "o que aparece é bom, o que é bom aparece".
13 – O espetáculo é o sol que não tem poente, no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e banha-se indefinidamente na sua própria glória.
14 - A sociedade que repousa sobre a indústria moderna não é fortuitamente ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculosa. No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenvolvimento é tudo. O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si próprio.
15 - Enquanto indispensável adorno dos objetos hoje produzidos, enquanto exposição geral da racionalidade do sistema, e enquanto setor econômico avançado que modela diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual.
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6 - O espetáculo submete a si os homens vivos, na medida em que a economia já os submeteu totalmente. Ele não é nada mais do que a economia desenvolvendo-se para si própria. É o reflexo fiel da produção das coisas.
17 - A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o "ter" efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social, por ele moldada.
18 - Lá onde o mundo real se converte em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência para fazer ver por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é diretamente apreensível, encontra normalmente na visão o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tato; o sentido mais abstrato, e o mais mistificável, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual.
19 - O espetáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projeto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da atividade, dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento.
20 - A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espetáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espetacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre.
21 - À medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada, o sonho torna-se necessário. O espetáculo é o mau sonho da sociedade moderna acorrentada, que finalmente não exprime senão o seu desejo de dormir. O espetáculo é o guardião deste sono.
22 - O fato de o poder prático da sociedade moderna se ter desligado de si próprio, e ter edificado para si um império independente no espetáculo, não se pode explicar senão pelo fato de esta prática poderosa continuar a ter falta de coesão, e permanecer em contradição consigo própria.
23 - É a especialização do poder, a mais velha especialização social, que está na raiz do espetáculo. O espetáculo é, assim, uma atividade especializada que fala pelo conjunto das outras. É a representação diplomática da sociedade hierárquica perante si própria, onde qualquer outra palavra é banida. O mais moderno é também aí o mais arcaico.
24 - O espetáculo é o discurso ininterrupto que a ordem presente faz sobre si própria, o seu monólogo elogioso. É o auto-retrato do poder na época da sua gestão totalitária das condições de existência.
25 - O espetáculo moderno exprime, pelo contrário, o que a sociedade pode fazer, mas nesta expressão o permitido opõe-se absolutamente ao possível. O espetáculo é a conservação da inconsciência na modificação prática das condições de existência. Ele é o seu próprio produto, e ele próprio fez as suas regras: é um pseudo-sagrado. Toda a comunidade e todo o sentido crítico se dissolveram ao longo deste movimento, no qual as forças que puderam crescer, separando-se, ainda não se reencontraram.
26 - Com a separação generalizada do trabalhador e do seu produto perde-se todo o ponto de vista unitário sobre a atividade realizada, toda a comunicação pessoal direta entre os produtores. Na senda do progresso da acumulação dos produtos separados, e da concentração do processo produtivo, a unidade e a comunicação tornam-se o atributo exclusivo da direção do sistema. O êxito do sistema econômico da separação é a proletarização do mundo.
27 - Pelo próprio êxito da produção separada enquanto produção do separado, a experiência fundamental ligada nas sociedades primitivas a um trabalho principal está a deslocar-se, no pólo do desenvolvimento do sistema, para o não-trabalho, a inatividade.
28 - O sistema econômico fundado no isolamento é uma produção circular do isolamento. O isolamento funda a técnica, e, em retorno, o processo técnico isola. Do automóvel à televisão, todos os bens selecionados pelo sistema espetacular são também as suas armas para o reforço constante das condições de isolamento das "multidões solitárias".
29 - A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno exprime a totalidade desta perda: a abstração de todo o trabalho particular e a abstração geral da produção do conjunto traduzem-se perfeitamente no espetáculo, cujo modo de ser concreto é justamente a abstração.
30 -  A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.
31 - O trabalhador não se produz a si próprio, ele produz um poder independente. O sucesso desta produção, a sua abundância, regressa ao produtor como abundância da despossessão. Todo o tempo e o espaço do seu mundo se lhe tornam estranhos com a acumulação dos seus produtos alienados. O espetáculo é o mapa deste novo mundo, mapa que recobre exatamente o seu território.
32 - O espetáculo na sociedade corresponde a um fabrico concreto de alienação. A expansão econômica é principalmente a expansão desta produção industrial precisa. O que cresce com a economia, movendo-se para si própria, não pode ser senão a alienação que estava justamente no seu núcleo original.
33 - O homem separado do seu produto produz cada vez mais poderosamente todos os detalhes do seu mundo e, assim, encontra-se cada vez mais separado do seu mundo. Quanto mais a sua vida é agora seu produto, tanto mais ele está separado da sua vida.
34 - O espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se toma imagem.

