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A Palavra do Frei Petrônio

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 388. Outro olhar sobre a Família.

Jornalismo sem remuneração

A lógica da mídia jornalística nem sempre se rege pela rentabilidade. Ela pode se contentar com receitas que cubram o custo, ou nem isso: BBC, PBS, The Guardian, grandes instituições de mídia sem fins lucrativos, são exemplos. A reportagem é de Mauro Malin, publicada no Observatório da Imprensa, 13/08/2013.
Em sua coluna no O Estado de S. Paulo de domingo (11/8), Renato Cruz disse que no Roda Viva da TV Cultura do dia 5 de agosto tanto os jovens na berlinda – Bruno Torturra, do Mídia Ninja, e Pablo Capilé, do coletivo Fora do Eixo – como os experientes jornalistas na bancada se saíram bem (veja o vídeo). Os entrevistadores, porque era preciso perguntar sobre o modelo de negócios, já que “fontes de financiamento estão longe de ser uma questão menor”. Os entrevistados, porque se mostraram muito bem articulados.
Cruz validou a curiosidade a respeito da maneira como se sustenta o Mídia Ninja. E comentou: “Pelo que responderam no Roda Viva, as pessoas praticamente trabalham de graça”.
Pode ser. E por que não? Há pessoas que trabalham de graça em ONGs, são voluntárias em hospitais, compram, preparam e distribuem comida para moradores de rua; há pessoas – bilhões de pessoas – que, além de frequentar cultos religiosos, dão dinheiro para igrejas. Há os que doam para partidos políticos.
Nem é preciso ir longe: quem compra e lê jornais e revistas não só trabalha de graça (dando aos veículos seu tempo de leitura, que é vendido aos anunciantes; sob a forma de espaço, o que se vende é tempo presumido de atenção), como paga para fazer isso.
A mesma coisa se dirá da mídia eletrônica. O indivíduo compra o aparelho, paga a eletricidade e doa seu tempo. O tempo coletivo dado ao canal de TV e à emissora de rádio, batizado no Brasil como ibope, é o critério de precificação da publicidade.
Nos países em que o voto não é obrigatório (a imensa maioria), o cidadão doa à sociedade e ao Estado o ato de votar, que pressupõe uma série de outros empenhos não monetizados: atenção à propaganda dos partidos, conversas com amigos e familiares, etc.
Os verdadeiros militantes de partidos políticos, espécie em extinção no Brasil de hoje, doam seu trabalho e doam financeiramente (isso também fazem os militantes interessados em bocas e boquinhas; é o pedágio).
Os espectadores financiam o cinema, o teatro e os concertos, os visitantes ajudam no custo dos museus e exposições. Pais de alunos frequentam conselhos nas escolas e não deduzem essa doação das mensalidades. Existem países em que o Corpo de Bombeiros é formado por voluntários (era assim no Chile, não sei se ainda é).
Dezenas de milhões de jovens morreram e morrem em guerras, como conscritos ou voluntários, outros tantos saem mutilados ou psicologicamente afetados para o resto da vida, e não fazem isso pelo soldo, fazem isso por uma pátria que só existe no imaginário coletivo.
Por que, se o jornalismo é uma atividade essencial para o funcionamento das sociedades democráticas, não poderia ele receber contribuições voluntárias? A testemunha de um acidente cobra ao repórter pelo relato do que viu ou pensa ter visto?
A lógica da mídia jornalística nem sempre se rege pela rentabilidade. Ela pode se contentar com receitas que cubram o custo, ou nem isso: BBC, PBS, The Guardian, grandes instituições de mídia sem fins lucrativos, são exemplos.
Colaboradores de Opinião, Movimento, Versus, O Pasquim e outros jornais alternativos eram movidos a dinheiro ou eram movidos por convicções e pela vontade de derrotar ideológica, cultural e politicamente a ditadura? Esses jornais foram tão influentes que se tornaram um divisor de águas na imprensa do país.
Colaboradores não remunerados deste Observatório da Imprensa contam-se às centenas. No Brasil de hoje, em que a mídia deixou de ser recebida passivamente, essa não é uma forma de participar do universo jornalístico?
Quem faz parte da diretoria de um sindicato não trabalha de graça? (Infelizmente, em muitos casos atualmente, para enriquecer e dar poder a alguns.)
A Constituição não diz, por exemplo, que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família? A família não é um bicho de oito pernas. É uma unidade social formada por pelo menos dois indivíduos. Jovens, para começar a conversa.
Outro argumento que é preciso levar em conta estava nas entrelinhas do discurso de Pablo Capilé e Bruno Torturra: o mundo capitalista atual não oferece aos jovens uma perspectiva muito brilhante. No Brasil, a famosa “janela demográfica” está sendo desperdiçada pelos insucessos econômicos, a incapacidade de poupar (a sociedade é muito pobre para isso), o descaso reiterado com a educação, a saúde, a infraestrutura.
O jovem que se interessa por essas coisas, e muitíssimos o fazem, olha para o futuro e pensa: se eu sobreviver economicamente em condições razoáveis às próximas crises (já entenderam que elas são inevitáveis, são da natureza do sistema, haja ou não uma regulação melhor de bancos e mercados financeiros), eu e minha família teremos que nos defrontar com:
1. A necessidade de sustentar com pesadas contribuições as gerações precedentes, que dependerão da previdência social e viverão cada vez mais;
2. A perpetuação da desigualdade, que nem governos tidos e havidos como progressistas conseguiram enfrentar a contento;
3. Se, numa hipótese extremamente otimista, a desigualdade interna for seriamente reduzida durante meu tempo de vida (afinal, ela levou séculos para se tornar crônica), a necessidade demográfica de importar trabalhadores para as tarefas que os brasileiros não vão mais querer realizar criará bolsões de opressão, mal-estar social, conflitos irremissíveis dentro da mentalidade vigente não no país, mas na espécie humana;
4. A degradação do ambiente para deixar como legado aos descendentes.
Mais imediata é a pressão numa sociedade em que o consumo, dada sua centralidade para o modo de produção, é estressante e não hedonista (no sentido etimológico da palavra, que remete a prazer).
Quando um jovem filosofa, a busca de valores é uma necessidade implícita. Que valores buscar? Os da manada? Esses são valores ou recalques?
Se nada disso faz tanto sentido quanto querem me fazer crer, se o próprio papa diz que não gosta de jovens conformistas, vale a pena abrir minha cabeça, meu tempo, meus braços para fazer alguma coisa solidária. Se não vai melhorar o país e a humanidade, ao menos dá mais sentido à minha vida.
E os mais velhos dirão: mas vai melhorar, sim. Mandem brasa.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 387. Educação e Família.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto): Homilia do Papa Francisco.

