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A Palavra do Frei Petrônio

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ABERTURA DA CF-2018: Papa envia mensagem aos brasileiros por ocasião da CF 2018

“Fraternidade e superação da violência” é o tema da Campanha para a Quaresma, em 2018. O Evangelho de Mateus inspira o lema: “ Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).
Silvonei José – Cidade do Vaticano
Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. Um caminho pessoal, comunitário e social que visibilize a salvação paterna de Deus. “Fraternidade e superação da violência” é o tema da Campanha para a Quaresma, em 2018. O Evangelho de Mateus inspira o lema: “ Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).
A Campanha será lançada oficialmente nesta Quarta-feira de Cinzas e tem como objetivo geral: “Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência”.
De acordo com o Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrichs Steiner, sofremos e estamos quase estarrecidos com a violência. Não apenas com as mortes que aumentam, mas também por ela perpassar quase todos os âmbitos da nossa sociedade. A ética que norteava as relações sociais está esquecida. Hoje, temos corrupção, morte e agressividade nos gestos e nas palavras. Assim, quase aumenta a crença em nossa incapacidade de vivermos como irmãos.
Por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2018 o Papa Francisco enviou uma mensagem ao Presidente da CNBB, o arcebispo de Brasília, Cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Eis na íntegra a mensagem do Papa:
Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Neste tempo quaresmal, de bom grado me uno à Igreja no Brasil para celebrar a Campanha “Fraternidade e a superação da violência”, cujo objetivo é construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. Desse modo, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a reconhecer a violência em tantos âmbitos e manifestações e, com confiança, fé e esperança, superá-la pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado.
Jesus veio para nos dar a vida plena (cf. Jo 10, 10). Na medida em que Ele está no meio de nós, a vida se converte num espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos (cf. Exort. Apost. Evangelii gaudium, 180). Este tempo penitencial, onde somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da esmola nos faz perceber que somos irmãos. Deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade.
“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (1 Co 6,2; cf. Is 49,8), que nos traz a graça do perdão recebido e oferecido. O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança é condição necessária para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: “Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento” (Ef 4, 26).
Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas. A paz é tecida no dia-a-dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), como destaca o lema da Campanha da Fraternidade deste ano. Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação. As comunidades da Igreja no Brasil anunciem a conversão, o dia da salvação para conviverem sem violência.
Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim.

Vaticano, 27 de janeiro de 2018.
[Franciscus PP.]


domingo, 7 de janeiro de 2018

OLHAR POLÍTICO DO FREI PETRÔNIO NESTE DOMINGO, 7

“Para matar o Menino Deus não precisa ser Herodes (Mt 2:13), basta votar em um corrupto neste Ano Eleitoral-2018”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ. E-mail do Frei Petrônio. missaodomgabriel@bol.com.br; Face: www.facebook.com/freipetros Twitter. www.twitter.com/freipetronio  Divulgação: www.olharjornalistico.com.br


2018 não queria nascer...

Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.
Comunidade Capim, Lagoa da Canoa-AL. 30 de dezembro-2017.

Quando ele olhou no tempo, viu os velhos e eterno políticos enganando o povo em mais um ano eleitoral. Ele ficou triste e não queria nascer para ver com os próprios olhos os corruptos da lava jato sendo reeleitos graças a mentira e a compra de votos. Ele ficou triste e, com os olhos cheios de lágrimas viu os deputados corruptos fingindo-se de santos, os senadores transformados em profeta dos pobres e os candidatos a presidente em pai dos esquecidos. Ele ficou triste e não queria nascer. 
Quando ele olhou no tempo ficou triste ao ver as mulheres sendo violentadas por seus maridos e abusadas sexualmente. O seu coração partiu diante do grito de socorro dos jovens negros, favelados e pobres sendo violentados e assassinados nos becos, vielas e ruas escuras da vida. A sua revolta foi maior quando percebeu o choro de uma criança embaixo de um viaduto com fome junto aos seus pais abandonados e anônimos da sociedade consumista e desumana. Ele ficou triste e não queria nascer. 
Quando ele olhou no tempo viu o planeta sangrando em nome do desenvolvimento econômico. Nos rios, na flora e na fauna corria o sangue da ganância pelo lucro. Os pobres- vitimados pela destruição da natureza- passando sede, fome e gritando com as inúmeras doenças e pragas. A desolação foi total no continente africano e nos países subdesenvolvidos. Ele ficou triste e não queria nascer.      
Quando ele olhou no tempo viu os refugiados correndo aos milhares a procura de uma nova vida sendo barrados pelo presidente Donald Trump. O mundo tornou-se um campo de guerra, de discriminação e de violação dos direitos humanos. Em nome de Deus se mata, em nome da paz se divide, se odeia e se destrói. Olhando para os países asiáticos, ele viu o rosto de medo atômico aterrorizando crianças sem sonhos sob a ameaça do líder norte-coreano, Kim Jong-um. Ele ficou triste e não queria nascer. 
Quando ele olhou no tempo viu um Brasil dividido politicamente com candidatos radicais, mentirosos e inescrupulosos enganando o povo. No rosto dos intelectuais e da grande mídia viu o ódio, a intolerância religiosa, social e política. Andando pelas ruas se deparou com adolescentes e jovens defendendo ideias radicais, conservadoras e ultrapassadas.  Ele ficou triste e não queria nascer.     
Quando ele olhou no tempo viu um mundo sombrio onde a poluição dominava, os animais eram mortos e os seres humanos eram vendidos, partidos e repartidos na grande mesa da produtividade e da lucratividade econômica. Tudo parecia caos e fim! Ele, percorrendo os continentes, os países e as cidades percebeu algo estranho e inusitado.... A esperança insistia em animar o velho mundo decaído e, justamente depois desse encontro, ele resolveu nascer. Seja bem-vindo 2018. Ele vai nascer!   