Funcionalismo

Mauro Wolf

Teoria Hipodérmica
Período de 2 guerras mundiais - EUA
Surgimento de comunicação de massa
Teoria da propaganda e sobre a propaganda
Utilização por sistemas totalitários
cada elemento diretamente atingido pela mensagem
teoria da sociedade de massa/ teoria psicológica da ação

fim da exclusividade das elites - o homem-massa
enfraquecimento dos laços tradicionais
homem-massa X humanista culto
como toda a gente, idêntico ao outro
os membros iguais, indiferenciáveis - independente de sua origem
massa - pessoas separadas/apartadas - sem vínculo
preocupam-se apenas com seu bem estar

fragilidade de uma audiência - indefesa e passiva
a idéia de inocular/atingir
átomos isolados que reagem
Psicologia behaviorista - conteúdos psicológicos através de manifestações observáveis
Psicologia do comportamento - estímulo, resposta, reforço
Não há estímulo sem resposta/nem resposta sem estímulo

Modelo E - R
Se a pessoa é apanhada, pode ser manipulada
Mass media como um sistema nervoso simples que atinge olhos e ouvidos
Elaborado nos anos 30
Forma adequada de descrever um ato de comunicação é responder às seguintes perguntas:
Quem; diz o quê; através de que canal; com que efeito?
O estudo tende a concentrar-se em uma ou outra destas interrogações
Emisores; mensagem; veículo; efeito na audiencia
Teve relação estreita com a teoria da informação
Pressuposto de que a iniciativa é exclusiva do emissor

Superação das teorias anteriores
É possível ter uma eficácia persuasiva ótima
Depende de as mensagens serem estruturadas adequadamente
Os estímulos interagem de maneira diferentes com os traços específicos de personalidade dos elementos que constituem o público
Estuda que características da personalidade intervém
Causa – processos psicológicos intervenientes – efeito
Sempre em situação de campanha

a) interesse em obter a informação – interesse e motivação – quanto mais conhece, mais tem interesse
b) Exposição seletiva – preferências das diferentes camadas da população pelos meios, quem escuta o quê e porquê
c) Percepção seletiva – não há um estado de nudez psicológica, predisposições, processos seletivos – decodificação aberrante
 campo de aceitação (objetivas e aceitáveis) e campo de recusa (propagandísticas e inaceitáveis)
d) Memorização seletiva – as pessoas memorizam o que está no campo de aceitação – efeito Bartlett – com o tempo, a memorização dos elementos aceitáveis
e) efeito latente – com o passar do tempo, a eficácia aumenta

 a) credibilidade do comunicador
b) a orden da argumentação – argumentos iniciais ou posteriores são mais ou menos eficientes? Depende -  quando já conhecemos, o melhor é ao fim, se não conhecemos, argumentos devem aparecer primeiro
c) a integralidade das agumentações – para pessoas contrárias, apresentar argumentação completa; para quem é a favor, apresentar somente uma visão;
com grau de instrução maior, argumentação integral; com um grau de instrução menor, somente uma visão. Depende.
d) Explicitação das conclusões – se o público tende a apoiar, não explicita, se tende a questionar, explicita