A Liturgia de hoje celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu. Nesta ocasião, Papa Francisco deixou, nesta manhã, a Casa Santa Marta, no Vaticano, para ir a Castel Gandolfo, perto de Roma, para celebrar a Santa Missa e a oração do Ângelus, na Praça da Liberdade, diante da residência de Verão dos Papas.
Durante a Santa Missa, o Pontífice pronunciou sua homilia, recordando, inicialmente, uma das belas expressões do Concílio Vaticano II sobre Maria Santíssima: “A Virgem Imaculada, preservada e imune de toda mancha da culpa original, após o curso da sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celeste. Assim, o Senhor a exaltou como Rainha do Universo”.
O Papa recordou ainda outra expressão do Concílio Vaticano II a figura de Nossa Senhora: “A Mãe de Jesus, no céu, é glorificada em corpo e alma; ela é a imagem das primícias da Igreja, que terá seu cumprimento futuro; da mesma forma, na terra, ela brilha como sinal de segura esperança e de consolação para o Povo de Deus a caminho, enquanto vier o dia do Senhor”.
À luz deste lindo ícone de Nossa Senhora, disse o Papa, podemos considerar a mensagem contida nas Leituras bíblicas da Liturgia de hoje, concentrando-nos em três palavras-chaves: “luta, ressurreição, esperança”. E, tomando o trecho do Apocalipse, que apresenta a visão da “luta” entre uma mulher e o dragão, o Papa explicou:
“A figura da mulher, que representa a Igreja, é, por um lado, gloriosa e triunfante; e, de outro, representa inquietação. De fato, a Igreja é assim: no Céu, ela é associada à glória do seu Senhor; na história, ela passa, continuamente, por provações e desafios, que comportam o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de sempre”.
Nesta luta, que os discípulos deviam enfrentar, Maria não os deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre conosco. Também Maria, em certo sentido, compartilha desta dúplice condição. Mas, depois, Ela entra para sempre na glória celeste. E o Papa esclareceu:
“Isto não significa que ela está distante de nós, que esteja separada de nós. Não. Maria nos acompanha, luta conosco; ela ampara os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração, com Maria, em particular o rosário, também tem esta dimensão “agonística”, ou seja, de luta: uma oração que sustenta na batalha contra o maligno e os seus cúmplices”.
Depois, o Santo Padre passou a interpretar a segunda palavra-chave da liturgia de hoje: a “ressurreição”. O Apóstolo Paulo, ao escrever aos Coríntios, insiste: “Ser cristão significa crer que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos”. Toda a nossa fé baseia-se nesta verdade fundamental, que não é uma ideia, mas um evento. Neste sentido, o Papa disse que o mistério da Assunção de Maria, em corpo e alma, está todo inscrito na Ressurreição de Cristo:
“A humanidade da Mãe foi atraída pelo Filho, na sua passagem pela morte. Jesus entrou, uma vez por todas, na vida eterna, com toda a humanidade que havia recebido de Maria. Assim ela, como Mãe, O acompanhou fielmente por toda a vida, com o seu coração e, com Ele, entrou para a vida eterna, que também chamamos de Céu, Paraíso, Casa do Pai”.
A seguir, o Pontífice recordou que Maria também passou pelo martírio da Cruz: ela viveu, na alma, a Paixão do seu Filho, até o fim. Ela esteve plenamente unida a Ele na morte. Por isso, foi-lhe dado o dom da ressurreição. Cristo tem a primazia entre os ressuscitados e Maria entre os redimidos, a primeira entre “aqueles que são de Cristo”. Por fim, o Papa interpretou a terceira palavra-chave da Liturgia de hoje: a “esperança”:
“Esperança é a virtude de quem, ao passar pelo conflito, pela luta diária, entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, acredita na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. O Magnificat é o canto da esperança, o canto do Povo de Deus, que caminha na história. Este é o canto de tantos santos e santas, alguns famosos e outros, muitíssimos outros, ignorados, mas bem conhecidos por Deus”.
Entre todos esses santos ignorados, Papa Francisco recordou, as mães, os pais, os catequistas, os missionários, os padres, as freiras, os jovens e até as crianças, que lutaram na vida, levando no coração a esperança dos pequeninos e dos humildes. Hoje, a Igreja canta o Magnificat em todos os cantos da terra.
Este canto, frisou o Santo Padre, torna-se mais intenso onde o Corpo de Cristo, ainda hoje, padece a Paixão. Mas, Maria também está ali, ao lado das comunidades e, com elas, entoa o seu “canto da esperança”.
O Bispo de Roma concluiu a sua homilia, exortando os fiéis presentes em Castel Gandolfo a “se unirem, com todo o coração, a este canto de paciência e vitória, de luta e alegria, que une a Igreja triunfante à peregrina, a terra ao Céu, a história à eternidade”.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 385. Maximiliano Kolbe.