Relação entre Frades e Leigos na Ordem do Carmo (algumas notas)

Frei Bruno Secondin, O. Carm.
Somos filhos de um grande movimento laical, que deu muitos frutos semelhantes ao nosso. Hoje nos damos conta de que estas experiência de uma Igreja em transformação, dentro da qual surgiu a nossa família.
-O projeto da Regra reflete e se inserta nesta situação: movimentos de leigos, pregadores, penitentes, peregrinos, fraternos, pobres, não rígidos.
-Naquele tempo não havia ainda uma visão da Igreja bem estruturada como hoje. E isso si vê no projeto da Regra:
-Transparecem algumas estruturas- patriarcal, os padre, os chefes das Igrejas, tradição jurídica (Eleição), etc.
-Porem no fundo tudo é horizontal – fraterno – essencial
-O modelo principal: é aquilo de Jerusalém (palavra – fraternidade – oração – eucaristia – asceses – partilha – templo no meio
-Misturado com outros modelos: ex. o modelo Paulino de Antioquia: abertura – acolhida – outra forma de partilhar os bens – trabalho – respeito das pessoas – visão multicultural – etc
-Alguns dos grandes horizontes: a luta espiritual – trabalho manual – palavra unida ás relações de comunidade.

Elementos que sugerem uma relação com os leigos:
-O dom do lugar pela fundação – O transporte pobre (Igreja pobre é o sentido do texto no original) – acolhida generosa e atenta – a casa dos acolhedores – os viageiros no mar – os trabalhadores – o samaritano da conclusão.
-A falta em geral da mentalidade clerical: tudo deve favorecer a fraternidade, o respeito da diversidade, a centralidade dos valores essenciais.
-Não há preocupação da agregação dos leigos: porque desde o início a mentalidade, a perspectiva, a visão era “laical” num sentido medieval (nossa distinções rígidas ainda não existiam). A intenção era a volta a grande tradição, unindo a sabedoria do passado com a própria experiência e a nova espiritualidade “evangélica-laical” (propositum dos cruzados e dos leigos penitentes).
-Se deve notar também a capacidade de morar na atualidade, quando fizeram corrigir o texto definitivo: os novos elementos contem experiências laical, mas está bem armonizados com os antigos).
-Outro elemento interessante é a confiança na fidelidade madura de cada um: respeito – exceções – valores mais que disciplina.
-A mesma inspiração do profeta Elias não clericalizava o projeto: permaneceu aberto; foi só por causa da “clericalização” sucessiva, que tudo si mudou afastando a vida dos frades da vida do povo e da mentalidade da origem.
-A tradição de ampliar a família religiosa concedendo a agregação (fraternitas) era anterior à nossa aparição. Se usavam palavras como: donatos, oblatos, rendidos, familiares. Nas outras Ordens havia várias formas e grupos. No Carmelo nos primeiros séculos há várias experiências, mas uma só família com diferentes estados de vida.

1452: é o ano do reconhecimento da existência das “monjas” e dos grupos da Terceira Ordem (privilegiados). O destaque e a diferencia se consolida definitivamente.
Vale a pena repensar de novo a riqueza e o valor da situação “laical” das origens: especialmente hoje, em uma Igreja que se dá conta do valor teológico, evangelizador da existência laical.

Tudo isto está pedindo uma nova interpretação do sentido mesmo do carisma. Ele não pode ser considerado como “monopólio” de uma Ordem ou de uma Congregação; é bem da Igreja, e o Espirito Santo está convocando diretamente os leigos a vive-lo e a faze-lo  fecundo na Igreja. Isso nos ajuda a recuperar a história primitiva: a intenção não era de fundar uma “ordem”, mais de estabilizar uma experiência simples, fraterna, pobre, aceitada pela autoridade eclesial. Não foi o desejo de distinguir-se que está no fundo da Regra, mais uma estabilidade clara, no propositum vivido. 

O QUARTO REI MAGO: A Palavra do Frei Petrônio.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A POBREZA NO BRASIL. A Palavra do Frei Petrônio.

Segunda Semana do Advento: Vem, Senhor Jesus!


Aplainai os caminhos do Senhor. Para atuar estas palavras, temos de recomeçar a cada dia. O que pode nos sustentar na caminhada é a oração. Reservo tempo adequado para rezar?
O 'Retiro do Advento: Vem, Senhor Jesus!' é uma proposta de Exercícios Espirituais para rezar diariamente ao longo das quatro semanas do Tempo do Advento. O material da Segunda Semana do Advento é preparado pelo padre Luís Renato Carvalho de Oliveira, para rezar individualmente ou em grupo, e disponibilizado no sítio jesuitasbrasil. A ilustração é de Cerezo Barredo.


Eis o roteiro. 

