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A Palavra do Frei Petrônio

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Perdoar ajuda a se conectar com emoções positivas


 Por Lilian Graziano 

 
"O perdão é um dos exercícios que se faz em busca de emoções mais positivas" Às 11h30 da noite, depois de todas as luzes apagadas, todos na cama: o vizinho bate à porta. Em tom belicoso, diz que o gato daquela casa fez cocô em seu jardim.

Não contente com a atitude compreensiva do morador, que já pensava em providências, ele diz que tem fotos do gato. E manda que, no sereno, o morador vá limpar seu jardim. Esse não concorda com a agressividade do vizinho, mas não diz: conta até 10, sabe que está errado - naquele condomínio os gatos não podem passear pelas casas. E vai limpar o jardim, mesmo achando grosseira a abordagem.

Não pensou o vizinho que isso seria desnecessário: bastava que informasse o problema (e não às 11 da noite) e tudo poderia ser resolvido para que não acontecesse mais. E ainda restavam as medidas civilizadas: informar o condomínio para que as multas fossem aplicadas, sem desgastes entre vizinhos.

Mas o morador limpa tudo e se desculpa, várias vezes. Tanto que o vizinho fica sem graça. Afinal de contas, ele estava armado: calcanhares duros, atitude pensada para acordar todos naquela casa, voz empostada... ah, e tinha as fotos do gato, seja lá o que fosse fazer com isso. Tudo levava a crer que ele queria só briga.

Quantas não são as situações assim, em que nos munimos e nos preparamos para verdadeiras guerras, quando os motivos são tão bobos quanto um cocô no jardim? Trata-se de um estresse que muitas vezes nada acrescenta ao outro, nem a si. Às vezes porque o outro nem liga, não vê importância no que se reivindica.

Também não são as atitudes impositivas, violentas que mudarão o comportamento ou o modo de pensar do indivíduo a quem se dirige toda a munição. É fato que a agressividade dissolve a validade de qualquer argumento.

Para evitar o comportamento bélico no cotidiano, é preciso economizar no armamento e esbanjar compreensão. Uma discussão pautada no entendimento mútuo das posições é, em qualquer caso, o melhor caminho. Oponentes só existem de fato no xadrez, nos jogos desportivos - e, mesmo assim, com honras de cavalheiros, regras para os embates; nem mesmo a política ou a religião revelam opositores: o que se busca, muitas vezes, são ideais comuns, como a sobrevivência e Deus.

Não à toa, a generosidade é uma das forças pessoais descritas pela Psicologia Positiva (veja aqui), assim como o amor. E o perdão é um dos exercícios que se faz em busca de emoções mais positivas. Por que não aplicá-los nas pequenas coisas do dia a dia?

Na situação entre o morador e o vizinho, tudo parece ter sido exercitado, ainda que em descompasso: o primeiro foi gentil, quando podia ter sido extremamente grosseiro - generoso à medida que compreendeu a chateação do vizinho diante da regra infringida. O segundo, perdoou - ao ver o morador consternado, relevou, desarmou-se. E por que não se evitou, então, o estresse da primeira impressão, do chamado tarde da noite e da coerção para limpar o jardim?

Precisamos nos preparar para a convivência pacífica e entender que primeiro vem os argumentos, a compreensão e os instrumentos civilizatórios, como as leis e o voto para resolver os impasses. E depois vem todo o resto, sempre como atitude desesperada para defender uma posição ou um ponto de vista. E usando a máxima do profeta José Datrino (ou profeta Gentileza ou José Agradecido), um talvez sábio andarilho que passou pelo Rio de Janeiro e por outras cidades brasileiras, a filosofar sobre o comportamento humano: GENTILEZA GERA GENTILEZA. E assim caminhará a humanidade, rumo a atitudes mais generosas, nas pequenas coisas e, como consequência, nos grandes feitos, rumo à paz mundial.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

É a política, Francisco!