*EDUCAÇÃO SEM PRECONCEITO: A FAMÍLIA E A HOMOSSEXUALIDADE

Alípio de Sousa Filho
Não há dúvida que o preconceito anti-homossexual é um dos mais fortes na nossa sociedade. E também não há dúvida que a educação familiar é uma das que mais contribui para a produção e a reprodução desse preconceito. Poderíamos dizer que boa parte da educação familiar se orienta no sentido de “evitar a homossexualidade”. Em geral, os pais temem que seus filhos sejam “gays” e suas filhas sejam “lésbicas”, e assim, desde cedo, os pais e demais membros adultos da família, consciente e/ou inconscientemente, adotam estratégias que visam reforçar o padrão sexual instituído e legitimado, a heterossexualidade, espécie de cuidado para evitar a “queda no homossexualismo”: estratégias que vão desde as brincadeiras sobre “namorado(a)s” com crianças com menos de cinco anos a cobranças de “casamentos” para jovens em idade inferior a vinte e cinco anos. Ainda, nas famílias, os adultos são vigilantes quanto a “sinais” que indiquem “homossexualismo” nas crianças.
Vigilância que tem tornado crianças e jovens objetos de todo tipo de controle dos adultos, casos até mesmo em que são encaminhados para psicólogos, psiquiatras, etc., com a “esperança” de evitar um “problema” (uma “mancha”, uma “vergonha”) na família.
 Essa é a linguagem do preconceito. De fato, essencialmente, o que temos aí, no temor da homossexualidade, é a manifestação do preconceito na forma de uma de suas modulações visíveis ou invisíveis. O princípio da educação que se orienta pela idéia de “evitar o homossexualismo na família” traduz o mais amplo preconceito social existente na nossa sociedade: o preconceito contra homossexuais e contra a homossexualidade. Vivendo a crença segundo a qual a sexualidade humana é biológica, e, por conseguinte, deixando de saber que a sexualidade humana é produto de construções culturais, sociais e históricas, isto é, resultado de convenções humanas, as famílias tornam-se nichos de circulação e reprodução dos
preconceitos (e da desinformação) que envolvem a sexualidade.
 Note-se que, dede muito cedo, no microcosmo familiar, adultos cercam crianças e
adolescentes de perguntas e gracejos a propósito de aspectos que concernem ao exercício futuro da sexualidade como se se tratasse apenas de momentos de descontração e em que a linguagem fosse puro canal de comunicação desinteressada, mas quando se sabe que, através dessa mesma linguagem e das idéias que ela é capaz de fazer circular, são difundidas as concepções, valores, normas, etc. que conformam as convenções sociais instituídas e dominantes. Estamos aqui tratando daquilo que a antropologia, a sociologia, a psicologia e a psicanálise chamam de socialização, endoculturação, formação do sujeito humano. Tudo que se é como humano se aprende da cultura, na cultura, pela cultura, com a cultura. Ainda, toda cultura, constituída toda ela como uma Ordem Social, opera na perspectiva de se reproduzir, de se perpetuar. Esta é a razão pela qual os padrões sociais – incluindo-se aí também os padrões da sexualidade – são apresentados como naturais, universais, eternos, imutáveis e até mesmo sagrados. A família, agente dessa cultura, ao mesmo tempo em que é também seu produto, é instância reprodutora dessa representação dos padrões sociais. Representação que tem muita força junto a todos porque é capaz de esconder que os padrões são criações humanas e como tais são convenções sociais, particulares, históricas, transformáveis.
Podemos crer que uma educação sem preconceitos poderá lidar com essa compreensão do caráter convencional das instituições humanas e dentre elas a sexualidade. Assim, notocante à sexualidade, uma educação sem preconceitos implicará uma educação para a qual as convenções dos padrões sexuais de uma determinada sociedade e época serão tratadas comotais, podendo ser questionadas, alteradas e substituídas. Sem preconceitos, a educação pode relativizar a força dos padrões e das convenções, ao mesmo tempo em que pode contribuir com o alívio do sofrimento das pessoas pela crença de que estes mesmos padrões e convenções são produtos intransformáveis, divinos, etc. No caso de homossexuais, sabemos que é muito alto o custo psíquico da ruptura com os padrões sexuais dominantes justamente pelo fato dessa ruptura ocorrer em primeiro lugar na família. A ruptura com pais, irmãos, etc., ou mesmo a convivência harmônica, mas em que nada se verbaliza a propósito da homossexualidade (vive-se tudo “em segredo”), envolvendo a afetividade, os laços de parentesco, etc., tornam a família lugar de tensões, conflitos e sofrimentos que somente uma educação sem preconceitos poderá vir a superar.
 Atualmente, pais e filhos são vítimas de uma educação conservadora, orientada para a reprodução da Ordem Social, em que a sexualidade é também orientada no sentido de não variar do estabelecido, funcionando como metáfora do esforço global da Ordem no sentido dela própria não variar. Pais e filhos sofrem sem saber pelo que estão sofrendo: vítimas de uma Ordem que necessita de preconceitos para se perpetuar, brigam, se insultam, se machucam, sofrem, adoecem, morrem pela sujeição a convenções que se fixam e se legitimam, dentre outras formas, também pela via do preconceito. Pais e filhos poderão ser felizes experimentando uma educação sem preconceitos: uma educação que entenderá a sexualidade – e a homossexualidade como uma de suas expressões – como uma construção em que cada um toma parte como sujeito ativo e não como puro objeto de forças biológicas
predefinidas ou objeto submetido a vontades divinas. É o ser humano que produz a si mesmo no processo de sua constituição como humano, a sexuação humana é parte desse processo.
Uma educação sem preconceitos deverá saber compreender isso e, desse modo, terá as condições de livrar a todos da idéia de padrões sexuais fixos, únicos, invariáveis, sagrados, evitando assim sofrimentos inúteis, desesperos e a solidão de pais e filhos tomados pela angústia de não poder “falar/contar” sobre o que se é como homem ou como mulher em razão unicamente de preconceitos sociais.
*Publicado em SOUSA FILHO, A. . Educação sem preconceito: a família e a homossexualidade. Boca da Noite, Natal/RN, v. 3, p. 4 - 4, 30 dez. 2001.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 384. Homossexualidade e Família.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Semana da Família: De 11 e 17 de agosto. Tema: “Transmissão e Educação da Fé Cristã na Família”.

Mensagem do Papa Francisco.
Vaticano, 6 de agosto de 2013
Queridas famílias brasileiras,
Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-las por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lúmem Fidei, 53).
Neste sentido, os pais são chamados a transmitir, tanto por palavras como, sobretudo pelas obras, as verdades fundamentais sobre a vida e o amor humano, que recebem uma nova luz da Revelação de Deus. De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de Deus e garantia do futuro da humanidade, mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida. Fazendo votos de que vocês, queridas famílias brasileiras, sejam o mais convincentes arautos da beleza do amor sustentado e alimentado pela fé e como penhor de graças do Alto, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo a Benção Apostólica. Papa Francisco.
Fonte: www.cnbb.com.br