10.12 – Segundo Domingo do Advento
Texto: Mc 1, 1-8. A voz que clama no deserto
E interessante observar que a narrativa começa definindo quem é Jesus: ó o Filho de Deus. Esta é a tese do evangelista Marcos quando escrevo o seu Evangelho. No transcorrer da narrativa, esta tese aparece em três lugares estratégicos: no inicio é o autor quem faz esta proclamação; no meio da narrativa do Evangelho é Pedro quem a faz; no final do Evangelho é o centurião.
Jesus é o Evangelho por excelência, a Boa-Nova, é a maior riqueza enviada pelo Pai. Jesus é o Filho de Deus. Ele vai se revelando e nós o vamos descobrindo, pela fé, acompanhando seus passos, sua vida e sua doutrina.
A narrativa de hoje também procura explicar o papel de João Batista no início da missão de Jesus. Ele é um personagem muito importante. A sua mensagem centraliza-se na urgência da conversão, que era expressa através do Batismo. João Batista proclama que a salvação é universal, isto é, a todos, oferecida sem exceção.
A mensagem central de João Batista é ainda hoje tão necessária quanto antigamente. Os primeiros cristãos identificaram João Batista como o mensageiro anunciado pelo profeta Isaías e como Elias que, segundo a tradição judaica, anunciava a chegada do Messias. De acordo com essa interpretação, Jesus aparece como o Messias, e João Batista corno o precursor.
A narrativa do Evangelho insiste na diferença entre o batismo de João Batista e o de Jesus: o de João era simplesmente um rito que expressava a conversão; o de Jesus era selado pelo Espírito Santo e o fogo, duas imagens que os primeiros cristãos utilizaram para descobrir a sua incorporação ativa a missão da Igreja.
O batismo de João Batista era uma preparação para o batismo cristão, que tem um caráter definitivo, expresso em imagens apocalípticas.
  

11.12 – Segunda-feira
Texto: Lc 5, 17-26: Homem, teus pecados são perdoados.
Alguns homens carregaram um paralítico sobre uma maca e o levaram até Jesus. Estes homens são santos, solidários com seu irmão paralítico. São homens de fé que acreditam no poder de Jesus. Sua atitude enche a terra de esperança. Ainda existe quem carregue um paralítico com sua maca. Esta é a primeira coisa maravilhosa que todos viram admirados e seria suficiente, se Jesus não tivesse perdoado os pecados do paralítico. Isto teria bastado para encher o dia de alegria, mas não bastou para Jesus, que decidiu curar a paralisia daquele homem. A paralisia poderia ser consequência de algum pecado pessoal, como poderia ser consequência de algum mal social que se abateu sobre o homem. Ao separar o pecado da paralisia, Jesus mostrou que não é necessariamente causa do outro.


12.12 – Terça-feira
Texto: Lc 1, 39-47: Isabel ficou repleta do Espírito Santo.
O encontro das duas mães, em realidade, o encontro dos dois filhos. João Batista inaugura a sua missão anunciando por boca de sua mãe o senhorio de Jesus, manifestação de seu mesmo messianismo e de sua profunda relação com Deus.
A resposta de Maria à saudação de Isabel, que tradicionalmente designamos com o nome latino de "Magnificat", é um Salmo de ação de graças composto por citações e alusões ao Antigo Testamento, de forma especial ao cântico de Ana, a mãe de Samuel (1Sm 2,1-10).
Lucas nos mostra neste canto um tema de sua predileção, Deus tem piedade dos pobres. Em realidade não há aqui somente um louvor aos pobres, dos quais Maria é a representante. Os que contam aos olhos de Deus são os que passam despercebidos pelos poderes deste mundo.

13.12 – Quarta-feira
Texto: Mt 11, 28-30: O Reino revelado aos simples.
Mateus reuniu aqui três sentenças de Jesus, que provavelmente tiveram a sua origem independente.
A palavra de Jesus é muito semelhante ao convite a se tornarem discípulos da sabedoria, que lemos nos livros sapienciais: "Vinde a mim"; "Tomai meu jugo"; "Encontrareis descanso".
Esse jugo transformou-se num pesado fardo para o povo. Por isso, Jesus convida os simples para se tornarem seus discípulos, seguindo os seus passos em obediência filial à vontade do Pai.
Jesus convida a aceitar seu jugo, essa é uma imagem das exigências que derivam de sua mensagem. O seu jugo é suave, não como o da lei proposta pelos magistrados (escribas e fariseus) e sua carga é leve. Jesus convida todos a se aproximarem dele diretamente e não através da lei.

14.12 – Quinta-feira
Texto: Mt 11, 11-15. Não existiu homem maior que João Batista.
Jesus faz aqui um elogio a João Batista. Mateus tenta explicar essa grandeza e humildade do Batista: ele é grande porque aponta a realização das profecias do Antigo Testamento e da Lei; pequeno, por ser apenas um precursor, um novo Elias, que pertence ainda a ordem da profecia e não da realização, isto é, não pertence ao reino de Deus, mas ao tempo da preparação do Antigo Testamento ("os Profetas o a Lei").
Ele é o novo Elias que do antigo possui o espírito e o poder e deve preparar a vinda do Senhor.
Agora que o Messias veio, começou o novo tempo no qual o recinto sagrado já está reservado aos profissionais da piedade.
A missão de João Batista é proclamar o término do tempo de esperar e o início de uma "nova história", feita por homens e mulheres "novos", renovados no Espírito.

15.12 – Sexta-feira
Texto: Mt 11, 16-19: Mas a sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras.
A sabedoria se reconhece em suas obras. Muitas são as palavras e muitos os julgamentos. Dizem estes uma coisa e aqueles dirão o contrário. Divergimos entre nós. Temos poucas certezas, muitas opiniões e muitas interpretações. Necessitamos, por isso, da sabedoria. Dizem os filósofos que a sabedoria é o perfeito conhecimento de todas as coisas. Mas é preciso acrescentar que ela consiste em conhecer todas as coisas em vista de uma boa conduta na vida para a obtenção da felicidade, na medida do possível. Ela é humana e se adquire por experiência, e é divina, um dom especial do Espírito Santo. “Rezei, e a inteligência me foi dada, invoquei, e o espírito de Sabedoria veio a mim”, diz o Livro da Sabedoria. Neste tempo do Advento, a sabedoria é o próprio Filho de Deus que vem até nós. Concede-nos saborear algo do próprio Deus e com o gosto das coisas do alto decidir espontaneamente pelo que é melhor. São muitas as opiniões e não há tempo para errar. Animados e iluminados pelo Espírito do Senhor Jesus, queremos acertar o caminho para chegarmos ao fim que nos propusemos.