“O caminho dos fatos ditará a direção que o novo pontificado vai seguir: se entrará em uma disputa pela conservação do povo em sua generalidade abstrata, consolidando os postulados conservadores da Igreja, ou se modificará seus fundamentos, apontando, a partir da ruptura do protocolo, para a parte que corresponde à Igreja, respondendo às necessidades religiosas das minorias e produzindo novas condições de governabilidade”. A análise é de Diego Ezequiel Litvinoff, em artigo publicado no jornal Página/12, 28-03-2013. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Uma vez superada a euforia e a emoção da posse, o Papa Francisco deverá administrar o Vaticano. Embora por suas características este governo se diferencie de seus pares europeus, suas situações de crise são similares. E não se trata unicamente de problemas econômicos, mas do que eles manifestam: uma verdadeira crise de governabilidade.
Em seu último livro editado na Argentina, Opus Dei. Arqueologia do ofício, Giorgio Agamben [a sair no Brasil na segunda quinzena de abril] assinala que a forma moderna de governo ocidental encontrou seu paradigma no esquema desenvolvido a partir da institucionalização da Igreja. A necessidade de formar um corpo permanente de sacerdotes se chocava com o caráter de comunidade carismática da Igreja primitiva, fundada sobre os princípios cristãos entendidos como acontecimentos. Para resolver esse dilema, os Padres da Igreja – remetendo-se a um marco conceitual que tem suas raízes em práticas públicas gregas e reflexões filosóficas estoicas – definiram a função sacerdotal com a palavra officium. Este termo indica uma tarefa que só se cumpre ao realizar os atos que lhe competem enquanto instrumento da economia divina, o que significa que “o sacerdote é aquele ente cujo ser é imediatamente uma tarefa e um serviço, isto é, uma liturgia” (p. 136).
A importância que Agamben outorga a este conceito está em que este funda, na história ocidental, uma nova ontologia. Diferenciando-se das ações definidas na Antiguidade, o officium refere-se a uma tarefa cujo único conteúdo é sua efetualidade, dado que o importante já não é “como é preciso ser para obrar”, mas que, pelo contrário, o que se coloca em jogo é “como é preciso obrar para ser”.
É essa ontologia que a modernidade tomou como paradigma e que funda a situação de governo que lhe é própria, constituindo-se assim o modelo de conduta de toda a instituição moderna, que “trata de distinguir o indivíduo da função que exerce, de modo a assegurar a validade dos atos que cumpre em nome da instituição” (p. 42). Mas é essa mesma ontologia, que chega à sua máxima expressão durante o neoliberalismo, que, segundo Agamben, está perdendo seu poder. Não é casual, então, que a crise de governo encontre na Igreja um de seus epicentros.
O novo Papa provém de um continente que deu respostas inovadoras a esta crise de governabilidade. Com líderes que se envolveram pessoalmente em sua atividade, revalorizando a político como reitora da economia, dando relevância à palavra e conteúdo aos gestos e deixando literalmente sua vida nela, a América Latina redefiniu a ontologia efetual. O poder político já não se concebe nestas terras como uma função que representa um país em sua totalidade. Intrincada em uma complexa luta de interesses, a política assume sua condição de parte, produzindo um espaço que deixa de ser o vazio a partir do qual se administra os recursos, para cumular-se de uma parcialidade. O sujeito que o ocupa deixa de ser um instrumento e coloca sua assinatura nele. Se o preço que paga por isso é ser um homem comum em circunstâncias excepcionais, esse homem comum, com nome e sobrenome, pode assumir a representação do povo, do qual nunca deixou de fazer parte, e que, longe de assumir uma totalidade abstrata, se define fracionando-se, a partir das diversas minorias.
Sendo uma das partes do conflito de poder na Argentina, não obstante, Bergoglio encontrou no discurso impessoal do acordo e na necessidade do diálogo uma arma para fazer valer os interesses de seu setor. À frente do Estado do Vaticano, diálogo e acordo solicitarão os que cometerem os crimes mais atrozes. Nesse mesmo sentido se pode entender a humildade e o culto à pobreza, que, sendo tão antigos quanto a religião, se assemelham àquilo que Angela Merkel propõe à Europa. Outros sinais, no entanto, permitem vislumbrar uma mudança, como o longo encontro que teve com Cristina e sua referência à América Latina como a Pátria Grande.
Quando Francisco, ao tomar posse, rompeu o protocolo e se aproximou de seus fiéis, não apenas transmitiu um sinal simbólico. Colocou em crise uma função que é 100% protocolar. O caminho dos fatos ditará a direção que o novo pontificado vai seguir: se entrará em uma disputa pela conservação do povo em sua generalidade abstrata, consolidando os postulados conservadores da Igreja, ou se modificará seus fundamentos, apontando, a partir da ruptura do protocolo, para a parte que corresponde à Igreja, respondendo às necessidades religiosas das minorias e produzindo novas condições de governabilidade.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.b

A festa da Páscoa é a festa mais importante da Liturgia Católica

† Orani João Tempesta, O. Cist.. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

A solene celebração da Ressureição do Senhor Jesus Cristo – Páscoa – está para o ano litúrgico da mesma forma que o domingo para a semana. É a festa mais importante da Liturgia Católica. Por isso também se diz que cada domingo é uma celebração pascal.

O Missal Romano nos educa perfeitamente na celebração do mistério pascal em suas normas universais sobre o ano litúrgico: “O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a missa vespertina na Ceia do Senhor, tem seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do domingo da Ressurreição”.