A graça da família

Dom Alberto Taveira Corrêa. Arcebispo de Belém (PA)
            “Pela fé, embora Sara fosse estéril e ele mesmo já tivesse passado da idade, Abraão tornou-se capaz de ter descendência, porque considerou fidedigno o autor da promessa. E assim, de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão comparável às estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia na praia do mar” (Hb 11, 11-12). Abraão é considerado o “Pai da Fé” pelas três grandes religiões monoteístas, o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo. Para elas, a experiência da presença de Deus tem sua fonte no alto, é revelação, cuja iniciativa é do próprio Senhor. A fé, certeza a respeito daquilo que não se vê (Hb 11, 1), introduz nas realidades humanas um horizonte aberto de proporções inimagináveis. Abraão se encontra presente, quando apostou tudo em Deus, na multidão dos homens e mulheres que, nas sucessivas gerações, volta seus olhos para o alto e para frente.
A graça da paternidade e da maternidade, experimentada por Abraão e Sara, há de ser posta em relevo em nosso tempo, pois, de fato, “os filhos são herança do Senhor, é graça sua o fruto do ventre” (Sl 127, 3). Queremos oferecer, como profecia de um futuro digno para a humanidade, o presente de famílias cristãs consistentes. A contribuição genuína dos cristãos, neste campo, é a família una, fiel e fecunda. Graça e desafio! Aceitar formar famílias segundo esta proposta é antes de tudo uma vocação a ser descoberta e alimentada. Homem e mulher, pois assim foi criado o ser humano (Gn 1,27), são tocados pelo amor de Deus para serem seus sinais. A resposta, desafio a ser assumido, é construída durante a vida toda.
O coração humano não foi feito para ser dividido em vários amores. Corpo e alma, com todas as suas potencialidades, doados como sinal do amor de Cristo e da Igreja. Chama-se “sacramento” do Matrimônio! Descobrir a pessoa à qual será entregue a própria vida, não como um título de propriedade a ser adquirido, é a grandeza do casamento cristão. Trata-se de uma forma de consagração a Deus! Acreditar que os dois, unidos diante do Senhor, mostram o próprio Deus às outras pessoas e ao mundo. Nosso mundo clama por testemunhas consistentes de tais valores. Os casais cristãos descubram de novo a beleza do que receberam do Senhor e assumiram como vocação.
Com certa frequência aparecem estatísticas sobre a fidelidade e a infidelidade entre os casais. Parece uma propaganda das aventuras infelizmente existentes, que podem suscitar justamente uma banalização de uma das graças do matrimônio cristão. Desejo homenagear os casais que não submetem sua própria intimidade a perguntas que os expõem na praça pública. Sintam-se reconhecidos todos os casais fiéis, e são muito mais do que se divulga! Saibam que a Igreja faz festa com eles por conservarem, no verdadeiro tabernáculo que é sua vida conjugal, o tesouro da fidelidade, prometido com plena liberdade quando seu amor se tornou Sacramento. Não fica esquecido pelo Senhor o dom de suas vidas!
Por falar em exposição, sim, os casais cristãos têm algo a mostrar! Trata-se dos filhos, testemunhas da fecundidade do amor verdadeiro. Já se disse que o amor conjugal não é olhar um para outro a vida inteira, mas olharem os dois numa mesma direção! Olhar para o alto, participar da graça criadora de Deus, gerar filhos para a Igreja e para o mundo! É dignidade a ser sonhada e construída pelo homem e a mulher que se unem no Sacramento do Matrimônio. É graça a ser pedida pelos que se preparam ao Casamento.
Tudo isso encontra seu sentido na fé, fundamento de realidades humanas assumidas nesta terra, como pessoas que veem o invisível. Há muita gente pronta para descrever os problemas das famílias. A nós, na Igreja, cabe a tarefa de proclamar um verdadeiro evangelho da família, reconhecida como boa nova para o nosso tempo.
Daí nasce o convite aos jovens vocacionados ao matrimônio, para que empreendam um caminho de discernimento e preparação correspondentes à grandeza do sacramento que desejam abraçar. Entrem na escola do amor verdadeiro, treinem a capacidade de escuta e acolhimento, exercitem a saída de si mesmos para dar espaço à outra pessoa. Peçam a Deus a graça de descobrirem a quem deverão entregar totalmente suas vidas. Sejam anunciadores de novas famílias, renovadas no Espírito Santo.
Aos casais cristãos, chegue o convite da Igreja a edificarem cada dia seus lares sobre o fundamento da fé, de modo a transmitirem valores consistentes aos filhos e os testemunharem à sociedade. Deus lhes confiou muito! A Evangelização de seus filhos começou quando estes foram gerados no amor, deixando neles uma marca indelével. Continuou quando vocês lhes ensinaram os rudimentos da fé cristã. Benditas foram as orações que lhes foram ensinadas! Deem graças ao Senhor porque vocês os apresentaram à Igreja para os Sacramentos, quando os encaminharam à Catequese. Aliás, vocês foram os primeiros catequistas! Deus lhes pague e confirme sua vocação na transmissão e educação da Fé Cristã na Família, como quer celebrar a Semana Nacional da Família. Deus seja louvado pelos valores cristãos que existem em nossas famílias, santuários da fé e da vida!
Com as famílias e pelas famílias, rezamos confiantes no dia dos pais: “Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Amém!”


 

 

 

domingo, 11 de agosto de 2013

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM. ANO-C: Homilia do Frei Petrônio.

Jornalismo de guerrilha?

Um novo modelo de cobertura e de produção de informação vem ganhando espaço nos protestos pelo País através do trabalho de coletivos como Nigéria e Mídia Ninja

 “Cada pessoa que está filmando tem conteúdos absurdos pra mostrar”, avisava o repórter Ninja, na noite de quinta, 8, em transmissão ao vivo do Parque do Cocó. Ele se referia às inúmeras pessoas que, ali, estavam conectadas às suas redes sociais compartilhando vídeos e imagens do confronto com a polícia. Mas como se desenha a linha que divide o ativismo da cobertura jornalística?

Na segunda, 5, o jornalista Bruno Torturra e o produtor cultural Pablo Capilé concederam uma entrevista desconcertante à bancada do programa Roda Viva, na TV Cultura. À frente do Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), a dupla fez repercutir o tema amplamente nas redes sociais, levando boa parte da imprensa nacional a discutir, criticar, analisar e, principalmente, entender este novo formato de apuração e circulação de informação.

Em Fortaleza, cobrir as manifestações e protestos que vêm pautando o cotidiano da Cidade deixou de ser atividade exclusiva dos veículos de comunicação tradicionais.

Nas coberturas de rua, coletivos como o Nigéria e Rapadura Ninja atuam na contramão, confundem-se entre manifestantes, tornando-se, talvez, também personagens da história que documentam.

Ativismo

O jornalista Yargo Gurjão, integrante do Coletivo Nigéria, explica que a utópica imparcialidade jornalística está em ouvir todos os lados, mas não quer dizer que sejam imparciais ao fazer isso. “Você demonstrar de que lado está é importante para quem for consumir a informação. O fato de termos decidido gravar do lado dos vândalos, que é um termo tachado pela mídia, não quer dizer que a gente defenda o que eles fazem. Mas estando próximo, ouvindo o que estão dizendo, apanhando também da polícia, nos ajuda a viver o que está acontecendo”, afirma Yargo. “Pode ser ativismo? Não sei, não somos a favor da imparcialidade”.

Para a gestora de comunicação da Casa Fora do Eixo Nordeste, Diná Matias, é possível dizer que este modelo de apuração e circulação de informação vem quebrando paradigmas de mídia tradicional. “Não é que ela se opõe ou complementa a imprensa que já está aí, mas cria um novo formato ainda em construção. Por isso o Ninja não é fechado, a gente acredita muito na autoralidade coletiva, na ideia de que alguém pode somar com a nossa produção. A gente ainda não sabe como ela vai terminar, mas sabe que está em constante adaptação”, acredita Diná, também correspondente do Mídia Ninja em Fortaleza.

O estudante de Audiovisual Eduardo Coelho, 27, está cada vez mais envolvido com cobertura de eventos como o Ocupe Cocó, na última quinta. Ao cobrir os protestos, foi detido por policiais e teve os equipamentos confiscados. “Eles só me soltaram quando eu disse que era jornalista independente”.

Embora tenha se cadastrado no site do Mídia Ninja, Eduardo optou por trabalhar de forma autônoma. “Há dois anos, comecei a entender mais essa questão do live streaming (transmissão ao vivo pela Internet). Quando começaram as manifestações, vi que qualquer pessoa poderia compartilhar informação”, diz Eduardo. Ele já cobriu protestos do Ocupe Aquário, na Praia de Iracema, e outras manifestações portando um smartphone com acesso à internet 3G e dois carregadores. “Através do portal Twitcasting qualquer usuário que possua conta no Twitter e um celular com conexão 3G pode entrar ao vivo e se comunicar com o País inteiro”.