Uma primeira abordagem sociológica
O problema continua sendo os efeitos, mas em outros termos
Manipulação, persuasão – influência
Associa processos de comunicação com as características do contexto social
composição diferenciada de público e seus modelos de consumo;
mediação social do consumo

1- Laazarsfeld
análise do conteúdo - o que extraem do produto comunicativo
análise sobre os ouvintes - que grupo social
estudo das satisfações - o que atrai no programa

Efeitos pré-seletivos -  veículos mais apropriados à determinado público
Efeitos posteriores - efeitos da exposição
A análise é de efeitos, mas leva em conta os processos sociais
A eficácia só é possível de ser analisada no contexto
Formas sociais que predominam num determinado período
Processos indiretos de influência  nos quais influenciam as dinâmicas sociais
A descoberta dos líderes de opinião

Líderes - setor social + ativo
Efeito ativação - latente em fato
Efeito de reforço - evita mudanças de atitude
Efeito de conversão - convencer - redefinição dos problemas
Esquema - meios/líderes/público
Indivíduos isolados - indivíduos nucleados

Personalidade do destinatário a partir de seus grupos de referência
Efeitos de reforço prevalecem em relação ao efeito de conversão
Caráter da influência pessoal
Líder conhece um número grande

A teoria funcionalista
Abordagem global dos meios de comunicação
Não os efeitos, mas as funções exercidas
Manipulação, persuasão, influência, funções
Não a dinâmica interna do processo comunicacional, mas a dinâmica do processo social e as funções da comunicação nela
Problema do equilíbrio e do conflito social

Imperativos funcionais:
Manutenção do modelo e controle das tensões
Adaptação ao ambiente - aceitação da divisão social tal qual
Perseguição dos objetivos
Integração - subordinada ao sistema
Sistema complexo, subsistemas funcionais, partes subordinadas à busca do equilíbrio e dos objetivos do sistema

Usos e gratificações
Cinco classes de necessidades a serem satisfeitas pela mídia:
Necessidades cognitivas; afetivas e estéticas; integração da personalidade; integração social; evasão
Expectativas do destinatário em relação ao processo social
Comunicação não é o único caminho, mas ás vezes substitui outras formas de satisfação

Os consumidores consideram mais importantes os assuntos veiculados na mídia
Os meios de comunicação agendam nossas conversas
A mídia diz sobre o que falar
Agenda setting – começo da década de 70
Dois níveis: a) a ordem do dia; b)hierarquia de importância e prioridade

Desde o livro Opinião Pública de Walter Lippman, publicado em 1922 foi sugerida a idéia de uma relação causal entre a agenda midiática e a agenda pública
Mídia como a principal ligação entre os acontecimentos no mundo e suas imagens em nossas mentes
Efeito diferenciado das mídias: impresso e TV
As notícias televisivas são demasiadamente breves, rápidas, heterogêneas e acumuladas
A informação escrita oferece aos leitores uma indicação de importância sólida, constante e visível

A mensagem será rejeitada se entrar em conflito com as normas do grupo
O consumo de mensagens é feito de forma seletiva
Os efeitos da mídia são, portanto, limitados
Os efeitos dependem de que mídia, da temática e do público (genérico ou especializado)
Segundo McCombs, o correto seria chamar agenda-setting à função dos jornais e enfatização à da televisão

Marshall McLuhan

O meio é a mensagem

Herbert Marshall McLuhan (1911-1980) não está mais na moda. Mas suas idéias estão. Elas aparecem no discurso dos porta-vozes das corporações tecnológicas do império americano – um Negroponte, um Bill Gates – tanto quanto em textos de autores que vêem futuro sombrio na era da informação, como Jean Baudrillard

McLuhan foi um fenômeno de massa. Seus livros foram best sellers.  Cunhou expressões infinitamente repetidas: “aldeia global”, “o meio é a mensagem”, “globalização”. Algumas de suas proposições parecem proféticas, como esta, que antecipa o mundo da Internet (que ele não conheceu) e as perspectivas que se abrem com os estudos da inteligência artificial

“Aproximamo-nos rapidamente da fase final dos prolongamentos do homem: a simulação tecnológica da consciência.”
Ao colocar as tecnologias como determinantes da história, McLuhan não foi original: é exatamente assim que se classificam períodos pré-históricos – as idades da pedra, da pedra lascada, do ferro etc.