16.12 – Sábado - Repetição
A oração de cada sábado consiste no exercício chamado de repetição. Trata-se de aprofundar aquilo que rezei durante a semana. Santo Inácio diz: Não é o muito saber que satisfaz a pessoa, mas o sentir e saborear as coisas internamente [EE 2]. Por isso não é apresentada uma nova matéria de oração para este dia. Faço, pois, a oração, a partir do texto ou moção que mais me consolou ou que mais me desolou na semana que passou.

Primeira Semana do Advento: Vem, Senhor Jesus!

Neste novo ano litúrgico, iremos ler e meditar nos domingos do tempo comum oEvangelho de Marcos - Ano B. Iniciamos o tempo litúrgico com o tempo chamado Advento que se caracteriza como tempo de espera, de preparação, de expectativa pela vinda do Senhor, é tempo de despertar. Os sofrimentos do povo e os aparentes silêncios de Deus terão uma resposta.
O 'Retiro do Advento: Vem, Senhor Jesus!' é uma proposta de Exercícios Espirituais para rezar diariamente ao longo das quatro semanas do Tempo do Advento. O material é preparado pelo padre Luís Renato Carvalho de Oliveira, e disponibilizado no sítio jesuitasbrasil. A ilustração é de Cerezo Barredo.

Eis o roteiro para a Primeira Semana do Advento.

03.12 - Primeiro Domingo do Advento
Texto bíblico: Mc 13, 33-37 – Iniciamos um novo Ano Litúrgico. 
O texto de hoje faz parte do discurso apocalíptico. Depois de descrever os sinais que precederão a vinda do Filho do homem, Jesus responde a outra pergunta que lhe foi feita pelos discípulos sobre o momento de sua vinda. A resposta está bem clara: não sabe nada... somente o Pai.
É preciso estar alerta e preparado, porque o Filho do Homem chegará no momento mais inesperado. Diante do desconhecimento do dia e da hora, a única atitude possível é estarmos vigilantes.
Toda intervenção consciente e operosa da fé é um sinal da vinda do Filho de Deus, que já se manifesta na historia de cada dia, mas que anuncia sua plenitude no fim dos tempos.
A Palavra de Deus que nos acompanhará nos próximos domingos nos ensina que Jesus continua presente em cada um de nos e nas nossas comunidades, nas nossas famílias, no nosso trabalho do dia a dia.

PARA REFLETIR
Neste domingo inicia-se o Tempo do Advento, tempo de espera, no qual esperamos ansiosos pelo nascimento de Jesus. Como então nos preparar para esta grande chegada?

04.12 – Segunda-feira
Texto bíblico: Mt 8,5-11 - É a fé que salva.
A fé não é um refugio num santuário, mas uma interminável peregrinação do coração. Só temos que confiar em Deus, pois a fé é uma resposta de reciprocidade a Deus, que age em nós conforme nossa reciprocidade na fé.
A fé do gentio suscita a admiração de Jesus e dá motivo ao contraste entre ela e a pouca adesão que encontra em Israel. Jesus vê que a sua mensagem vai suscitar melhor resposta entre os não judeus que entre os judeus.
E podemos confiar nele porque ele confia em nós.
É a fé que possibilita ao homem ser mais homem, isto é, livrar-se de todas as enfermidades que o condiciona a tantos tipos de morte.
Registra-se aqui o único caso no Evangelho de Mateus, no qual Jesus toma a iniciativa de uma cura. O dom é oferecido sem prévio pedido. Temos a ação gratuita de Jesus, que se antecipa. Nessa cura Jesus se manifestou como salvador do homem doente.

05.12 – Terça-feira
Texto bíblico: Lc 10, 21-24 – Jesus reza.
O texto de hoje nos apresenta o retorno da missão dos setenta e dois discípulos. Eles voltam dessa missão conscientes de terem libertado os homens do mal moral e físico, graças ao uso que eles fizeram do poder de Jesus.
A igreja tem a missão de dizer abertamente que a sua vida está em suas próprias mãos e não na fatalidade. Não basta denunciar as alienações, é preciso curar suas feridas, lutar contra as doenças mentais, a velhice, o isolamento, recusar as pressões que conduzem os homens ao vicio e a injustiça.
Jesus, por meio de sua missão, revela--nos que a fé, a caridade, o cristianismo são, 2 antes de qualquer coisa, a pura intervenção de Deus como primeiro ser que nos amou.
Deus revelou-nos Cristo e garantiu--nos um grande privilegio quando nos deu a oportunidade de ver e ouvir Jesus, que ainda hoje vive na Igreja. Tudo isso é graça de Deus.