OLHAR SOBRE A IGREJA: A Perseguições contra os cristãos

As causas da perseguição

Durante os primeiros séculos a propagação do cristianismo e a construção de uma organização eclesiástica foram repetidamente impedidas e ameaçadas pelo Estado romano. Em princípio, os cristãos estavam dispostos a inserir-se nas estruturas existentes do mundo e do Estado romano[1]. Eles rezavam para os poderes constituídos[2], pagavam os impostos[3] e respeitavam as leis do Estado. Mas havia limites: eles deviam obedecer mais a Deus que aos homens[4]. Uma lealdade com senso crítico determinava a sua relação com o Estado romano e uma distância que eles mesmos se impunham regulava a atitude deles para com o mundo que os circundava. Na verdade a vida pública no Império Romano era tão ligada ao culto oficial e práticas religiosas pagãs, que os cristãos eram forçados a manterem-se distantes de tudo isto. Como os judeus, também os cristãos gozavam de alguns privilégios concedidos a uma religião lícita (dispensa de participar do culto estatal romano, a isenção do serviço militar). Só depois do ano 70 d.C. começou a se distinguir claramente, em Roma, entre o cristianismo e o judaísmo.

Aquilo que o público pensava a respeito dos cristãos não se pode reconstruir com grande precisão. Como pequena minoria religiosa com costumes próprios (diversitas morum), consciente e cheia de estímulo missionário, eles deviam ser vistos com desconfiança por aqueles que os circundavam e eram percebidos como elemento de desordem, se não próprio de perigo. Tanto fontes pagãs como cristãs mencionam uma série de suspeitas, acusações e boatos[5]. Pelo fato de recusarem as comuns concepções e práticas religiosas pagãs, os cristãos eram considerados ateus. A religião deles parecia como uma superstição detestável e nociva[6]. A alegada impiedade despertava a suspeita de deslealdade política e de inafidabilidade para o império. Porque não participavam na vida pública, se alimentava que os cristãos nutriam "ódio à raça humana"[7]. Disto se originou ulteriores insinuações, que fazem parte dos habituais preconceitos contra as minorias malvistas: se dizia que eles eram criminosos, escória inútil, amantes das trevas[8], uma associação imoral e desonesta que praticava o infanticídio e incesto[9]. Os rumores que corriam contra os cristãos se prestavam para fazer que parecessem como adversários de um ordenamento humano e civil, e forçá-los a um papel de bode expiatório. O seu manifesto desprezo pelos Deuses (neglegentia Deorum) poderia ser considerado como a causa de todas as desgraças públicas e privadas: «Se o rio Tibre transborda, se o Nilo não irriga os campos, se o céu não manda chuva, se há um terremoto, se aparece carestia ou uma epidemia, imediatamente gritou: "Os cristãos aos leões!" Muitos cristãos destinados apenas a um leão?»[10].

Estas opiniões poderiam tornar-se uma convicção generalizada: o ser cristão não se adequa para o ser romano. Trata-se de um modo de vida que contrasta com o dos romanos, que perturba a ordem pública e ameaça o Estado. Nas discussões privadas[11] ou nas tensões públicas poderiam aparecer contrastes com a posição cristã dos interessados e se poderia criar desordens e tumultos. Por esta razão, as autoridades públicas eram solicitadas a restaurar a paz e a ordem procedendo contra os cristãos.

A época de perseguição por parte do poder político romano é dividido em dois períodos: 1) até que o imperador Décio (249-251), havia apenas perseguições esporádicas, localmente limitadas, de cristãos individualmente; 2) do imperador Décio até 311 a ação foi dirigida contra toda a Igreja com o propósito de sua destruição. Na segunda época a perseguição foi baseada em decretos imperiais; não há consenso a respeito do motivo jurídico das perseguições na primeira época e continua a ser discutido.

AS PERSEGUIÇÕES POR IMPERADOR

Nero (54-68). A perseguição empreendida pelo imperador Nero é atestada tanto por fontes pagãs como cristãs. Segundo Tácito[12], o espantoso estalar de furor contra os cristãos liga-se ao incêndio de Roma, de julho de 64, do qual a opinião publica culpava o próprio imperador. Tácito é muito claro: “Mas os empenhos humanos, as liberalidades do imperador e os sacrifícios aos deuses não conseguiram apagar o escândalo e silenciar os rumores de ter sido ordenado o incêndio de Roma. Para livrar-se de suspeitas, Nero culpou e castigou, com supremos refinamentos de crueldade, uma casta de homens detestados por suas abominações[13] e vulgarmente chamados de cristãos [14]. Para desviar de si a suspeita e atirar uma vítima para saciar o furor da plebe; auxiliado por delatores (de origem hebraica?), Nero teria mandado prender uma imensa multidão (multitudo ingens) de cristãos, dados a uma superstição deletéria (exitialis superstitio) e odiados pelo povo "pelas suas infâmias"; no decorrer da autuação não teriam sido convencidos de terem ateado o incêndio, mas de "ódio contra o gênero humano" e condenados sumariamente.

O historiador romano Tácito descreve como os cristãos foram martirizados: “Alguns, costurados em peles de animais, expiravam despedaçados por cachorros. Outros morriam crucificados. Outros ainda eram transformados em tochas vivas, para iluminar a noite. Para esses festejos, Nero abriu de par em par seus jardins, organizando espetáculos circenses em que ele mesmo aparecia misturado com o populacho ou, vestido de cocheiro, conduzia sua carruagem. Suscitou-se, assim, um sentimento de comiseração até para com homens cujos delitos mereciam castigos exemplares, pois se pressentia que eram sacrificados não para o bem público, mas para satisfação da crueldade de um indivíduo.[15]”. A perseguição limitou-se à capital, mas durou até a morte de Nero. Entre as vítimas contam-se também os apóstolos Pedro e Paulo. A impressão deixada por essa perseguição no mundo romano foi forte e durável; de então em diante o nome de cristão foi banido e tido como coisa criminosa, digna de morte.

Após Nero, a dinastia dos “Flávio” assumiu o poder em Roma. Do ano 69 ao 81 houve um período de paz para os cristãos. O Cristianismo cresceu e passou a contar com adeptos também da família real. Mas a situação mudou com Domiciano.

Domiciano (81-96). A tradição fala de perseguidos na sua própria família (o cônsul Flávio Clemente), acusados como outros, per exemplo o cônsul Acílio Glabrio, rei do ateísmo e filo-judaísmo; isto pode ser interpretado como ser cristão. Particulares ações de um governador contra os cristãos não chegam necessariamente ao próprio imperador[16].

Trajano (98-117). A sua correspondência com Plínio, governador da Bitinia, indica não uma perseguição ativa contra a Igreja, mas condenações à morte de alguns cristãos em circunstâncias bem determinadas (quando aparecem como um perigo para a ordem pública). Mártires famosos do período: Simão, bispo de Jerusalém; Inácio, bispo de Antioquia (pouco depois do ano 110).

 Adriano (117-138). Ele é tido como filo-cristão, mas houveram (pouquíssimas?) perseguições locais. Mártir famoso: papa Telésforo, no ano 136.

 Antonino Pio (138-161). Perseguições locais, que não são ordenadas pelo imperador.