Voltemos um pouco ao passado para compreender a Liturgia Pascal. A Ásia Menor celebrava a Páscoa no dia 14 de Nisan, já as Igrejas que seguiam a tradição romana celebravam a Páscoa no domingo seguinte a esta data. As duas primeiras homilias da Páscoa remontam do século II. A primeira é de Melitão de Sardes (entre os anos de 165 e 185), porém não se tem a autoria da segunda. Na homilia de Melitão, dividida em três partes, há no centro a reflexão de que a Páscoa judaica já não é fato, pois a verdadeira Páscoa é apresentada na vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Ali se dá a síntese da história da salvação de toda humanidade, desde a criação até a parusia.

Buscando compreender o termo Páscoa, façamos um olhar atento à herança da cultura da época. A palavra Pascoa é uma transliteração do aramaico “paschá”, no hebraico “pesah”, e do grego “pasjein”. O Antigo Testamento apresenta o termo 49 vezes, indicando o rito da lua cheia da primavera em 34 vezes, e em 15 vezes cita o “cordeiro imolado”.

O termo Páscoa lembra a passagem dos judeus pelo Mar Vermelho e o deserto até a entrada na terra prometida. Para os cristãos, esta “passagem” testemunha o movimento da humanidade que migra do pecado à graça da salvação que se dá pela paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

A Liturgia Católica apresenta uma riqueza de ritos neste período em preparação à Páscoa. Desde a Quaresma, Domingo de Ramos até culminar na celebração da Vigília Pascal, que apresenta quatro momentos importantes: celebração da luz, liturgia da palavra, celebração batismal ou renovação das promessas batismais e a celebração eucarística.

Porém, a Páscoa é prorrogada durante a oitava e continua sendo festejada por um período litúrgico chamado de Tempo Pascal, que vai até o Domingo da Ascensão e culmina com a solenidade do dia de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos Apóstolos, e hoje estendida a todos nós. Assim, pelo batismo somos os continuadores da presença do Cristo ressuscitado. Depois, a Páscoa é sempre recordada em cada domingo do calendário litúrgico.

A Literatura Católica é muito rica e vasta, com conteúdos que ajudam os fiéis a compreender essa solenidade, como por exemplo, podemos ver alguns itens apresentados no Catecismo da Igreja Católica: “O mistério Pascal no tempo da Igreja, O mistério Pascal nos Sacramentos da Igreja, A celebração sacramental do Mistério Pascal”. Além disso, outros documentos do magistério da Igreja intensificam a reflexão do mistério pascal.

O mistério pascal, conforme o Novo Testamento, mostra o Reino de Deus oculto às massas, mas revelado aos eleitos. Nos escritos de São Paulo Apóstolo, refletimos a salvação que Deus oferece à humanidade de todos os tempos, realizada em Cristo e confiada seguidamente aos apóstolos e a toda Igreja para que se tornem discípulos missionários no anúncio desta realidade salvífica a todos os fiéis.

Acontece uma dinamicidade entre três elementos muito importantes no Mistério Pascal: a) situação de morte, b) a vida que brota da morte, c) a intervenção especial de Deus. Assim, a vida que brota da morte cria a consciência de uma nova criação. Do mesmo modo que fomos criados, fomos redimidos, portanto, “recriados”, saindo dos pecados provocados pelos apetites desenfreados.

Devemos, porém, nos voltar para o mistério salvífico entre Deus e a humanidade, que se dá na doação da vida de Jesus pela humanidade. A primeira aliança foi a libertação do povo israelita da opressão do Egito. A nova e eterna aliança é tirar a humanidade do peso do pecado, libertando-a definitivamente do mal.

Depois de dois milênios, continuamos todos inseridos no mistério da Páscoa – a ressurreição – que já nos é presenteada pelo nosso Batismo e vivência fiel aos sacramentos. Nestes dias, vimos pelos meios de comunicação as diferentes manifestações da Paixão por todo o Brasil. Tivemos celebrações litúrgicas, momentos devocionais populares e manifestações culturais. A época é tão importante que todos manifestam a seu modo um pouco de sua realidade e esperança. Cada lugar fez de acordo com sua tradição e costume. Aqui no Rio de Janeiro também procuramos valorizar a importância da arte. Meus agradecimentos a tantos que celebraram liturgicamente estes momentos profundos e as belas manifestações populares. Parabéns, também, a todos os artistas e músicos que se apresentaram tanto nos Arcos da Lapa como em tantas paróquias e comunidades de nossa Arquidiocese.

Somos chamados a viver a Páscoa e viver como discípulos missionários de Cristo, hoje testemunhando sua Ressurreição! Que esta Páscoa nos renove na caminhada por um mundo de paz e fraternidade, preparando-nos para sermos uma Igreja viva e ressuscitada, quando em julho receberemos os irmãos jovens de todos os continentes para ouvir o nosso querido Papa Francisco que estará conosco.

A Páscoa continua sendo celebrada durante a oitava, como também no tempo pascal e em toda a liturgia da Igreja. Caríssimos, desejo-lhes uma FELIZ E SANTA PÁSCOA!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!