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A Palavra do Frei Petrônio

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 348. Festa do Coração de Jesus.

O Coração de Jesus: Deus de misericórdia

Frei Pedro  Caxito, O.Carm. In Memoriam
 
            Estamos em pleno mês de junho, mês do Sagrado Coração de Jesus. É um convite a celebrarmos o amor, as misericórdias do Coração do nosso Deus feito homem, que veio morar entre nós, "não para chamar os justos, mas os pecadores" (Mt 9,13).
            "As misericórdias do Senhor eternamente cantarei!" (Sl 88,2) dizia o salmista, repetia sempre Santa Teresa de Jesus e devemos nós mesmos sempre proclamar.
            Aquelas "entranhas de misericórdia do nosso Deus que, para nos visitar nos fez vir lá do alto o Sol Nascente" (Lc 1,78),  Jesus que de Maria veio até nós em Belém.
            Aquele Coração cheio de misericórdia, que como Bom Samaritano se inclinou sobre a pobre humanidade prostrada no caminho, sobre a pecadora da casa de Simão, o fariseu, sobre Mateus, Zaqueu e o paralítico de Cafarnaum e o outro da beira de Betesda, a piscina da "casa da misericórdia", sobre a adúltera envergonhada e tantos pecadores, sobre as criancinhas rejeitadas, sobre os pobres e sobre os doentes, porque "são os doentes que precisam de Médico e não os sãos" (Mt 9,12).
            «Andai, portanto, de volta para as vossas casas, a fim de aprenderdes o que é: "Quero misericórdia e não sacrifício" » (Mt 9,13), sacrifícios de bodes e carneiros (cf Os 6,6).
            Junho nos convida a vivermos a bem-aventurança: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque misericórdia encontrarão" (Mt 5,7).
            Junho nos pede para reconhecermos as misericórdias do coração do nosso Deus, nelas confiarmos e as imitarmos. "Sede misericordiosos como é misericordioso o vosso Pai, que está no céu" (Lc 6,36).
           
RICO DE MISERICÓRDIA
 
            "Mas Deus, rico de Misericórdia, graças ao grande amor com que nos amou, mortos que estávamos por causa dos pecados, nos fez reviver com Cristo: de graça, na verdade, fostes salvos" (Ef 2,4-5).
            Misericordioso, o Coração de Jesus sente-se comover diante da miséria do povo cansado e abatido como ovelhas que não têm um pastor. Misericordioso quer dizer "um coração compadecido diante da miséria". E Ele é misericordioso. "Andava em volta por todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda doença e enfermidade" (Mt 9,35).
            Diz São Paulo aos Romanos: "Pois bem a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores. (...) É por Ele que já desde o tempo presente recebemos a reconciliação"
            É misericordioso e quer que o ajudemos a ser misericordioso: chama aqueles que Ele quer e "lhes dá o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo tipo de doenças e enfermidades" (Mt 10.1), como Ele estava fazendo. "Proclamai que o Reino dos Céus está chegando. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demônios" (Mt 10,7-8).
            Mas aqueles doze são poucos demais. "O Mediador único entre Deus e os homens" pede aos Homens que peçam ao Dono para mandar mais gente para a sua colheita. A messe está loura, esperando pela colheita (cf Jo 4,35), porque "Messe" é plantação já ansiosa por ser colhida. E o Dono deve ter pressa!...
            "Eu vos carreguei sobre asas de águia" como a águia carrega os seus filhinhos (Ex 19, 4). "Sacerdotes e reis, uma nação consagrada, um povo que Deus adquiriu para proclamarmos as suas obras maravilhosas" (1Pd 2,9), o seu amor e a sua misericórdia, devemos estar com Ele no seu esforço por libertar o irmão de toda miséria espiritual e material. "Filhinhos, não amemos com palavras ou com a língua, mas com os atos e com a verdade" (1Jo 3,18).

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 347. Menino de Ouro.

10º Domingo do Tempo Comum: O filho da viúva de Naim (Lucas 7,11-17).