 Marcos Aurélio (161-180). As perseguições locais aumentaram num período de crescente crise no Império, mas não remontam ao imperador. Mártires famosos: aqueles de Lião (em 177); Policarpo bispo de Smirna (em 167; alguns dizem em 156); Justino em Roma (ano 165).

 Cômodo (180-192). As perseguições locais continuaram, mas a concubina do imperador, Márcia, é provavelmente filo-cristã

 Septímio Severo (193-211). Há mais paz para os cristãos, mas em 202 houve uma onda de perseguições, que não parece ordenadas por uma lei do imperador, que era filo-cristão. Mártires famosas: Perpétua e Felicidade.

 Caracala (211-217). O imperador é filo-cristão, mas houve uma severa perseguição no Norte da África sob o comando do pro-cônsul Scapula (Tertuliano reagiu com o escrito Ad Scapulam).

 Alexandre Severo (222-235). A família imperial é filo-cristã e houve paz para os cristãos.

 Maximino (235-238). O próprio imperador agiu contra os cristãos.

 Felipe, o Árabe (243-249). É muito filo-cristão.

 Décio (249-251). Aconteceu uma forte, mas breve (menos de um ano somente) ação contra os cristãos. Problemático para a Igreja foi o notável número de lapsi (cristãos que sacrificaram), entre os quais alguns bispos.

Orígenes chamou a atenção sobre a reviravolta que o imperador Décio tinha iniciado. "Daquele momento as perseguições não eram mais realizadas esporadicamente como antes, mas de forma comum e generalizada”[17]. Eusébio declarou que o imperador tinha começado a perseguição por ódio contra o seu antecessor Felipe, o Árabe[18]. Isso certamente simplifica a motivação do imperador, mas esclarece os esforços para uma nova orientação política. Décio, um bom general mas com pouco cultura, era da Panônia e tinha como sua força principal tropas panônicas, que não tinham tido qualquer ligação com o cristianismo. Portanto, não tinha qualquer preconceito contra os cristãos. Ele trouxe consigo um grande entusiasmo por Roma, que era típico dos países do Danúbio e promoveu uma ampla política de restauração, que atingia também o aspecto religioso. Tinha convicção de que a veneração dos deuses antigos, que tinha garantido por muito tempo a prosperidade do Estado romano, devia ser totalmente restaurada e garantida. Em lugar da idéia cosmopolita-humanista da cidadania e da nova religião (neoplatonismo e cristianismo), que se traduzia na alienação do mundo e no cuidar da alma, devia novamente ser introduzida uma ética patriótica ligada às tradicionais virtudes romanas. Uma primeira ação contra a Igreja aconteceu sem dúvida no fim de 249, visto que no início do ano seguinte há o testemunho do martírio de alguns bispos: Alexandre de Jerusalém, Babila de Antioquia e, certamente, o bispo romano Fabiano. Outros bispos, como Cipriano, Dionísio de Alexandria e Gregório Taumaturgo, puderam salvar-se porque fugiram[19].

Em fevereiro de 250, o imperador ordenou com um edito para que todos os habitantes do império fizessem uma súplica acompanhada de uma oferta de sacrifício, uma supplicatio ture ac vino (sacrifício com incenso e vinho) diante dos deuses do povo romano. Com este ato, devia-se reconhecer o direito dos deuses que lhes era devido. O modo de proceder era determinado com precisão: todos os cidadãos do Império deviam apresentar-se e sacrificar perante a comissão do sacrifício do próprio local de residência; a comprovação deste ato era testificada por um certificado escrito (libellus). O formulário era mais ou menos uniforme: "À comissão escolhida para a supervisão dos sacrifícios. Eu sempre sacrifiquei aos deuses e até agora eu ofereci a sua presença no modo prescrito libações e sacrifícios de animais e eu provei a carne do sacrifício, e peço que me dê o devido certificado. Fiquem bem! (Assinatura e data; libellus 3).

Com o ato sacrifical cada súdito do Império devia demonstrar sua preocupação com a salus publica e sua lealdade ao imperador. Em tais circunstâncias, a ação devia necessariamente resultar num ataque maciço à Igreja cristã. Mesmo que os cristãos não fossem diretamente forçados à apostasia, a aplicação do ato do sacrifício envolvia a negação de sua fé. Em caso de recusa do sacrifício, claramente se deixava às autoridades locais qualquer decisão sobre o tipo da pena: prisão, tortura, sequestro de bens, exílio e morte[20].

Todo um grupo de cristãos permaneceu certamente sólido em sua fé e morreu na prisão, ou como resultado da tortura. Mas o número de apóstatas foi elevado, como resulta da correspondência entre São Cipriano de Cartago e Dionísio de Alexandria. Os cristãos, incluindo também alguns dos bispos[21], que obedeceram ao decreto imperial, foram chamados de sacrificati, se eles tinham feito todo o sacrifício; de thurificati se tinham oferecido o incenso, e de libellatici se tivesse obtido o certificado de sacrifício recorrendo à corrupção. O escrito de Cipriano De lapsis nos dá a melhor imagem do que aconteceu e nos permite conhecer o problema pastoral diante do qual as comunidades que tiveram que enfrentar depois de uma tal apostasia de massa.

As disposições imperiais foram executadas por mais de seis meses, até quando a invasão dos godos exigiu a presença do imperador nos países do Danúbio. Com sua morte prematura, em junho de 251, a perseguição terminou. "A paz foi restituída à Igreja e nossa segurança é restabelecida"[22]. Isso certamente valia para o Norte de África. Em Roma o bispo Cornélio foi exilado para Civitavecchia, onde morreu em 253; do mesmo modo seu sucessor, Lúcio, foi enviado para o exílio. Também em Alexandria aconteceram outras perseguições, que temporariamente terminaram apenas com a ascensão ao trono do imperador Valeriano em 253.

Valeriano (253-260). A partir de 257, perseguição especialmente contra o clero para golpear a própria Igreja; em 258, ameaça também o laicato nobre; desta vez não há notícias de negação da fé.

O imperador Valeriano, conhecia perfeitamente a política de Décio. Inicialmente não mostrou interesse em continuá-la, mas no quarto ano do seu reinado mudou de atitude. Tendo pacificado militarmente as fronteiras, virou-se para o inimigo dentro do Império. As medidas contra os cristãos encontraram a sua motivação em dois editos.

O primeiro edito (agosto de 257) impunha ao clero a supplicatio diante dos deuses romanos. Foram proibidas as reuniões cristãs e a visita ao cemitérios[23]. A recusa de sacrificar era punida com o exílio.

O segundo edito (verão de 258) alterou a pena de exílio para a imediata pena de morte e estendia a obrigação do sacrifício para os senadores, altos funcionários e cavaleiros cristãos. Os leigos de condição aristocrática deviam perder o status, trabalho, bens patrimoniais, e em caso de tenacidade na recusa, eles eram condenados a execução capital. Mesmo as mulheres pertencentes às classes superiores dos Honestiores foram punidas com o confisco de bens e com o exílio, e aos funcionários imperiais (Caesariani) se ameaçava o sequestro do bens e o trabalho forçado.