06.12 – Quarta-feira
Texto bíblico: Mt 15, 29-37 - Todos comeram e ficaram saciados.
Esse relato está praticamente calcado sobre o primeiro relato da multiplicação dos pães narrado por Mateus. Ainda só fazem presentes as alusões ao Antigo Testamento, referencia á Eucaristia e ao papel do mediador dos discípulos.
No entanto, algumas variantes revelam que o primeiro relato da multiplicação dos pães refere- se ao repartir o pão entre os judeus, enquanto que este se trata de repartir o pão entre os pagãos.
A multiplicação dos pães representa e preanuncia o banquete eucarístico, ao qual todos estão convidados: pobres, doentes, desamparados, humildes e todos aqueles que ajudam os necessitados.
A ordem de Jesus de recolher os fragmentos lembra-nos o dever de cuidarmos das pequenas coisas, dos pormenores, com atenção as pequenas coisas, as únicas, afinal, que podemos oferecer aos necessitados.

07.12 – Quinta-feira
Texto: Mt 7,21.24-27 - Quem entrará no Reino dos Céus?
As palavras do texto do Evangelho de hoje marcam o fim do Sermão da Montanha. Por meio delas, Jesus nos exorta á prática de seus ensinamentos. Não é suficiente aceitá-los e concordar com eles, é preciso praticá-los.
Essa é a atitude de muitos cristãos que, em tempos de crise, levam suas vidas ao desastre, porque são apenas ouvintes e não seguidores do Senhor.
Pelo contrário, os que seguem a Jesus, que não são apenas ouvintes, mas que são firmemente centrados em sua Pessoa, sempre tem coragem para superar qualquer problema da vida, sem com isto gerar sua ruína e sem comprometer seu destino final.
A parábola das duas casas é um excelente testemunho das preocupações catequéticas do evangelista Mateus. Ele conserva especialmente das parábolas de Jesus tudo o que se aplica a vida, ao dia a dia.
Mateus reage contra o formalismo legalista de certos meios pagãos: não há religião cristã sem engajamento. 

08.12 – Sexta-feira
Texto bíblico: Lc 1, 26-38 - Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo.
O diálogo do anjo Gabriel com a Virgem Maria articula-se em três momentos: a saudação e a mensagem; o anúncio da maternidade messiânica; e a revelação da divina maternidade no anúncio.
Maria conceberá por obra do Espírito Santo, fonte de vida, que vai descer sobre Maria, e o poder de Deus Altíssimo vai cobri-la com a sua sombra.
O "sim" de Maria foi dado em total fé e submissão ao plano de Deus. É um verdadeiro exemplo de atitude que todo ser humano deve ter diante de Deus.
Por meio de Maria Imaculada, sabemos que a fidelidade é possível. Maria manifesta que a fidelidade ao desígnio de Deus não é um mito paradisíaco. A pureza da Imaculada nada mais é do que a transparência à vontade de Deus.

09.12 – Sábado - Repetição
 A oração de cada sábado consiste no exercício chamado de repetição. Trata-se de aprofundar aquilo que rezei durante a semana. Santo Inácio diz: Não é o muito saber que satisfaz a pessoa, mas o sentir e saborear as coisas internamente [EE 2]. Por isso não é apresentada uma nova matéria de oração para este dia. Faço, pois, a oração, a partir do texto ou moção que mais me consolou ou que mais me desolou na semana que passou. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

PARAR NA VIDA: A Palavra do Frei Petrônio.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA REGRA CARMELITA

ENCONTRO DOS SUPERIORES MAIORES DA FAMÍLIA CARMELITA
SANTO DOMINGO - OUTUBRO 2004
Frei Joseph Chalmers, O.Carm. Ex-Prior General


Em obséquio de Jesus Cristo

Os eremitas do Monte Carmelo viveram ali durante algum tempo, antes de evoluir suficientemente e formar um grupo. Eles se dirigiram a Santo Alberto e lhe pediram que escrevesse para eles uma “fórmula de vida”. Eles não pediram uma Regra e isto demonstra que não desejavam ser inscritos numa das formas tradicionais de vida religiosa. Eram um grupo de leigos que desejavam viver uma vida eremítica e de penitência na terra de Jesus Cristo. Alberto baseou o que escreveu no “propósito manifestado” pelos eremitas (Regra 3), isto é, no que eles viviam e no ideal que lhe haviam apresentado. Eles tinham uma certa organização porque Alberto escreve a uma certo "B e demais eremitas, que vivem sob a sua obediência junto à Fonte, no Monte Carmelo” (Regra 1). Com a intervenção do Papa Inocêncio IV, porém, este documento se converteu e foi aceitado oficialmente como Regra da Igreja e os eremitas foram reconhecidos comoreligiosos”. O texto da Regra tal como o temos incorporou as contínuas experiências e evoluções que o grupo realizou desde que eles chegaram pela primeira vez ao Monte Carmelo até que começaram a instalar-se nas distintas partes da Europa e tomaram a decisão de tomar parte do movimento mendicante.
           
            No começo da Regra, Santo Alberto disse que cada um está chamado a “viver no obséquio de Jesus Cristo". Esta é a suprema e fundamental lei para todos. Entretanto, os eremitas tinham uma certa experiência em viver seu caminho particular e eles levaram esta experiência a Santo Alberto pedindo-lhe que lhes desse uma orientação para poder viver mais profundamente seu obséquio a Jesus Cristo. Estudos recentes sobre a Regra demonstram que esta não é uma simples lista de prescrições em que umas são mais importantes que outras. É um documento de valor em forma de carta com uma estrutura lógica. Muitas se devem aos escritos de Cassiano e está cheia de alusões e citações diretas da Escritura. Se comparamos o quadro da comunidade cristã descrita nos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47 e 4,32-35) com a Regra, podemos encontrar todo tipo de paralelismos.
           