Sua originalidade consiste em dar prioridade a um tipo de tecnologia – a da informação – para explicar a evolução das civilizações, principalmente nas idades moderna e contemporânea. Incorre, no entanto, em evidente reducionismo: atribui ao fim dos fornecimentos de papiro a queda do Império Romano; ao surgimento do estribo o começo do feudalismo; e à chegada da pólvora ao Ocidente o início da bancarrota do sistema feudal

No século XVI, a palavra impressa – a Galáxia de Gutenberg – teria, segundo ele,  criado o individualismo e o nacionalismo.

Como estabelece essas ilações? Quanto ao papiro, escreve que a falta desse produto egípcio provocou “as quedas posteriores dos valores visuais”, fazendo “as estradas romanas caírem em desuso e o império desintegrar-se”;

Quanto ao estribo, alega que permitiu “uma nova maneira de guerrear e uma nova forma de sociedade ocidental européia, dominada por uma aristocracia de guerreiros dotados de terras”;

 A pólvora teria tornado inúteis as armaduras protetoras utilizadas pelos senhores feudais.

Geralmente considera-se a falta de uma teoria econômica consistente o ponto crítico das análises de McLuhan – e exatamente aquele que permite a fácil apropriação de suas idéias. A utopia da aldeia global que, segundo ele, igualaria todos os homens, forneceu à liderança corporativa tecnológica um sentido de destino histórico.

Eis algumas citações de McLuhan:

Todos os veículos de comunicação nos envolvem completamente. São tão abrangentes em suas conseqüências pessoais, políticas, econômicas, estéticas, psicológicas, morais, éticas e sociais que não deixam parte alguma de nós intocada, não afetada, inalterada. O meio é a massagem. Qualquer compreensão das mudanças sociais e culturais é impossível sem o conhecimento da maneira em que mídia age como meio ambiente.

Todos os veículos de comunicação são extensões de uma faculdade humana – física ou psíquica.

Os meios ambientes não são invólucros passivos, mas processos ativos que nos envolvem completamente, massageando a razão dos sentidos e impondo suas asserções silenciosas. Mas o meio ambiente é invisível. Suas regras mestras, sua estrutura abrangente, seus padrões dominantes eludem a percepção imediata.

Na percepção humana comum, os homens recriam dentro de si mesmos – em suas faculdades interiores – o mundo exterior. Esse milagre é o trabalho do nous poietikos de nosso intelecto ativo – isto é, o processo poético ou criativo. O mundo exterior, em cada instante da percepção, é interiorizado e recriado de nova maneira. Nós mesmos.

Pondo nossos corpos físicos dentro de sistemas nervosos expandidos por meio da mídia elétrica, construímos uma dinâmica pela qual todas as tecnologias prévias –  meras extensões de mãos, pés, dentes e controles corporais, todas extensões de nossos corpos, inclusive as cidades – traduzem-se em sistemas de Informação. A tecnologia eletromagnética requer do ser humano docilidade e inércia meditativa, de maneira que se comporta como um organismo que tem seu cérebro exposto e seus nervos fora da pele.

Quando um órgão é retirado (por ablação), fica dormente. O sistema nervoso central ficou dormente (para sobreviver). Entramos na idade da inconsciência com a eletrônica, e a consciência migra para os órgãos físicos, mesmo o corpo político. Há grande aumento da acuidade física e grande queda da acuidade mental  quanto o sistema nervoso central é externalizado.

A linguagem como tecnologia da extensão humana, cujos poderes de divisão e separação conhecemos tão bem, pode ter sido a Torre de Babel pela qual o homem buscou alcançar o paraíso. Hoje os computadores nos prometem traduzir instantaneamente qualquer código ou língua para outro código ou língua. O computador, em suma, promete pela tecnologia a condição pentecostal do entendimento e unidade universais.