Ambos editos deviam golpear gravemente a Igreja Cristã. Na medida em que os cristãos não reconheciam os deuses antigos como forças que protegiam o imperador e o império, e, portanto, não praticavam a religião romana (Romanam religionen colere) e não tomavam parte no culto do Estado (Romanas caeremonias recognoscere), se ameaçava o extermínio da Igreja deles. A perseguição só terminou em 259, quando Valeriano, derrotado na guerra contra os persas, foi preso e executado. Esta perseguição teve vítimas ilustres. Cipriano foi executado em 14 de setembro de 258 e Sisto II morreu em Roma em 6 de agosto do mesmo ano; na espanhola Tarragona tocou ao bispo Frutuoso, enquanto que Dionísio de Alexandria conseguiu sobreviver.

Galieno (260-268). Um edito seu de tolerância inaugura um período de 40 anos de paz para a Igreja.

A cruel perseguição de Valeriano não conseguiu seu objetivo. Os cristãos tinham mostrado maior firmeza do que tinham mostrado sob Décio; a organização se fortaleceu e passou no teste. O filho e sucessor de Valeriano, Galieno (260-268), não prosseguiu a política hostil contra os cristãos que havia sido posta em prática por seu pai. Ele restituiu os lugares de culto e os cemitérios confiscados e aboliu todas as restrições; “os ministros da Palavra poderiam dedicar-se livremente às suas funções habituais"[24]. Esta liberdade, decretada pelo imperador em vários editos, foi mencionada por ele em vários aspectos numa carta aos bispos do Egito[25]. Pela primeira vez, então, se estabelecia num edito imperial uma relação entre liberdade e culto cristão. Não é que o cristianismo se tornou uma religio licita (religião lícita) oficialmente, mas foi tolerado como um grupo religioso específico e era reconhecido no seu direito de propriedade. Dionísio de Alexandria celebrou, por essa razão, o imperador nos mais altos tons[26] e não prestou atenção para o fato de que Galieno, numa situação politicamente perigosa, tinha buscado aliados[27]. A Igreja tornou-se objeto de cálculo político.

A convivência pacífica entre Império e Igreja continuou sob o imperador Aureliano (270-275). Ele respeitou as decisões do seu antecessor. Na controvérsia sobre o bispo de antioqueno Paulo de Samosata, o imperador concordou em uma carta rogatória em favor da Igreja: Era dever do bispo de Antioquia estar em comunhão com os bispos da Itália e de Roma. Paulo estava a serviço da rainha Zenóbia de Palmira, que foi derrotada por Aureliano em 272. Por causa de sua teologia trinitária modalística  e de uma cristologia de adozianística, ele foi deposto por um sínodo em Antioquia, mas só pôde ser removido com a intervenção das autoridades. Pessoalmente, Aureliano não era de modo algum inclinado ao cristianismo. Ele adorava o « Sol invicto» (Sol invictus) e pretendia unificar religiosamente o império sob o seu culto. Esta intenção teria conduzido a uma nova controvérsia com o cristianismo por período bastante longo do seu reinado, como nos informam Eusébio e Lactâncio.

Diocleciano (284-305). Somente em 303 inicia uma perseguição, mas esta é universal e bem organizada. A Igreja tinha crescido fortemente; o imperador a vê como ameaça para o império. Aparece o problema dos traidores, isto é daqueles que entregam os livros sagrados às autoridades.

Durante o últimos quatro decênios do III séc. a Igreja pôde viver sem grande perturbação. O imperador Diocleciano (284-305) inicialmente não promoveu mudanças ao precedente curso religioso-político. A divisão do poder, com a qual se tentou reagir à difícil situação do império, não trouxe neste sentido novidade alguma: em 286 Maximiniano torna-se Augusto para a metade ocidental do império, enquanto que Diocleciano se reservou a oriental, e em 293 cada Augusto tomou um César como sócio no reino e sucessor ao trono: Galério no Oriente, Constâncio Cloro no Ocidente. O «comando de quatro» (primeira tetrarquia) foi construído junto com vínculos familiares: Galério era genro de Diocleciano e Constâncio Cloro o era de Maximiniano. Os dois Augustos ancoraram a sua soberania no poder divino: Diocleciano a fazia derivar de Júpiter, Maximiniano se colocou sob a tutela de Hércules. Diocleciano, filho dum camponês da Dalmácia, que tinha começado a sua carreira como simples soldado, tornou-se um dos mais importante imperadores. O seu programa de governo foi caracterizado por uma reforma política de tipo conservador e por uma restauração religiosa. O seu escopo foi o de regular tudo segundo as antigas leis e o ordenamento público dos romanos (publica disciplina Romanorum)[28]. A fidelidade ao costume tradicional (mos maiorum), aos «deuses imortais», e a esperança de um constante «favor dos deuses » eram dificilmente conciliáveis com a tolerância para com um grupo da população que refutasse notoriamente estes valores. Em 297 Diocleciano promulgou um edito contra os maniqueus e procedeu severamente contra aquilo «que as novas e vergonhosas seitas contrapõem às mais antigas religiões»[29]: «Estamos cheios de um incrível zelo que nos força a punir a obstinação (pertinacia) com a qual indivíduos demasiadamente indignos persistem no seu modo distorcido de pensar (prava mens[30]. Uma tal concepção revela aquele mesmo pensamento religioso-político que já precedentemente tinha motivado comportamento hostil em relação aos cristãos por parte dos imperadores romanos.

Este comportamento levou enfim o imperador a proceder contra os cristãos. Da sua religiosidade inspirada na antiga Roma, caracterizada por uma certa pretensão de exclusividade, surgiu a intenção de reunir todos os súditos do Império sob os antigos cultos. Mas, diante da resistência oposta pelos cristãos, ele podia atingir o seu objetivo somente através da sua completa eliminação. Após a vitória contra os persas teve início em 298 as providências contra os cristãos. Primeiramente eles foram afastados do exército, um procedimento que podia ser causado por atitudes provocatórias dos soldados e oficiais cristãos[31]. Os sustentadores oficiais do paganismo encorajavam o imperador a prosseguir por esta estrada.

Dia 23 de fevereiro de 303 Diocleciano proclamou um primeiro edito: as igreja dos cristãos deviam ser destruídas, ficavam proibidas suas reuniões e seus livros sagrados deviam ser queimados. Os cristãos ficavam privados de seus ofícios, dos seus títulos e da sua capacidade jurídica[32]. O edito foi aplicado imediatamente; não estava ligado a uma ordem de cumprir um sacrifício, mas perseguia um claro objetivo: a aniquilação do cristianismo.

No verão de 303 seguiram o segundo e terceiro edito: o clero foi preso e obrigado a sacrificar[33]. Parece, todavia, que estas disposições não tiveram no ocidente uma plena aplicação.