            Os eremitas tinham vindo de distintas partes da Europa para viver na terra, que se converteu em sagrada pela presença terrena de Jesus e pelo fato de que ali derramou seu sangue pela nossa redenção. Eles desejavam ser uma comunidade de discípulos como a comunidade cristã primitiva dos Atos dos Apóstolos. A fim de ser uma comunidade de discípulos, cada um deveria deixar que a lei do Senhor se apossasse de seu coração. Estar vigilantes em oração é uma atitude essencial (Regra 10) para que possamos estar atentos para quando venha o Senhor e Ele nos encontre despertos. A comunidade pode ser comparada a uma orquestra. A orquestra é composta por instrumentos independentes. Cada instrumento deve estar afinado para que o conjunto forme um som harmonioso. Se um está fora de tom, todo o conjunto se ressente. Por tanto, a saúde espiritual de um indivíduo, afeta toda a comunidade.

Deveis ter um de vós como Prior

            Uma comunidade não é uma coleção de indivíduos, por isso no primeiro capítulo legislativo os eremitas terão que eleger para eles um Prior ao qual devem prometer obediência. A obediência não é um assunto de meras palavras, mas que deve ser provado com as obras. O Prior, porque é um guia, é alguém que serve (Regra 22). Ele deve ser eleito com o consentimento unânime de todos, ou da parte maior e mais madura, a ele prometerão obediência todos os demais (Regra 4 e 23). Junto com os irmãos, o Prior decide onde fixar os lugares dos conventos (Regra 5). Com o consentimento dos outros irmãos ou da parte mais madura, o prior assinala a cada um a cela (Regra 6). A asignação da cela era muito mais importante do que dar uma habitação nas casas modernas. Somente com a permissão do Prior alguém pode mudar-se da cela asignada (Regra 8). Ele é um cuja missão é proteger o direito dos demais ao silêncio e à solidão no trato com os visitantes (Regra 9). O Prior é o responsável pela distribuição do alimento segundo a necessidade de cada qual. Ele exerce esta responsabilidade através de um delegado (Regra 12). Ao Prior se deve respeitar (Regra 23), porém, ele deve ganhar-se este respeito pela sua forma de vida. O papel dum guia numa comunidade não é o de alguém que regula tudo, mas o de quem inspira os outros. O guia deve ser um em quem, acima de tudo, os valores da Regra hão de tomar carne.
           
            O Prior deve viver de acordo com a Regra como os demais. Todos os irmãos se reunirão para distintas ocasiões: para comer (Regra 7); para rezar (Regra 11); para celebrar a Eucaristia cada manhã (Regra 14); cada domingo ou em outros dias, se for necessário, para tratar da observância da vida comum e do bem espiritual das almas e corrigir com caridade as faltas (Regra 15).
           
            A Regra não trata de cobrir qualquer tipo de eventualidade; nem tampouco pretende sufocar a criatividade. A intenção é dar umas linhas guias aos eremitas para ajuda-los a viver em obséquio de Jesus Cristo. Na oração silenciosa, na solidão e por meio do trabalho, eles formarão uma comunidade de discípulos unida em torno do Senhor. Sua quietude e sua vida humilde se elevarão até Deus e será um beneficio para seu próximo. Durante quase cerca de oito siglos, a Regra inspirou um número incontável de carmelitas em seus esforços de ser revestidos pela Palavra de Deus. A espiritualidade Carmelita não está contida completamente no breve texto da Regra, porém, esta é a fonte da qual dimana.
           
            O Prior é o signo da unidade dentro da comunidade, o qual é elegido para servir. Ele deve ser um modelo, em palavras e em obras, para o grupo que se le ha encomendado (1Ped 5,3) como tal, deve estar disposto para prestar a ayudad necessária a cada religioso; para fomentar a vida comunitária; para cuidar de todos, especialmente dos enfermos e anciãos; para supervisar as atividades comunitárias e as iniciativas de tal modo que esta sea signo por o qual os irmãos possam viver autenticamente “em obséquio de Jesus Cristo e servirle fielmente com coração puro e buena consciência”." (Regra 1).
           
            O papel do Prior em nossa Regra e em nossa tradição é o do serviço. Ele guia à comunidade antes de tudo com seu próprio exemplo e seu papel é o de assegurar que a comunidade se organize de tal maneira que os irmãos possam viver em obséquio de Jesus Cristo. Várias vezes se assinala na Regra que o Prior deverá tomar certas decisões com o consentimento dos demais irmãos, ou da parte maior e mais madura. O Prior não é um déspota, ou um pai que decide tudo por seus filhos. É para eles um guia, porém, cada membro da comunidade é responsável da salud de toda a comunidade e de su própria vida. O Prior é alguém  que recorda aos irmãos a nossa vocação comum e constantemente nos chama todos a viver-la. Entretanto, cada um é, em última instância, o responsável ante Deus de como está vivendo atualmente a vocação que Deus lhe deu.


O caminho do grupo

            Um aspecto do papel do guia é esforçar-se em fazer que a realidade, em quanto seja possível, se aproxime do ideal, guiado acima de tudo pelas exigências da caridade. Os ideais os teremos sempre diante de nós ; não podemos alcançar a perfeição até que Cristo venha de novo e leve todas as coisas à sua plenitude. O papel do prior é muito importante como o daquele que convoca os irmãos e que torna possível o diálogo. Se o Prior não faz isto,  quem o fará? Se o Prior não cumpre esta função, criará uma grade tensão dentro da comunidade. Os irmãos não desejam ter alguém que tome decisões por eles, mas desejam ter quem facilite o diálogo e seja um guia.
           