Por irmã Kátia Rejane Sassi, da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry. Teóloga, especialista em Assessoria Bíblica - DABAR - mestranda em Teologia Bíblica pelas Faculdades EST. Atualmente é professora e coordenadora do Curso Básico de Formação na ESTEF - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana.
O texto da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) só se encontra no evangelho de Lucas. Em seu ministério pela Galileia, Jesus se aproxima de uma pequena aldeia chamada Naim, próxima de Nazaré, onde se depara com uma cena comovente.
Vida x morte: dois cortejos se encontram
O evangelista Lucas relata dois cortejos, duas procissões que se encontram na entrada da aldeia de Naim. De um lado, o cortejo de morte, dos sem esperança, que sai da cidade: uma grande multidão acompanha a mãe viúva que leva seu filho único para ser sepultado. Naquele tempo, os cadáveres eram considerados impuros e, por isso, eram enterrados fora dos muros das cidades judaicas.
Do outro lado, o cortejo da vida que entra na cidade: Jesus é acompanhado de seus discípulos e também de uma grande multidão. Lucas emprega pela primeira vez o título de "Senhor", indicando que ele é o Cristo, o Senhor da Vida. 
 As lágrimas de uma mãe viúva
Na cena descrita por Lucas aparece uma mulher mãe e viúva. Naquele tempo, sua situação social como mulher viúva era muito difícil. Falecido o marido, ela ficava sob a proteção dos filhos e, não tendo estes, encontrava-se à mercê da própria sorte. O evangelho nos diz que o jovem falecido era filho único desta viúva (Lucas 7,12). Portanto, agora dependia da boa vontade dos seus vizinhos. Esta mulher estava sozinha no mundo.
Esta mãe e viúva encontrava-se num grande sofrimento, pois além de perder seu esposo perde também seu filho amado que constituía a única herança que tinha. Logo, enterraria sua única razão de viver. Sem nenhuma palavra, as lágrimas falam... A dor inconsolável das perdas e seu lamento profundo chegam até o coração misericordioso de Jesus, o Senhor da Vida.
 Jesus vê e tem compaixão
Jesus olha, contempla a situação de sofrimento e presta atenção na mãe viúva desamparada que acaba de perder seu único filho. Vê a angústia daquelas pessoas com quem se cruza ocasionalmente. O Senhor da Vida não é insensível e indiferente à dor humana, não passa ao lado, não se afasta.
Diferentemente de outros relatos de milagres e de pedidos de pais por seus filhos, aqui, ninguém pede a ajuda de Jesus. Seu olhar é cheio de ternura, sente-se tocado pela situação, toma a iniciativa diante das lágrimas de tristeza da mãe de Naim, movido pela compaixão. Em Jesus, o Deus libertador do êxodo está entranhado na história do seu povo: "Eu vi a aflição de meu povo... Ouvi os seus clamores...
Conheço os seus sofrimentos... Desci para libertar..." (Êxodo 3,7-8).
Jesus se compadece da viúva e de tantas pessoas cansadas, aflitas, enfermas e marginalizadas. Ele sente, sofre, assume a dor da mãe de Naim. E a compaixão entra em ação. Jesus se dirige à mulher que chorava e lhe diz apenas duas palavras de consolo: "Não chores!" Isso revela que havia uma esperança para aquela mulher e sua situação. Não vai mais existir motivo para essas lágrimas e essa dor.
Jesus se aproxima e suas palavras e gestos restituem a vida
A compaixão leva Jesus a falar e a agir. O Senhor da Vida se aproxima e, decidido, toca o esquife (caixão) e "os que o levavam pararam" (Lucas 7,14). Jesus se envolve com os dramas humanos e não tem receio de tocar algo impuro. Ele transgride o tabu religioso sobre a impureza legal de um cadáver (cf. Números 19,11.16). Para Jesus, a vida está acima de todo legalismo.
Com suas palavras, ele ordena ao jovem que se levante. "Levantar" é um dos verbos em grego para "ressuscitar". Jesus transforma as realidades de morte. Lucas acrescenta que o que estivera morto passou a falar. Restitui a vida e a palavra ao jovem. Num gesto de ternura, Jesus entregou à mãe de Naim seu precioso filho. Jesus não só chama o filho à vida, como também restitui a vida, a situação social desta mulher viúva.
Testemunho: Deus visitou o seu povo
A reação da multidão é de espanto e admiração que reconhece a ação salvífica de Deus: "Um grande profeta apareceu entre nós e Deus visitou seu povo" (Lucas 7,16). É o próprio Deus que visita seu povo; não mais através de profetas, mas ele mesmo que, assumindo a condição humana, vem nos trazer a libertação e a alegria. É o "Pai dos órfãos e o protetor das viúvas" (Salmo 68,6). Como Senhor da Vida e vencedor da morte, inaugura o tempo novo de esperança para todos os que creem.
E nós, hoje, que reescutamos esta narração de Lucas, somos interpelados/as pelos sentimentos, palavras e gestos de Jesus diante do sofrimento humano estampado nas páginas dos jornais e nas telas da televisão ou nas tragédias que acontecem perto de nós. Sua atitude nos ajuda a descobrir que nosso nível de humanidade é terrivelmente baixo. A dor dos outros produz em mim a mesma compaixão? Quando Jesus vê uma mãe chorando a morte de seu filho único, aproxima-se de sua dor como irmão, amigo, semeador de alegria e de vida. Que nossa presença junto aos pequenos, desamparados e sem esperança possa testemunhar: "Deus visitou o seu povo!".
Fonte: http://www.cebi.org.br