Num quarto edito, emanado na primavera de 304, Diocleciano dispôs que toda a população do Império devia oferecer um sacrifício[34]. Através do sacrifício os cristãos deviam ser obrigados à apostasia da sua fé. Em caso de resistência eram torturados e, se persistissem no recusar, eram punidos com a morte[35].

O último edito teve atuação nas várias partes do Império de forma diferente. A mais ampla aplicação aconteceu no oriente, mas também com incompreensões e resistências. No Egito a sua atuação desencadeou uma desordem que virou uma guerra civil. No ocidente o edito não foi respeitado por Constâncio Cloro. Parece que Maximiniano o aplicou com hesitação; na primavera de 305 ele estabeleceu um dia comum para o sacrifício.

Os testemunhos cristãos revelam que na parte ocidental do Império, governada por Constâncio Cloro, as ações de perseguição foram aplicadas apenas de má vontade. Na reviravolta dada por Constantino, filho de Constâncio, é possível perceber esta posição. Deve-se também considerar que os cristãos nestes países eram muito inferiores em número. Enfim, a dureza de Diocleciano, que resultava contrária à tradicional tolerância romana, não encontrou um consenso unânime nem mesmo junto aos não cristãos. A crueldade das ordens de perseguição se reflete nos testemunhos cristãos, mesmo que se tenha em conta exagero retórico-literário (Lactâncio, Eusébio). Ao modo insólito de conduzir a luta a parte cristã reagiu não raramente com emotividade provocatória. O número das vítimas foi considerável, especialmente nos territórios dos antigos núcleos cristãos do oriente, do Egito e do Norte da África. Estes anos de perseguição se trasformaram numa decisiva prova di força entre romanidade e cristianismo.

 A SEGUNDA TETRARQUIA


Dia 1° maio de 305 Diocleciano e Maximiniano abdicaram de comum acordo e subiram ao trono como Augustos os seus dois sócios Galério e Constâncio Cloro. No oriente torna-se César Maximino Daia e no ocidente Flávio Valério Severo. Após essa mudança houve inicialmente uma pausa na perseguição, mas que no oriente foi reiniciada já um ano depois com toda a sua dureza e aspereza. No ocidente as lutas entre os aspirantes ao trono levou a uma definitiva cessação. O problema dos cristãos não encontrou mais no Império uma resposta unitária.

O imperador Galério (305-311) pôs fim à perseguição dia 30 de abril de 311. Com o seu edito de tolerância, que foi publicado em nome dos seus sócios Licínio, Constantino e também Maximino Daia. O edito admitia indiretamente a falência da política religiosa imperial. O imperador tirou, portanto, os cristãos da sua condição de ilegitimidade e concedeu-lhe o livre exercício da própria religião: «Eles podiam ser novamente cristãos e restaurar os seus lugares de reuniões, mas com a condição de não agir de modo algum contra a ordem vigente»[36]. Deste modo o cristianismo tornava-se religio licita (religião lícita), mas subordinado ao ordenamento superior da disciplina Romana. A religiosidade política romana reivindicava finalmente per si também o cristianismo: «É seu dever rezar ao seu Deus pela nossa saúde, por aquela do Estado e pela própria»[37]. O Deus Christianorum (Deus dos cristãos) fazia agora parte das divindades que garantiam a salus publica do Império.

Galério, imperador no oriente (305-311). Mais uma vez se procurou impor a religião tradicional, mas isto também vai à falência.

A paz definitiva para os cristão chegou com o Edito de Milão no ano 313 proclamado pelos imperadores Constantino e Licínio.




[1] Rm 15,1-7; Tt 3,1; 1 Pedro 2;13-15.
[2] 1Tm 2,1-2, 1ª Carta de Clemente 60,4-61,2; Apologistas.
[3] Justino, Apologia 17 e outros.
[4] Mt 22,21; cf Rm 13,7; At 4,27-29, 1 Pd 2,17.
[5] Tertuliano, Apol. 7,1; 8,14.
[6] Tácito fala de superstitio exitiabilis e maléfica, Ann. 15,44.
[7]odium humani generis”. Tácito, Ann. 15,44.
[8] Tertuliano, Apol. 42, Minucio Felix, Oct. 8,4.
[9] Tertuliano, Apol. 7-9, Minucio Felix, Oct. 9 e em outros lugares.
[10] Tertulliano, Apol. 40,1-2; 42-43; Minucio Felice, Oct., 8,4; cf Cipriano, Ep. 75,10.
[11] cf. Justino, Apol. II 2, 8 [3].
[12] Annal. XV, 44.
[13] Infanticídio, canibalismo, incesto etc., foram acusações levantadas contra os cristãos. "Somos acusados de três coisas: ateísmo, comermos nossos próprios filhos e haver entre nós relações sexuais entre filhos e mães." - Atenágoras, Legatio pro Christianis, III, cf. p. 17.
[14] Tácito, Anais (Annales), XV, 44 – publicado em BETTENSON Henry. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: ASTE, 2007, p. 27.
[15] Tácito, Anais (Annales), XV, 44.
[16] A informação em Clemente, Carta aos Corintios 1,1 é vaga: "improvisas calamidades e adversidade... uma depois da outra".
[17] Orígenes, Com. Mat. Ser. 39.
[18] Eusébio, História Eclesiástica VI 39,1.
[19] Eusébio, História Eclesiástica VI 40, 1 ss.; Cipriano, Ep. 20 e outros
[20] Eusébio, História Eclesiástica VI, 41
[21] Cipriano, Ep. 59,10, 65,1, 67,6, 15,2 Martyrium Pionii, 16.1, 18,13.
[22] Cipriano, De lapsis 1.
[23] Eusébio, História Eclesiástica VII 11-10.
[24] Eusébio, História Eclesiástica VII 13.
[25] Eusébio, História Eclesiástica VII 13.
[26] Eusébio, História Eclesiástica VII 23,1-3.
[27] Eusébio, História Eclesiástica VII 21 -22.
[28] Cf. o edito de 295 sobre o matrimônio, Legum Mosaicarum et Romanarum Legum Coll. VI 4,6: «As nossas leis protegem somente as coisas sacras e venerandas, e por isto a potência romana cresceu de maneira tão poderosa com o favor da força divina».
[29] Coll. XV 3,3.
[30] Coll. XV 3,3.
[31] Eusébio, História Eclesiástica VIII 4,2-3; Lactâncio, De mort. pers. 10,4; várias Atas dos Mártires.
[32] Lactâncio, De mort. pers. 13,1; Eusébio, História Eclesiástica VIII 2,4.
[33] Eusébio, História Eclesiástica VIII 3,1-4; Eusébio, Mart. Palaest. 1,4
[34] Lactâncio, De mort. pers. 15,4; Eusébio, Mart. Palaest. 3,1
[35] Eusébio, História Eclesiástica VIII 10.
[36] Lactâncio, De mort. pers. 34; Eusébio, História Eclesiástica VIII 17,3-10.
[37] Lactâncio, De mort. pers. 34; Eusébio, História Eclesiástica VIII 17,3-10.