            Creio que uma das grandes dificuldades da vida comunitária é que os membros individualmente se preocupam de coisas diferentes e nunca compartilham suas expectativas. Cada membro da comunidade tem seu próprio modelo de vida religiosa e de Igreja que ele jamais questiona porque formam parte de si mesmo, todas suas expectativas são somente ir adiante com este modo de viver sua vida religiosa. A necessidade de uma profunda purificação da noite escura se faz luminosa, quando começamos a tomar consciência de como eram profundas nossas expectativas e preconceitos, que tínhamos construído inconscientemente e que cresceram conosco desde nossos primeiros anos de carmelitas. Estes estão tanto na autoridade como nos outros membros da comunidade.
           
            Existem maneiras de ler um texto. Um modo de o ler é perguntar-nos o que Alberto quis dizer e o que os eremitas entenderam do que escreveu. Entretanto, há outro possível significado, que vai mais além do ponto de vista de Alberto e dos primeiros eremitas. Estes significados podem ser descobertos quando nós tiramos fora os nossos próprios problemas, interesses, questões e experiências e nos perguntamos o que é que a Regra tem a nos dizer. Este método de interpretação o usamos inconscientemente quando lemos as Sagradas Escrituras, por exemplo: quando aplicamos algumas coisas do Cântico do Cânticos à Virgem, Nossa Senhora. O autor do Antigo Testamento não tinha em mente à Virgem quando o escreveu, porém, por causa de nossa experiência cristã podemos ver o significado do texto mais além do que quis dizer o autor original.
           
            Eu posso entender um texto, porém, este não pode afetar-me realmente. Também posso aproximar-me de um texto pensando que conheço o que significa. Em tal caso, este não me surpreende; somente diz o que eu poderia ter dito. O mesmo problema existe com as Escrituras. Nossa familiaridade com as palavras de Jesus, por exemplo, pode agir neste momento como barreira ao que Deus nos está dizendo. Nos podemos tornar imunes à mudar o que Deus nos está apresentando através de sua palavra, pensando que conhecemos o que Deus quer dizer-nos.


Ter por companheira a palavra de Deus

            A Regra está imbuída da palavra de Deus. É breve, porém, contém ao redor de uma centena de citações explícitas ou implícitas de textos da Escritura. Santo Alberto foi claramente um homem que meditava longamente a palavra de Deus. Os eremitas desfrutavam meditando a lei do Senhor dia e noite. Esta meditação estava dirigida à transformação individual em Cristo de dentro para fora. Não é simplesmente o caso de tratar de entender com a mente o que a palavra significa, ainda que isto seja importante, mas deixar que a palavra de Deus nos envolva de tal maneira que “tenhamos a palavra de Deus por companheira” (..“e o que devais fazer, fazei-o conforme à palavra do Senhor) (Regra 19).
           
            Está claro que a autoridade, num contexto cristão, deve ser exercida como um humilde serviço. O exercício da autoridade em nossos dias não é fácil e requer o exercício de certas habilidades. A pessoa que está chamada a exercê-lo como guia, deve engendrar respeito pelo teor de sua vida. Ninguém é perfeito, porém, os demais devem ser capazes de ver no guia alguém que se esforça em viver a vida Carmelita do melhor modo que lhe é possível. Não todos admirarão o superior e algumas de suas decisões serão incômodas, porém, deve tomar-las para o bem comum.
           
            A orientação da Regra é a transformação em Cristo. Ser carmelita é estar nesta viagem para ser transformado. O que exerce a autoridade está a caminho e, ao mesmo tempo, tem a missão de inspirar os outros para continuar o caminho e acompanhar os membros mais débeis da comunidade de tal maneira que não sejam rechaçados.
           
            Nós, que estamos no exercício da autoridade por um tempo, devemos ter claro que para exercer a autoridade como um verdadeiro guia e como um serviço real, devemos deixar que os valores da Regra transformem nosso modo de ver as coisas. Alguém disse uma vez que todo poder tende à corrupção e que um poder absoluto tende a uma corrupção absoluta. Devemos examinarmos constantemente de modo que nossa maneira de exercer a autoridade nunca caia no mal uso do poder e alimente nosso próprioego’.
           
            O que nos sucede durante o período em que somos guias é uma parte importante do caminho de transformação. Não creio que Deus seja a causa de tudo o que nos acontece, no sentido que Deus deseja que atualmente soframos, mas que Deus está no meio de todas as situações que encontramos. Deus nos chama desde o coração de cada irmão ou irmã e desde o centro de cada dificuldade que nos vem ao encontro.


Vigiar em oração

            Necessitamos escutar atentamente de modo que sejamos capazes de ouvir a voz de Deus em meio a outras vozes e poder discernir o que Deus quer nos dizer. Nossos sentidos espirituais necessitam afinar-se constantemente e isto acontece através do nosso modo de viver com os valores da Regra meditando na lei do Senhor dia e noite e velando em oração (Regra 10). Este é um elemento essencial do exercício da autoridade na Regra. Sem este cuidado e vigilância, corremos o rico de seguir nosso falso eu ao tomar as decisões e responder às necessidades dos irmãos e irmãs. O ‘falso eu’ é a parte falsa de cada ser humano que necessita morrer de modo que possamos ter vida e vida em abundância. O ‘falso eunão quer morrer e se reveste de distintos disfarces de modo que não possamos reconhecer o que é em realidade, trata de influenciar cada aspecto de nossas vidas. Vejamos o que sucede quando nossos planos e decisões não são levadas a cabo. Freqüentemente nos enfadamos e desconfiamos dos que, a nosso parecer, pensamos que sabotaram nossas idéias. Entretanto,  o que é que Deus nos está dizendo nesta situação? Talvez nossas idéias não eram tão boas, inclusive quando aos nossos olhos pareciam brilhantes e claras. Quiçá exista um outro modo de ver as coisas. O profeta Elias teve que fazer um reajuste do conceito de Deus que tinha depois de da sua experiência no Monte Horeb. Talvez necessitamos reajustar nossas idéias e planos.
           