O próximo passo lógico será não traduzir mas superar as línguas em favor de uma consciência cósmica que pode ser como o inconsciente coletivo sonhado por Bergson. A condição de não ter peso, que os biólogos dizem prometer a imortalidade física, pode ser paralela da condição de não ter fala, capaz de conferir a perpetuidade da paz e harmonia coletivas.

A galáxia de Gutenberg (1962);

Entendendo a mídia: as extensões do homem (1964);
O meio é a massagem: um inventário de efeitos (1967);
Guerra e paz na aldeia global (1968); Do clichê ao arquétipo (1970).
Há farto material sobre McLuhan na Internet. Pelo conteúdo, sugere-se
http://www.mcluhanmedia.com/nmclm001.html
 

A PALAVRA... Nº 478. Qual a melhor Vocação?

domingo, 1 de dezembro de 2013

1º Domingo do Advento - Ano A (Apela à vigilância).

Tema do 1º Domingo do Advento

A liturgia deste domingo apresenta um apelo veemente à vigilância. O cristão não deve instalar-se no comodismo, na passividade, no desleixo, na rotina; mas deve caminhar, sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.

A primeira leitura convida os homens – todos os homens, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde reside o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim.

A segunda leitura recomenda aos crentes que despertem da letargia que os mantém presos ao mundo das trevas (o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado), que se vistam da luz (a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos) e que caminhem, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da salvação.

O Evangelho apela à vigilância. O crente ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o crente ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.

EVANGELHO – Mt 24,37-44

ATUALIZAÇÃO
A reflexão deste texto pode partir dos seguintes dados:

O que é que significa para nós “estar vigilantes”, “estar atentos”, “estar preparados” para acolher o Senhor? Significa ter a “alminha” na “graça de Deus” para que, se a morte chegar de repente, Deus não consiga encontrar em nós qualquer pecado não confessado e não tenha qualquer razão para nos mandar para o inferno? Significa, fundamentalmente, acolher todas as oportunidades de salvação que Deus nos oferece continuamente… Se Ele vem ao meu encontro, me desafia a cumprir uma determinada missão e eu prefiro continuar a viver a minha “vidinha” fácil e sem compromisso, estou a perder uma oportunidade de dar sentido à minha vida; se Ele vem ao meu encontro, me convida a partilhar algo com os meus irmãos mais pobres e eu escolho a avareza e o egoísmo, estou a perder uma oportunidade de abrir o meu coração ao amor, à alegria, à felicidade…

O Evangelho que nos é proposto apresenta alguns dos motivos que impedem o homem de “acolher o Senhor que vem”… Fala da opção por “gozar a vida”, sem ter tempo nem espaço para compromissos sérios (quanta gente, ao domingo, tem todo o tempo do mundo para dormir até ao meio dia, mas não para celebrar a fé com a sua comunidade cristã); fala do viver obcecado com o trabalho, esquecendo tudo o mais (quanta gente trabalha quinze horas por dia e esquece que tem uma família e que os filhos precisam de amor); fala do adormecer, do instalar-se, não prestando atenção às realidades mais essenciais (quanta gente encolhe os ombros diante do sofrimento dos irmãos e diz que não tem nada com isso: é o governo ou o Papa que têm que resolver a situação)… E eu: o que é que na minha vida me distrai do essencial e me impede, tantas vezes, de estar atento ao Senhor que vem?

Neste tempo de preparação para a celebração do nascimento de Jesus, sou convidado a recentrar a minha vida no essencial, a redescobrir aquilo que é importante, a estar atento às oportunidades que o Senhor, dia a dia, me oferece, a acordar para os compromissos que assumi para com Deus e para com os irmãos, a empenhar-me na construção do “Reino”… É essa a melhor forma – ou melhor, a única forma – de preparar a vinda do Senhor.

FREI LINO: 25 Anos de Padre.