            A viagem contemplativa é uma viagem de transformação que, pouco a pouco, purifica o nosso modo de ver, de comportarmos e de amar de sorte que se converta em modos divinos. Nossos modos humanos devem ser purificados e transformados porque são limitados e limitam o que vemos e amamos. Para que possamos ver com os olhos de Deus e amar com o coração de Deus, devemos mudar profundamente, e isto não é fácil. Recordo que um teólogo dizia que as pessoas mais difíceis a quem se podia falar eram os superiores, porque eles se criam superiores. Normalmente eles tem muitos dons e podem começar a pensar que têm resposta para todos os problemas que podem existir e que somente conhecem o caminho que têm adiante. Nós, somos membros de comunidades e, como nossos irmãos e irmãs, estamos no mesmo caminho de transformação. Ainda não chegamos e até que cheguemos, nosso modo de ver será limitado e nossas idéias estarão longe de ser perfeitas. Devemos permanecer abertos para ser corrigidos com caridade pelos outros membros da comunidade. Esta correção pode vir de diferentes modos, através da crítica de algumas de nossas decisões ou a falta de aceitação de algumas de nossas idéias…etc. É claro, nosso falso ego estará pronto para garantir-nos que nós temos razão e que os demais são estúpidos o retrógrados.
           
            O exercício da autoridade na Regra de Santo Alberto requer uma constante abertura à palavra de Deus. Devemos revestir-nos da armadura de Deus porque o caminho espiritual supõe a batalha. Não é contra os agentes externos, mas contra os demônios que existem dentro de nós , por exemplo, o egoísmo que está sempre disposto a aparecer. O capítulo 18 da Regra nos diz que devemos ter cuidado e ser diligentes para revestir-nos da armadura de Deus de modo que possamos resistir as insídias do diabo. Uma insídia ou um ataque de surpresa. O inimigo ataca quando crê que somos mais vulneráveis. Nós sabemos que o superior deve sofrer muito. Existem momentos felizes do cargo, porém, também está presente a cruz. Nossos momentos vulneráveis podem ser quando sofremos e talvez nos sentimos infelizes ou pode acontecer quando tudo vai bem e nos sentimos orgulhosos dos nossos logros. Estes momentos, entretanto, vêm e devemos estar prontos e somente o poderemos enfrentar quando estamos vigilantes em oração e abertos à palavra de Deus (Regra 10). A palavra de Deus nos vêm através da Liturgia, de nossas leituras particulares o da meditação, porém, também vêm através dos acontecimentos de cada dia.  O que Deus quer dizer no que está ocorrendo em minha vida?  Deus diz: “Vai adiante. Tens razão”, o Deus diz: “Olha o que está acontecendo. Deves mudar de atitude”?

Deveis estar em silêncio

            Nossas decisões, nossas idéias, nossos planos, devem brotar dum lugar de silêncio. O silêncio é um valor muito importante da Regra e é o caminho da justiça (Regra 21). O preceito de observar o silêncio exterior é para animar-nos a liberar o silêncio interior. Como é difícil permanecer em silêncio! Creio que é especialmente difícil para os superiores. Temos tantas coisas que dizer! Temos tanta sabedoria que partilhar! O ‘falso eu’ é ruidoso e continuamente está falando, fazendo comentários sobre a gente e os acontecimentos, sempre presente em tuas necessidades e teus diretos. Se todas nossas decisões, nossas idéias e nossos planos provierem desta algazarra, o resultado será a injustiça. Por o tanto, devemos fazer silêncio com respeito a este ruído interior, de modo que nossas palavras emerjam do silêncio e assim seremos sábios realmente, não devemos juntar palavras vazias ao nível de ruído em nosso mundo.
           
            O ser guia deve ser exercido como um serviço, tendo como modelo mesmo o Senhor Jesus (Regra 22).  Como saberemos que nosso falso ego não estropia a nossa guia? Com humildade, devemos reconhecer que não somos perfeitos e que nosso falso ego pode influir em nossas decisões ou planos. Não devemos esquecer que estamos envoltos em uma batalha espiritual contra nosso próprio egoísmo. Isto  nos faria humildes, por exemplo, conhecendo e aceitando a verdade acerca de nós mesmos e, contudo, aprendendo cada vez mais de Cristo sem o qual nada podemos fazer. Devemos esforçar-nos da melhor maneira que possamos, recordando que nosso falso ego está ansioso de garantir-nos que estamos fazendo as coisas muito bem e não escutar nenhuma crítica ou idéias de outros. Recordemos o final da Regra “Se algum está disposto a dar mais, o Senhor mesmo, quando votar, o recompensará” (Regra 24). Como o hospedeiro na parábola do Bom Samaritano, vamos a trabalhar com , porém, também tendo um olhar para o horizonte distante à espera da volta do Senhor.

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PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1.         Que deve fazer um guia efetivo de acordo com a tradição Carmelita?

2.         Quais são os problemas particulares de América Latina para que um guia seja realmente efetivo?

3.         Como se introduz o falso ego dentro do serviço da autoridade?


4.         Que podemos fazer para melhorar nosso exercício de autoridade?